O diálogo com pais e professores, por meio da Palavra do Diretor, é um ritual de todos os anos, que abre o documento que orienta a educação do Colégio Santa Cruz. Neste ano, o tema nuclear é a modernização de parte de nosso campus, necessária ao aprimoramento e à concretização de novos projetos pedagógicos, especialmente do Ensino Fundamental.
É esclarecedor, mesmo para aqueles que passaram anos de sua vida escolar neste espaço, contextualizar a anunciada reforma a partir da história deste campus, que completa 53 anos.
Histórico
De 1952, ano de sua fundação, até 1956, o Colégio Santa Cruz funcionou no prédio da Cúria Metropolitana, em Higienópolis. O terreno do atual endereço foi doado à Congregação de Santa Cruz pela empresa canadense Light and Power. As primeiras edificações — situadas na ala onde funciona atualmente o ensino fundamental — foram projetadas para atender a uma escola masculina, cujos estudantes eram adolescentes entre 11 e 15 anos, alunos do então curso ginasial, bem como os pioneiros do 1o científico.
A partir de 1957, ano da mudança para o Alto de Pinheiros, progressivamente a escola foi ampliando o espectro de suas séries, com a criação do curso clássico, em complemento ao científico, iniciado em Higienópolis. Paralelamente, projetou-se um novo pavilhão, destinado a acolher esses cursos; em 1961, mesmo com a construção não finalizada, o Pavilhão Padre Corbeil tornou-se o prédio destinado aos estudantes mais velhos. As categorias científico e clássico, que constituíam, então, o curso colegial, foram reestruturadas, a partir de 1970, em áreas: exatas, humanas e biológicas. A denominação ensino médio foi introduzida apenas em 1996.
Até 1973, o Santa Cruz manteve o mesmo contingente estudantil: quatro turmas em cada uma das quatro séries do ginasial e três turmas em cada uma das três séries do curso colegial — uma de humanas, uma de biológicas, e uma de exatas.
A partir de 1974, já incorporando as meninas a seu corpo discente, o Santa Cruz passou por um processo de ampliação do número de alunos, com a criação, ano a ano, das quatro primeiras séries do ensino de primeiro grau (antes denominado curso primário), iniciando-se pela quarta série e completando-se, com a primeira série, em 1977. Também a partir de 1974, o ensino médio tornou-se um curso misto. Ano a ano, o número de classes foi sendo aumentado para abrigar o novo contingente, completando-se o processo em 1976, com o total de seis classes por série. Desde então, esse número de alunos e classes se mantém estável.
Em 1974, ainda, foi aberto o curso supletivo noturno, atualmente chamado de educação de jovens e adultos (EJA), totalmente gratuito. Até 2007, esse curso funcionou no pavilhão do ensino fundamental. Atualmente, ocupa as salas de aula do pavilhão Padre Corbeil (ensino médio).
Ao longo do tempo, a primeira ala construída — pavilhão do ensino fundamental — foi sofrendo modificações para se adaptar às demandas geradas, inicialmente, pela nova população discente e, recentemente, pelas classes formadas em decorrência da criação do fundamental de nove anos. Além disso, novas tecnologias aplicadas à educação, bem como reflexões pedagógicas contemporâneas impuseram alterações físicas. Desse modo, mesmo sem um plano diretor que conduzisse os projetos e sua implantação, foram construídos:
a) dependências para as meninas (banheiros e vestiários);
b) um prédio de um pavimento, junto ao ensino fundamental (denominado Pavilhão Canadá), com quatro salas de aula, posteriormente ampliado para abrigar seis salas;
c) um prédio de dois pavimentos, na área adjacente às quadras do ensino fundamental (denominado pavilhão Irmão André), com salas de aula, laboratórios e salas de música com tratamento acústico;
d) um prédio anexo ao pavilhão Pe. Corbeil (ensino médio) com anfiteatro, laboratórios e salas de aula;
e) um ginásio de esportes, com palco, quadras e arquibancadas;
f) dependências do curso de educação infantil, inaugurado em 2000, a partir da reforma da residência dos padres;
g) um conjunto de salas constituintes do centro de ensino de informática, junto à biblioteca central;
h) salas de aula, no pavilhão do ensino fundamental, para abrigar as seis classes correspondentes à série suplementar do novo ensino fundamental de nove anos;
i) pequenas salas destinadas à leitura e ao trabalho com subgrupos de inglês, ateliês, almoxarifados etc., em consequência da ampliação do currículo e do número de séries do ensino fundamental;
j) instalações para informática em todas as salas dos cursos fundamental e médio.
A dinâmica da escola, em face do desenvolvimento da sociedade, da tecnologia e dos conhecimentos, gerou necessidade de adaptação sucessiva dos prédios às contingências pedagógicas. Não há dúvida de que, sob o ponto de vista da harmonia arquitetônica e do projeto original, reformas e ampliações constituem intervenções limitadas, por vezes provisórias. Dessa circunstância deriva a proposta de uma atualização mais ampla e profunda em nosso campus do Alto de Pinheiros, de acordo com um plano diretor específico, descrito a seguir.
Novos projetos pedagógicos: novo plano diretor arquitetônico
O dinamismo curricular e pedagógico que caracteriza a filosofia do Colégio Santa Cruz levou-nos, em 2002, a criar um anteprojeto de ensino em período integral (Unidade 2), que seria implantado em uma área de 30.000m2, contígua à USP, na Av. Corifeu de Azevedo Marques.
Entretanto, mesmo dispondo, desde aquela data, de um projeto arquitetônico completo e em consonância com a nova proposta pedagógica, decidimos, antes de concretizar a Segunda Unidade, proceder a uma significativa reformulação no campus do Alto de Pinheiros, agregando a ele, na medida do possível, algumas das ideias pedagógicas e dos recursos físicos que a nova área da Unidade 2 ofereceria.
