Colégio Santa Cruz

Homilia dominical do Pe. José: 2º Domingo da Quaresma

21/02/2013

Homilia dominical do Pe. José
2º Domingo da Quaresma

Introdução: enquanto avançamos na estação quaresmal em direção à Páscoa da Ressurreição do Senhor, a liturgia de hoje nos brinda com três belas leituras, a primeira, tirada do livro do Gênesis, lembra-nos a aliança de Deus com Abraão, o pai de todos os crentes, e o seu povo, ao qual todos nós pertencemos; a segunda, tirada da carta de Paulo aos filipenses, na qual os cristãos de Filipos são instados a serem fiéis ao verdadeiro evangelho e a não darem ouvido aos falsos apóstolos; o evangelho de Lucas nos traz de volta a memória da Transfiguração do Senhor cujo cenário, belíssimo, reúne no alto do monte Tabor, em plena luz do Espírito, Moisés e Elias a conversarem com Jesus sobre a morte que ele iria sofrer em Jerusalém. A quaresma avança a passos largos e também com ela a Campanha da Fraternidade que neste ano contempla a juventude do nosso país, chamada a responder ao apelo do Senhor.

1) Gênesis 15,5-12.17-18:
Estamos hoje diante de um acontecimento básico na História da Salvação que representa ainda hoje e até hoje vigora, ou seja, a ALIANÇA inquebrantável entre o Deus da Bíblia, o único e verdadeiro Deus, e Abraão, o arameu errante, e o seu povo, do qual todos nós somos parte. Aliança que até hoje está vigorando. Esse Deus de Abraão, embora transcendental, fez uma aliança inquebrantável com o seu povo que ele continua a reunir sob a sua sombra protetora. Naquele dia, Deus fez uma aliança  com Abraão dizendo: Aos teus descendentes darei uma terra desde o rio do Egito até o grande rio Eufrates. Numa cultura pré-industrial e essencialmente agrícola, a terra fértil e arável é a riqueza maior e a única fonte de sobrevivência. Era tudo isso que o Senhor oferecia ao seu povo como prova da sua Aliança. A essa mesma Aliança somos chamados hoje, como indivíduos, como família, como comunidade, como povo de Deus, a renová-la de todo o coração: Senhor, aqui estou, envia-me!

2) Filipenses 3, 17-4,1:
Filipos, cidade dos filipenses, destinatários da carta de Paulo que estamos a ler hoje, foi a primeira do continente europeu a formar uma comunidade cristã, semente de muitas outras já que a Europa foi o núcleo duro da cristandade. Paulo fundou-a com carinho, mas teve de deixá-la a certa altura da sua pregação para anunciar o evangelho a outras cidades da bacia mediterrânea. Na sua ausência, Filipos foi assediada por falsos apóstolos, de índole judaizante, ou seja, incompatíveis com a liberdade cristã que valorizava a conversão do coração, a fé no Senhor Jesus, o amor a Deus e ao próximo muito mais do que a circuncisão, os preceitos legais e as tradições dos antigos judeus, incapazes de entender um Messias crucificado: Já vos disse muitas vezes e agora repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo.

3) Lucas 9,28-36:
O monte Tabor, cartão postal da Galileia, é um dos montes bíblicos, ao lado do Sinai de Abraão ou o Horeb do profeta Elias, da montanha das bem-aventuranças e do Calvário, dos quais Deus, nosso Pai, e Jesus costumavam falar-nos para anunciar e refazer com eles a sua Aliança. A transfiguração do Senhor situa-se um pouco antes da sua viagem final a Jerusalém onde Ele queria anunciar, se fosse o caso, a partir do Templo, tanto aos seus seguidores como aos seus adversários mais renhidos a proximidade ou a chegada o Reino de Deus, um Reino de paz, justiça e amor que viria substituir tanto o reinado de César como o da Lei que ignorava a verdade interior, a misericórdia e o perdão. Pedro Tiago e João, a elite dos seus discípulos e apóstolos, foram contemplados com a graça da transfiguração para poderem reconhecer no rosto desfigurado de Jesus no Calvário o rosto transfigurado do mesmo Jesus no Tabor.