
Em uma entrevista concedida à BBC, o eminente físico teórico Richard Feynman relembra eventos de sua infância que foram essenciais para a construção de modelos e atitudes que viriam a conduzir produtivamente sua paixão pelo conhecimento. Num deles, Feynman conta que, aos sete anos, desafiado pelos amiguinhos da escola, que questionavam o fato dele desconhecer o nome de um pássaro que pousara junto a eles no jardim, procurou o pai, no dia seguinte, para perguntar o nome daquela ave de peito amarelo. O pai, então, lhe disse “É o..., mas em alemão é chamado..., em português seu nome é..., em japonês...”, e desfilou-lhe as palavras em várias línguas que davam existência ao pássaro. Diante da face interrogativa do garoto, o pai completou: “Saber apenas o nome de uma coisa é o mesmo que não saber nada dessa coisa. Agora você conhece palavras, jeitos diferentes de falar sobre essa coisa, e continua sem nada. Se você quer saber algo sobre essa ave, olhe bem para ela, observe-a.”
Os primeiros passos para o aprendizado de Ciências na Educação Infantil seguem esse princípio. O interesse, a observação, o relato sobre o observado, as primeiras conjecturas, o diálogo que amplia, corrobora ou descarta as hipóteses iniciais, o registro sobre o observado através de desenhos, a produção de legendas identificadoras e explicativas para os registros: as salas de aula, o ateliê e os jardins da escola são laboratórios, espaços de pesquisa, descoberta e construção de conceitos elementares. Dessa forma, as crianças aprendem explorando o mundo de maneira muito similar ao processo de trabalho dos cientistas, procurando o significado para as coisas e buscando explicações sobre como o mundo funciona.
Os temas de ciências são desenvolvidos de forma interativa, através de projetos interdisciplinares, que aliam a pesquisa científica propriamente dita, os recursos de linguagem plástica e escrita e o trabalho em equipe. São projetos de estudo, por exemplo, aves brasileiras e a criação de bichos-da-seda.
Finalmente, permeia os conteúdos da área um aspecto ético. O ambiente, as populações humanas e outros seres vivos necessitam cada vez mais de cidadãos, cientistas ou não, capazes de reconhecer e avaliar as consequências das interações do homem com o ambiente e de atuar para torná-las mais harmônicas e menos agressivas.

Projetos do Pré 1
Projetos do Pré 2
Capacidades a serem desenvolvidas nos projetos
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