Desse modo, desde 2007, quando o antigo pavilhão do ensino fundamental completou 50 anos, temos estudado e planejado essas modificações que, sinteticamente, consistem nos seguintes trabalhos:
1. construção de um prédio de dois pavimentos, com 30 salas de aula, para abrigar o fundamental 1 (1o a 5o ano), na área em que, atualmente, situa-se o setor de manutenção e marcenaria, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
2. construção de um miniginásio de esportes e pátio cobertos, como parte do referido prédio, destinado prioritariamente às crianças do fundamental 1 (1o a 5o ano);
3. reforma das salas de aula onde funcionam o fundamental 2 (pela manhã) e o fundamental 1 (à tarde), para serem utilizadas exclusivamente pelo fundamental 2, e construção de novo setor administrativo, abrigando recepção, secretaria, sala de professores, orientadores, coordenadores pedagógicos e diretores;
4. construção de um pequeno prédio para administração pedagógica do fundamental 1, adjacente ao miniginásio, onde serão instalados recepção, secretaria, enfermaria, sala de professores e gabinetes de trabalho dos diretores; as salas de orientação ficarão localizadas próximas às salas de aula, no prédio a ser construído para o fundamental 1;
5. reforma do Prédio Irmão André, em que funcionarão as salas para áreas especializadas e os laboratórios do ensino fundamental 2;
6. construção em andamento, na lateral do ginásio de esportes, junto à av. Arruda Botelho, de conjunto de salas para onde migrarão o setor de manutenção, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
7. reforma na fachada do prédio da educação infantil e algumas adaptações internas (melhoria da recepção, da secretaria e das salas de orientação e dos professores), incluindo o acréscimo de uma sala de uso comum, (obra finalizada);
8. construção de garagem subterrânea, para que se possam tirar os carros da superfície do campus, favorecendo a entrada e a saída seguras dos alunos e aumentando a área disponível para os pedestres (essa obra será realizada com tecnologia adequada, de forma a assegurar os usuários contra possíveis enchentes);
9. rearranjo da biblioteca e das instalações do centro de ensino de informática, visando à criação de uma midiateca, a ser realizado em fase posterior às construções mencionadas.
Essas modificações não implicarão diminuição de área verde (a verticalização é sutil, correlata à do atual pavilhão do Ensino Médio, e favorece a economia da utilização da superfície do terreno); também não acarretarão alterações na permeabilização de solo. Por lei, somos obrigados a manter tanto a área verde, quanto a área de solo permeável.
A área central do campus será aprimorada, obedecendo a um novo conceito arquitetônico. Concebida como uma espécie de praça, será constituída pela Capela — destacada do prédio atual —, pela midiateca, administração central, ginásio de esportes, lanchonete-sorveteria e jardim interno com viveiro.
A reforma proposta permitirá que o Colégio, no futuro, consultados os pais, mantenha a oferta de seus cursos nos moldes atuais, mas que também possa oferecer um segundo currículo em tempo semi-integral, pois teremos dependências para acolher os dois agrupamentos do ensino fundamental (EF1 e EF2) em todos os períodos, como acontece no ensino médio.
Em relação às atividades esportivas curriculares e opcionais (treinamentos, capoeira, expressão corporal, xadrez), serão ampliadas as áreas disponíveis, com a utilização do campus da Unidade 2, que deverá conter instalações para alimentação, um centro aquático para aprendizagem e competição de natação, outro de atividades esportivas, além de um campo oficial de futebol, que já se encontra quase pronto.
Os alunos de todos os cursos que vierem a participar do período semi-integral serão transportados para esse local, em ônibus da escola, por acesso através da Cidade Universitária (aproximadamente seis quilômetros de distância entre os dois campi).
O processo de estudos internos, iniciado em 2007, seguido da tramitação junto aos órgãos da Prefeitura, terminou apenas em janeiro de 2010, com a aprovação do projeto e a autorização para o início das obras. Essas foram estrategicamente estudadas para ocuparem espaços próximos à av. Arruda Botelho e à Rua Orobó, por onde podem chegar e sair materiais com facilidade.
A partir do segundo semestre, isolaremos o local da primeira construção — item 1 — o que implicará uma perda de espaço esportivo, compensada pelo uso, por parte de todos os alunos, do campo oficial de futebol ao lado do teatro.
As maquetes físicas do projeto global, bem como a respectiva animação em vídeo, ficarão expostas no saguão do prédio do Ensino Médio, em frente à Secretaria Geral, para conhecimento dos pais e demais membros da comunidade do Colégio.
Para que não pairem dúvidas sobre a manutenção da área verde e de escoamento de água, bem como sobre o número de alunos, o Colégio se comprometeu formalmente junto aos órgãos da Prefeitura.
Depois da construção do Teatro, marco do cinquentenário do Colégio Santa Cruz, essa será a obra física mais importante para o aprimoramento pedagógico de nossos cursos.
Discurso de Encerramento do Ensino Fundamental 2009
Por solicitação de pais e educadores do colégio, transcrevo o discurso que pronunciei em 14 de dezembro de 2009, por ocasião da cerimônia de encerramento do Ensino Fundamental 2.
Prezados Pais, Educadores e Convidados
Queridos alunos
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Esses versos de Carlos Drummond de Andrade foram escritos sob a inspiração da virada de um ano que já vai longe: 1975.
O caminho da vida é sempre esse: chegar a algum termo e colocar-se em marcha, novamente, numa nova trilha.
Hoje, a cerimônia que marca o encerramento do Ensino Fundamental é também a festa de ingresso no Ensino Médio. Muito mais uma passagem do que uma “formatura”, essa palavra que guarda significado de coisa terminada, completa, formada.
Não é esse o caso de vocês: a vida escolar no Santa Cruz está em curso, mas é preciso neste momento aplaudir as conquistas, o trecho caminhado, o trabalho que se mostra. É preciso aplaudir, viver essa passagem e preparar-se para o amanhã mais próximo, vizinho ao hoje.
Naquele distante 1975 de Drummond, talvez muitos de seus pais estivessem comemorando o final da 8ª série ou a formatura no Ensino Médio nesta mesma escola. Quantas cerimônias se encadeiam em nossas vidas de pais e filhos, professores e alunos!
Metade de vocês são nossa primeira turma de Pré 1, e desde então, há 10 anos, a cada dezembro, os pais são convidados para, junto aos filhos, acenarem duplamente: para o ano que fica e o que se anuncia. Um grupo grande, perto da terça parte, tornou-se estudante do Santa Cruz no Pré 2 ou na 1a série. Finalmente, os que chegaram depois, já no Fundamental 2, comemoram há menos tempo a virada escolar conosco, mas a intensidade dessa comemoração é a mesma, e tem igual dimensão o afeto e o trabalho construído.
Da insegurança dos primeiros dias — fossem eles aos 5 ou aos 10 anos — seguiram-se a progressiva autonomia e o sentir-se cada vez mais em casa, nesse campus verde. E cada vez mais se ampliou um pouco de tudo: o número de aulas, a distância das viagens, a participação social, o conhecimento, a crítica consistente.
A próxima etapa, no Ensino Médio, mantém os princípios básicos do projeto Santa Cruz, que se aprimora ano a ano e se adapta a cada idade e momento da vida escolar, por vezes com saltos planejados para marcar alguma passagem importante, como a que hoje se comemora.
Os próximos três anos serão repletos de atividades, e um grupo significativo de novos alunos propiciará outras amizades. As exigências acadêmicas se ampliarão, com acréscimos de carga horária, diversidade de estudos do meio e de disciplinas optativas. A etapa que se inicia será contemporânea de um amadurecimento de vocês diante da vida e do futuro que começa a se desenhar. As perguntas serão incômodas e inevitáveis, mas buscarão as respostas dentro de cada subjetividade: “o que desejo estudar, fazer e construir para amanhã? Qual o curso superior que sustenta meus projetos?”
É necessário ter consciência de que em certas áreas de estudo e atuação não se operam milagres. Vocês são bem informados a respeito das demandas acadêmicas. A maior parte das universidades e cursos almejados por nossos alunos são muito competitivos, e a exigência de estudo e dedicação não se extinguem no ingresso após o vestibular, mas se prolongam por toda a vida universitária e profissional.
A regra geral é que esforço, empenho e trabalho levam à realização de fato, ao contrário da magia do acaso ou da sedução do poder. Sem sacrifício não se obtêm resultados consistentes. Como bem conceitua nosso consultor J. E. Bologna, sacrifício é diferente de sofrimento. Sofrimento se evita sempre; sacrifício faz-se em prol de uma causa.
Não parece possível conquistar o futuro a que cada um de vocês aspira abandonando-se os livros e cadernos às 13 horas da sexta-feira para retomá-los apenas na manhã da segunda-feira. Não parece saudável — e acho necessário que os pais passem a discutir comunitariamente esse problema — não é saudável mergulhar nas festas de quase todos os finais de semana, que terminam na alta madrugada. É como se alterassem o fuso horário semanalmente com todas as consequências conhecidas do “Jet-Leg”.
A escola não se vê em condições de assumir o controle nem do fuso horário artificial, nem do álcool consumido nessas circunstâncias. Também não pertence à escola o papel de aconselhar isoladamente uma família a proibir seu filho de participar desses eventos sem correr o risco de fazer do aluno um discriminado do grupo, sofrendo as consequências marcantes dessa situação.
Cabe à escola, sim, exigir que seus alunos cumpram a contento suas funções, obrigações e projetos. Isso será feito com firmeza e leveza. Porque no Colégio Santa Cruz também vigora o estímulo a seus estudantes, a confiança em seu potencial, o bom humor que sustenta a criação e a crítica, o afeto que alinhava tantas amizades como a que vocês têm e ainda construirão por aqui. Vocês estão sendo esperados no novo curso da mesma forma que Drummond traduziu sua espera de um novo ano:
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Vocês são nossa “esperança nova”. Parabéns, alunos do 1o ano do Ensino Médio de 2010. Sejam bem-vindos, mais uma vez, com muita alegria!
Muito obrigado a todos.
Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
60 anos de Colégio Santa Cruz
Em 2012 o Colégio Santa Cruz comemora 60 anos de sua história e obra. A simbologia dos séculos e suas frações costuma instigar nossa memória, que seleciona e demarca as lembranças indispensáveis dessa trajetória coletiva cheia de vigor e em pleno curso.
Fruto da esperança e da inquietude do pós-guerra, o Ginásio Santa Cruz foi fundado em 1952 pelos jovens padres canadenses em Higienópolis, com 60 alunos do sexo masculino.
Cinco anos depois, o Colégio e seus 185 alunos mudam-se para o atual campus do Alto de Pinheiros.
Em 1974, o colégio amplia sua dimensão educadora, abrindo matrículas para as alunas (torna-se misto), completando a oferta do Curso Primário e inaugurando o curso Supletivo.
Aos 40 anos, com a aposentadoria do seu fundador padre Lionel Corbeil, a Direção Geral torna-se leiga: em 1993, o professor Luiz Eduardo assume a direção.
Em 2000, o Colégio cria o curso de Educação Infantil, ampliando a faixa etária do seu projeto educacional.
Na comemoração de seu jubileu de 50 anos, o Colégio inaugura o Teatro Santa Cruz.
Ao completar 60 anos, o Colégio Santa Cruz renova seu espaço físico, amplia seus cursos noturnos, reavalia seu projeto pedagógico e reestrutura seu apoio administrativo, sempre fiel àquela concepção pioneira que inspirou seu nascimento, permanentemente em busca do aprimoramento educacional.
Pavilhão Prof. Luiz Eduardo
Foi com grande esforço e enorme satisfação que iniciamos as aulas do Ensino Fundamental de 2012 no novo pavilhão do curso, que conta com 30 salas de aula, um ginásio coberto, um pátio com cantina, espaços de recreação e área administrativa.
Para a realização desse projeto, foram ouvidos diversos professores e diretores, que ajudaram a definir as condições fundamentais de uma sala de aula – boa iluminação, acústica, conforto térmico e estético – e os recursos necessários para equipá-la para o século XXI: tanto os tradicionais lousa e giz, quanto os tecnológicos, como computadores, projetores e rede de internet sem fio.
A atual renovação de nosso campus, cujas obras foram iniciadas em 2010, começou a ser concebida três anos antes pelo diretor geral professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, que emprestou boa parte da energia e dedicação de seus últimos anos de vida para concretizá-la.
Falecido em 2010, depois de atuar no Colégio por mais de 40 anos, como professor de Matemática e Física e na área administrativa, chegando à Direção Geral em 1993, Luiz Eduardo deixou um legado permanente no Colégio, de ideais e compromissos, de espírito prudente e empreendedor, de educação enredada ao amor e à vida.
Em reconhecimento desse legado, como uma homenagem a sua obra e obstinação, decidimos deixar marcado seu nome no prédio recém-inaugurado: Pavilhão Prof. Luiz Eduardo.
A renovação do Campus continua com o início da reforma do antigo prédio do Ensino Fundamental, que será ocupado, futuramente, apenas por estudantes do 6º ao 9º anos, deixando o prédio novo para uso exclusivo dos alunos de 1o a 5o anos.
Nessa nova etapa, somaremos ao projeto arquitetônico já concluído as diversas observações trazidas diariamente por alunos e professores durante a ocupação do novo prédio.
Cursos noturnos: EJA e Cursos Técnicos
Neste ano, o Curso de Educação de Jovens e Adultos completa 38 anos de existência, desempenhando importante papel na suplência educacional da cidade de São Paulo. Criado para dar sequência, com excelente padrão de ensino, à educação de adultos que interromperam a escolaridade na infância ou na juventude, o curso já formou mais de 2.500 alunos. Totalmente gratuito, oferece, ainda, auxílio transporte e alimentação.
Na última década temos criado condições para que os alunos do curso regular interajam de forma mais direta com os do EJA, nos diversos espaços que compartilham (como Biblioteca e Centro e Informática) e em atividades voluntárias de Inclusão Digital ou em aulas de Ética e Cidadania, com projetos de leitura.
O cenário mais abrangente no qual se inscreve essa bem-sucedida ação de educar jovens e adultos parece, ainda, estar em acelerada transformação. Nas duas últimas décadas, as taxas de crescimento do PIB do Brasil, mesmo não sendo tão expressivas, foram acompanhadas de crescimento de renda, sobretudo nas classes mais pobres, o que ameniza um pouco nossa preocupante desigualdade social. Estudo recente da Universidade de São Paulo (dos pesquisadores Naércio Menezes Filho e Alison Pablo de Oliveira) procura associar a queda da desigualdade ao aumento de escolaridade das classes menos favorecidas.
Na mesma direção, estimativa recente do Ministério da Educação (realizada pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) revela que o número de alunos matriculados em cursos técnicos representa atualmente entre 15% e 18% do total de matrículas do Ensino Médio, quase o dobro do valor verificado há cinco anos. Essa porcentagem representa cerca de 1,5 milhão de alunos. Em países desenvolvidos esse índice chega a atingir 40% dos alunos, o que nos leva a supor que devemos verificar ainda um crescimento desse setor.
Avaliando esse novo cenário e preocupados em aprimorar a inserção de nossos alunos da Educação de Jovens e Adultos no mercado de trabalho, decidimos criar neste ano os Cursos Técnicos Profissionalizantes do Colégio Santa Cruz. Aproveitando a mesma estrutura da Educação de Jovens e Adultos, os Cursos Técnicos são também totalmente gratuitos e destinados a alunos que completaram o Ensino Médio (subsequente) ou que estão em sua última série (concomitante).
Em 2012 inauguramos duas turmas de cursos técnicos: Técnico em Administração (com duas classes) e Técnico em Logística (com uma classe). Também estamos em processo de certificação dos cursos de Técnico em Informática e Técnico em Química. Para essa certificação nossas instalações foram vistoriadas e aprovadas por especialistas do SENAC e do SENAI.
Aprimoramento pedagógico
Após um ano de reflexões com o Conselho de Administração do Colégio, decidimos reformular nossas direções de curso – Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e 2, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos –, dinamizando-as, com a promoção de educadores experientes e com a contratação de novos profissionais. As novas direções interagem com a Direção Geral por meio de reuniões frequentes, que aproximam os projetos e propiciam maior interação entre os cursos.
A Direção Geral é composta por um Diretor e uma Vice-Diretora, também responsável especificamente pela Direção Pedagógica.
Temos estimulado continuamente o diálogo entre cursos e educadores, para que haja tratamento coerente e planejamento comum de projetos educacionais que dizem respeito aos estudantes de todas as idades. Nesse sentido, com a supervisão da diretora pedagógica, criamos nove comissões disciplinares – Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, Inglês e Ensino Religioso –, que reúnem professores dos diversos segmentos, tornando possível o contato, a articulação e o planejamento de cada área do conhecimento, desde a primeira série da Educação Infantil à última série do Ensino Médio. Cada uma dessas comissões é coordenada por um professor da disciplina e essa equipe de coordenadores reúne-se mensalmente com a Direção Geral. Por meio de intensas discussões, orientadas pelo projeto pedagógico da escola e voltadas para uma organização coesa das ações, pretendemos esboçar, nas diversas áreas do conhecimento, nossos parâmetros curriculares.
Também em fórum de educadores de diversas séries e disciplinas, temos promovido discussões a respeito dos novos recursos tecnológicos que aparecem no mercado e sua futura adaptação à sala de aula. Diante de uma geração absolutamente conectada, refletimos sobre limitações e benefícios de utilizar em nossas aulas recursos familiares aos nossos alunos, como computadores portáteis, tablets, e-readers e smart-phones.
Reestruturação administrativa
Também a equipe administrativa foi incrementada com a contratação de novos profissionais e passa a contar com um diretor administrativo e financeiro. Essa reestruturação pretende modernizar os processos administrativos, como os de autorização de compras, e integrar as ações dos setores de Informática, coordenação do Campus e da Administração.
Prof. Fábio Luiz Marinho Aidar Jr.
Palavra do Diretor - 2011
Renovação do Campus e ampliação da permanência do aluno na escola
No Plano Diretor de 2010, anunciamos renovações em nosso Campus que constituem um processo de modernização, reforma de edificações e novas construções. Alguns de nossos prédios possuem mais de 50 anos de existência e foram planejados para receber uma escola apenas masculina, cujos estudantes eram jovens de 11 a 15 anos, em meados do século passado.
Em julho de 2010, foi iniciada a construção do Projeto A, prédio que abrigará as classes do Ensino Fundamental. Desde então, mantemos no saguão principal da escola maquetes física e eletrônica, para que a comunidade do Colégio conheça o projeto já em implantação.
É importante reiterar que essa reforma tem por objetivo oferecer um melhor padrão de atendimento aos estudantes e um período maior de permanência e convivência na escola: não haverá acréscimo de alunos com a conclusão das obras.
Também cabe enfatizar o cuidado do projeto com a manutenção da área verde e área permeável, bem como do número de árvores do campus. Ainda faz parte do projeto, em uma cidade que sofre com problemas de alagamentos, a construção de reservatórios (piscinões) para retardar o envio de águas pluviais às ruas.
Aliás, nossa atuação tem se estendido ao entorno da escola: estamos recapeando as ruas, rebaixando as calçadas para acesso de deficientes e concluindo um projeto completo de sinalização de trânsito.
Nesse processo de obras, que inevitavelmente avança por períodos letivos, temos restrições de quadras esportivas e espaços de recreação. Nossos professores e alunos solidaria e harmoniosamente dividem os espaços disponíveis e, de forma inteligente, recriam novas quadras e reinventam brincadeiras nesse período de transição.
Apesar da provisória redução de espaços, ampliamos nossa oferta de atividades extracurriculares. Atendendo a sugestões dos educadores e preparando a ampliação do tempo de permanência dos alunos na escola, oferecemos, para 2011, as seguintes atividades extracurriculares (atividades novas e antigas):
a) E. Fundamental 1
b) E. Fundamental 2
c) Ensino Médio
Em breve faremos a inauguração do Campo de Futebol e Pista de Atletismo na Unidade 2 (vizinha à USP). Esse novíssimo espaço poderá ser usufruído, inicialmente, por grupos de alunos do segundo ciclo do Ensino Fundamental (6o ano à 8a série) que tenham interesse em intensificar suas atividades esportivas no período vespertino. Para esse grupo, o colégio oferecerá transporte e acompanhamento de treinador esportivo.
O aumento gradativo de atividades extracurriculares se intensificará quando concluirmos nossa intervenção no campus, aumentando o número de salas de aula, espaços de convivência, recreação e quadras esportivas, estendendo significativamente o período escolar, uma prática que se verifica em diversos países. Atualmente, os alunos do Ensino Médio já perfazem cerca de 40 horas semanais no colégio, entre atividades obrigatórias, extracurriculares, optativas e de lazer.
Também o Ensino Supletivo conclui em 2011 aprimoramento pedagógico com inclusão de novas disciplinas: Espanhol, no Ensino Médio, com presença facultativa; Educação Física, nos dois ciclos do Ensino Fundamental e no Ensino Médio; e Arte, Linguagem e Trabalho, que articula temas formativos como religião, leitura literária, teatro, música, fotografia e saúde.
Com isso, houve um pequeno aumento na carga horária do curso, que passou a contar com aulas de 45 minutos (anteriormente eram de 40 minutos).
Durante o processo de construção, manteremos a obra isolada por anteparos. O objetivo da segurança, entretanto, não impede que os estudantes acompanhem o erguimento do prédio por meio de pequenas janelas de acrílico instaladas nessas proteções. Também estão planejadas visitas monitoradas pelo engenheiro, respeitando normas de segurança como utilização de capacetes etc.
Paralelamente ao andamento das obras, convocamos reuniões de diretores e professores para discutir a configuração das novas salas de aula — de mobiliário a equipamentos como computadores, projetores, etc. Na biblioteca há uma "sala de aula piloto" onde experimentamos novidades tecnológicas.
Saudação ao professor Flávio Berthola Facca
Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.
Antonio Machado — Provérbios e cantares XXIX
Os versos do poeta sevilhano Antonio Machado expressam o sentido profundo da experiência pessoal, da história vivida, da existência marcada pela escolha, pela liberdade e pelo compromisso com os ideais. O caminho de cada homem é único, definitivo, determinado por sua inteligência e atuação social. São esses versos que escolhemos para saudar o professor Flávio Facca que, depois de 48 anos misturando sua vida à do Colégio Santa Cruz, aposenta-se, aqui deixando as marcas indeléveis de seu trabalho. Para sempre inscritos em nossa história, ficam os vestígios de sua personalidade, de sua força, de sua firmeza.
Professor de Educação Física de 1963 a 1992, são milhares os alunos – hoje pais de alunos e de ex-alunos – que viu crescer e orientou. São muitas as famílias que acolheu como diretor da Fundação Santa Cruz, nos últimos 25 anos em que gerenciou as bolsas de estudos do Colégio. Vice-diretor geral desde 1993, acompanhando lado a lado a gestão do saudoso Professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, finalizou em dezembro de 2010 sua caminhada como educador desta instituição. Hoje, permanece entre nós como membro do Conselho Administrativo e atua como consultor na obra de modernização do campus.
Fernando Pessoa afirma e confirma poeticamente o que sabemos pela experiência: viver é não conseguir parar de sonhar, viver é não conseguir dar por encerrada a missão de viver.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.
Viver é não conseguir.
Em nome de toda a comunidade do Colégio Santa Cruz, agradecemos de coração ao Professor Facca por suas contribuições ponderadas e sábias, sua amizade profunda e sua participação em todos os setores educacionais. A trilha que demarcou em sua vida e história ficará para sempre nesta escola, como exemplo e emblema tridimensional do vigor, da inteligência e do coração. Uma trilha sempre viva, capaz de se nutrir com os sonhos do futuro e dos sonhadores que virão depois dele.
Prof. Fábio Luiz Marinho Aidar Jr.
Palavra do Diretor - 2010
O diálogo com pais e professores, por meio da Palavra do Diretor, é um ritual de todos os anos, que abre o documento que orienta a educação do Colégio Santa Cruz. Neste ano, o tema nuclear é a modernização de parte de nosso campus, necessária ao aprimoramento e à concretização de novos projetos pedagógicos, especialmente do Ensino Fundamental.
É esclarecedor, mesmo para aqueles que passaram anos de sua vida escolar neste espaço, contextualizar a anunciada reforma a partir da história deste campus, que completa 53 anos.
Histórico
De 1952, ano de sua fundação, até 1956, o Colégio Santa Cruz funcionou no prédio da Cúria Metropolitana, em Higienópolis. O terreno do atual endereço foi doado à Congregação de Santa Cruz pela empresa canadense Light and Power. As primeiras edificações — situadas na ala onde funciona atualmente o ensino fundamental — foram projetadas para atender a uma escola masculina, cujos estudantes eram adolescentes entre 11 e 15 anos, alunos do então curso ginasial, bem como os pioneiros do 1o científico.
A partir de 1957, ano da mudança para o Alto de Pinheiros, progressivamente a escola foi ampliando o espectro de suas séries, com a criação do curso clássico, em complemento ao científico, iniciado em Higienópolis. Paralelamente, projetou-se um novo pavilhão, destinado a acolher esses cursos; em 1961, mesmo com a construção não finalizada, o Pavilhão Padre Corbeil tornou-se o prédio destinado aos estudantes mais velhos. As categorias científico e clássico, que constituíam, então, o curso colegial, foram reestruturadas, a partir de 1970, em áreas: exatas, humanas e biológicas. A denominação ensino médio foi introduzida apenas em 1996.
Até 1973, o Santa Cruz manteve o mesmo contingente estudantil: quatro turmas em cada uma das quatro séries do ginasial e três turmas em cada uma das três séries do curso colegial — uma de humanas, uma de biológicas, e uma de exatas.
A partir de 1974, já incorporando as meninas a seu corpo discente, o Santa Cruz passou por um processo de ampliação do número de alunos, com a criação, ano a ano, das quatro primeiras séries do ensino de primeiro grau (antes denominado curso primário), iniciando-se pela quarta série e completando-se, com a primeira série, em 1977. Também a partir de 1974, o ensino médio tornou-se um curso misto. Ano a ano, o número de classes foi sendo aumentado para abrigar o novo contingente, completando-se o processo em 1976, com o total de seis classes por série. Desde então, esse número de alunos e classes se mantém estável.
Em 1974, ainda, foi aberto o curso supletivo noturno, atualmente chamado de educação de jovens e adultos (EJA), totalmente gratuito. Até 2007, esse curso funcionou no pavilhão do ensino fundamental. Atualmente, ocupa as salas de aula do pavilhão Padre Corbeil (ensino médio).
Ao longo do tempo, a primeira ala construída — pavilhão do ensino fundamental — foi sofrendo modificações para se adaptar às demandas geradas, inicialmente, pela nova população discente e, recentemente, pelas classes formadas em decorrência da criação do fundamental de nove anos. Além disso, novas tecnologias aplicadas à educação, bem como reflexões pedagógicas contemporâneas impuseram alterações físicas. Desse modo, mesmo sem um plano diretor que conduzisse os projetos e sua implantação, foram construídos:
a) dependências para as meninas (banheiros e vestiários);
b) um prédio de um pavimento, junto ao ensino fundamental (denominado Pavilhão Canadá), com quatro salas de aula, posteriormente ampliado para abrigar seis salas;
c) um prédio de dois pavimentos, na área adjacente às quadras do ensino fundamental (denominado pavilhão Irmão André), com salas de aula, laboratórios e salas de música com tratamento acústico;
d) um prédio anexo ao pavilhão Pe. Corbeil (ensino médio) com anfiteatro, laboratórios e salas de aula;
e) um ginásio de esportes, com palco, quadras e arquibancadas;
f) dependências do curso de educação infantil, inaugurado em 2000, a partir da reforma da residência dos padres;
g) um conjunto de salas constituintes do centro de ensino de informática, junto à biblioteca central;
h) salas de aula, no pavilhão do ensino fundamental, para abrigar as seis classes correspondentes à série suplementar do novo ensino fundamental de nove anos;
i) pequenas salas destinadas à leitura e ao trabalho com subgrupos de inglês, ateliês, almoxarifados etc., em consequência da ampliação do currículo e do número de séries do ensino fundamental;
j) instalações para informática em todas as salas dos cursos fundamental e médio.
A dinâmica da escola, em face do desenvolvimento da sociedade, da tecnologia e dos conhecimentos, gerou necessidade de adaptação sucessiva dos prédios às contingências pedagógicas. Não há dúvida de que, sob o ponto de vista da harmonia arquitetônica e do projeto original, reformas e ampliações constituem intervenções limitadas, por vezes provisórias. Dessa circunstância deriva a proposta de uma atualização mais ampla e profunda em nosso campus do Alto de Pinheiros, de acordo com um plano diretor específico, descrito a seguir.
Novos projetos pedagógicos: novo plano diretor arquitetônico
O dinamismo curricular e pedagógico que caracteriza a filosofia do Colégio Santa Cruz levou-nos, em 2002, a criar um anteprojeto de ensino em período integral (Unidade 2), que seria implantado em uma área de 30.000m2, contígua à USP, na Av. Corifeu de Azevedo Marques.
Entretanto, mesmo dispondo, desde aquela data, de um projeto arquitetônico completo e em consonância com a nova proposta pedagógica, decidimos, antes de concretizar a Segunda Unidade, proceder a uma significativa reformulação no campus do Alto de Pinheiros, agregando a ele, na medida do possível, algumas das ideias pedagógicas e dos recursos físicos que a nova área da Unidade 2 ofereceria.
Desse modo, desde 2007, quando o antigo pavilhão do ensino fundamental completou 50 anos, temos estudado e planejado essas modificações que, sinteticamente, consistem nos seguintes trabalhos:
1. construção de um prédio de dois pavimentos, com 30 salas de aula, para abrigar o fundamental 1 (1o a 5o ano), na área em que, atualmente, situa-se o setor de manutenção e marcenaria, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
2. construção de um miniginásio de esportes e pátio cobertos, como parte do referido prédio, destinado prioritariamente às crianças do fundamental 1 (1o a 5o ano);
3. reforma das salas de aula onde funcionam o fundamental 2 (pela manhã) e o fundamental 1 (à tarde), para serem utilizadas exclusivamente pelo fundamental 2, e construção de novo setor administrativo, abrigando recepção, secretaria, sala de professores, orientadores, coordenadores pedagógicos e diretores;
4. construção de um pequeno prédio para administração pedagógica do fundamental 1, adjacente ao miniginásio, onde serão instalados recepção, secretaria, enfermaria, sala de professores e gabinetes de trabalho dos diretores; as salas de orientação ficarão localizadas próximas às salas de aula, no prédio a ser construído para o fundamental 1;
5. reforma do Prédio Irmão André, em que funcionarão as salas para áreas especializadas e os laboratórios do ensino fundamental 2;
6. construção em andamento, na lateral do ginásio de esportes, junto à av. Arruda Botelho, de conjunto de salas para onde migrarão o setor de manutenção, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
7. reforma na fachada do prédio da educação infantil e algumas adaptações internas (melhoria da recepção, da secretaria e das salas de orientação e dos professores), incluindo o acréscimo de uma sala de uso comum, (obra finalizada);
8. construção de garagem subterrânea, para que se possam tirar os carros da superfície do campus, favorecendo a entrada e a saída seguras dos alunos e aumentando a área disponível para os pedestres (essa obra será realizada com tecnologia adequada, de forma a assegurar os usuários contra possíveis enchentes);
9. rearranjo da biblioteca e das instalações do centro de ensino de informática, visando à criação de uma midiateca, a ser realizado em fase posterior às construções mencionadas.
Essas modificações não implicarão diminuição de área verde (a verticalização é sutil, correlata à do atual pavilhão do Ensino Médio, e favorece a economia da utilização da superfície do terreno); também não acarretarão alterações na permeabilização de solo. Por lei, somos obrigados a manter tanto a área verde, quanto a área de solo permeável.
A área central do campus será aprimorada, obedecendo a um novo conceito arquitetônico. Concebida como uma espécie de praça, será constituída pela Capela — destacada do prédio atual —, pela midiateca, administração central, ginásio de esportes, lanchonete-sorveteria e jardim interno com viveiro.
A reforma proposta permitirá que o Colégio, no futuro, consultados os pais, mantenha a oferta de seus cursos nos moldes atuais, mas que também possa oferecer um segundo currículo em tempo semi-integral, pois teremos dependências para acolher os dois agrupamentos do ensino fundamental (EF1 e EF2) em todos os períodos, como acontece no ensino médio.
Em relação às atividades esportivas curriculares e opcionais (treinamentos, capoeira, expressão corporal, xadrez), serão ampliadas as áreas disponíveis, com a utilização do campus da Unidade 2, que deverá conter instalações para alimentação, um centro aquático para aprendizagem e competição de natação, outro de atividades esportivas, além de um campo oficial de futebol, que já se encontra quase pronto.
Os alunos de todos os cursos que vierem a participar do período semi-integral serão transportados para esse local, em ônibus da escola, por acesso através da Cidade Universitária (aproximadamente seis quilômetros de distância entre os dois campi).
O processo de estudos internos, iniciado em 2007, seguido da tramitação junto aos órgãos da Prefeitura, terminou apenas em janeiro de 2010, com a aprovação do projeto e a autorização para o início das obras. Essas foram estrategicamente estudadas para ocuparem espaços próximos à av. Arruda Botelho e à Rua Orobó, por onde podem chegar e sair materiais com facilidade.
A partir do segundo semestre, isolaremos o local da primeira construção — item 1 — o que implicará uma perda de espaço esportivo, compensada pelo uso, por parte de todos os alunos, do campo oficial de futebol ao lado do teatro.
As maquetes físicas do projeto global, bem como a respectiva animação em vídeo, ficarão expostas no saguão do prédio do Ensino Médio, em frente à Secretaria Geral, para conhecimento dos pais e demais membros da comunidade do Colégio.
Para que não pairem dúvidas sobre a manutenção da área verde e de escoamento de água, bem como sobre o número de alunos, o Colégio se comprometeu formalmente junto aos órgãos da Prefeitura.
Depois da construção do Teatro, marco do cinquentenário do Colégio Santa Cruz, essa será a obra física mais importante para o aprimoramento pedagógico de nossos cursos.
Discurso de Encerramento do Ensino Fundamental 2009
Por solicitação de pais e educadores do colégio, transcrevo o discurso que pronunciei em 14 de dezembro de 2009, por ocasião da cerimônia de encerramento do Ensino Fundamental 2.
Prezados Pais, Educadores e Convidados
Queridos alunos
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Esses versos de Carlos Drummond de Andrade foram escritos sob a inspiração da virada de um ano que já vai longe: 1975.
O caminho da vida é sempre esse: chegar a algum termo e colocar-se em marcha, novamente, numa nova trilha.
Hoje, a cerimônia que marca o encerramento do Ensino Fundamental é também a festa de ingresso no Ensino Médio. Muito mais uma passagem do que uma “formatura”, essa palavra que guarda significado de coisa terminada, completa, formada.
Não é esse o caso de vocês: a vida escolar no Santa Cruz está em curso, mas é preciso neste momento aplaudir as conquistas, o trecho caminhado, o trabalho que se mostra. É preciso aplaudir, viver essa passagem e preparar-se para o amanhã mais próximo, vizinho ao hoje.
Naquele distante 1975 de Drummond, talvez muitos de seus pais estivessem comemorando o final da 8ª série ou a formatura no Ensino Médio nesta mesma escola. Quantas cerimônias se encadeiam em nossas vidas de pais e filhos, professores e alunos!
Metade de vocês são nossa primeira turma de Pré 1, e desde então, há 10 anos, a cada dezembro, os pais são convidados para, junto aos filhos, acenarem duplamente: para o ano que fica e o que se anuncia. Um grupo grande, perto da terça parte, tornou-se estudante do Santa Cruz no Pré 2 ou na 1a série. Finalmente, os que chegaram depois, já no Fundamental 2, comemoram há menos tempo a virada escolar conosco, mas a intensidade dessa comemoração é a mesma, e tem igual dimensão o afeto e o trabalho construído.
Da insegurança dos primeiros dias — fossem eles aos 5 ou aos 10 anos — seguiram-se a progressiva autonomia e o sentir-se cada vez mais em casa, nesse campus verde. E cada vez mais se ampliou um pouco de tudo: o número de aulas, a distância das viagens, a participação social, o conhecimento, a crítica consistente.
A próxima etapa, no Ensino Médio, mantém os princípios básicos do projeto Santa Cruz, que se aprimora ano a ano e se adapta a cada idade e momento da vida escolar, por vezes com saltos planejados para marcar alguma passagem importante, como a que hoje se comemora.
Os próximos três anos serão repletos de atividades, e um grupo significativo de novos alunos propiciará outras amizades. As exigências acadêmicas se ampliarão, com acréscimos de carga horária, diversidade de estudos do meio e de disciplinas optativas. A etapa que se inicia será contemporânea de um amadurecimento de vocês diante da vida e do futuro que começa a se desenhar. As perguntas serão incômodas e inevitáveis, mas buscarão as respostas dentro de cada subjetividade: “o que desejo estudar, fazer e construir para amanhã? Qual o curso superior que sustenta meus projetos?”
É necessário ter consciência de que em certas áreas de estudo e atuação não se operam milagres. Vocês são bem informados a respeito das demandas acadêmicas. A maior parte das universidades e cursos almejados por nossos alunos são muito competitivos, e a exigência de estudo e dedicação não se extinguem no ingresso após o vestibular, mas se prolongam por toda a vida universitária e profissional.
A regra geral é que esforço, empenho e trabalho levam à realização de fato, ao contrário da magia do acaso ou da sedução do poder. Sem sacrifício não se obtêm resultados consistentes. Como bem conceitua nosso consultor J. E. Bologna, sacrifício é diferente de sofrimento. Sofrimento se evita sempre; sacrifício faz-se em prol de uma causa.
Não parece possível conquistar o futuro a que cada um de vocês aspira abandonando-se os livros e cadernos às 13 horas da sexta-feira para retomá-los apenas na manhã da segunda-feira. Não parece saudável — e acho necessário que os pais passem a discutir comunitariamente esse problema — não é saudável mergulhar nas festas de quase todos os finais de semana, que terminam na alta madrugada. É como se alterassem o fuso horário semanalmente com todas as consequências conhecidas do “Jet-Leg”.
A escola não se vê em condições de assumir o controle nem do fuso horário artificial, nem do álcool consumido nessas circunstâncias. Também não pertence à escola o papel de aconselhar isoladamente uma família a proibir seu filho de participar desses eventos sem correr o risco de fazer do aluno um discriminado do grupo, sofrendo as consequências marcantes dessa situação.
Cabe à escola, sim, exigir que seus alunos cumpram a contento suas funções, obrigações e projetos. Isso será feito com firmeza e leveza. Porque no Colégio Santa Cruz também vigora o estímulo a seus estudantes, a confiança em seu potencial, o bom humor que sustenta a criação e a crítica, o afeto que alinhava tantas amizades como a que vocês têm e ainda construirão por aqui. Vocês estão sendo esperados no novo curso da mesma forma que Drummond traduziu sua espera de um novo ano:
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Vocês são nossa “esperança nova”. Parabéns, alunos do 1o ano do Ensino Médio de 2010. Sejam bem-vindos, mais uma vez, com muita alegria!
Muito obrigado a todos.
Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Palavra do Diretor - 2009
"A ignorância gera confiança com mais frequência
do que o conhecimento: são aqueles que sabem pouco,
e não os que sabem muito, que tão positivamente afirmam
que esse ou aquele problema jamais será resolvido pela ciência."
(Charles Darwin)
A teoria da evolução, lançada com "A Origem das Espécies", completa 150 anos em 2009. Seu patrono, Charles Darwin (1809-1882), constitui uma referência nuclear, também para as instituições escolares, da busca do conhecimento e da investigação científica sobre o universo e o homem. Embora a ciência não seja a única forma de conhecimento, nem um catálogo de verdades permanentes, ela é o corpo conceitual mais consistente de que dispomos para compreender o mundo.
Essas datas comemorativas são oportunas para enfatizar, na comunidade educacional, a perenidade das perguntas humanas e a importância da inteligência que questiona e busca. Paralelamente ao prazer da descoberta e à certeza orgulhosa de que a racionalidade é um constituinte do homem livre, Darwin nos ensina a necessidade de reconhecer "que o homem, com todas as suas nobres qualidades (...), ainda sofre em sua prisão corpórea a indelével marca de sua humilde origem."
Assim como o faz no âmbito do conhecimento, o dinamismo da vida e da educação nos impõe permanentemente a avaliação e a revalidação dos projetos e das condições de trabalho escolar. Essa era a meta almejada quando da implantação do Ensino Fundamental de 9 anos, em 2006. Hoje, a primeira turma frequenta o 4º ano, e pode-se considerar que o planejamento desse novo ciclo se cumpriu e aponta para um aprimoramento do ensino e da aprendizagem.
No corpo deste Plano Diretor é possível vislumbrar as modificações e as conquistas derivadas da ampliação da carga horária e da grade curricular.
Como parte do processo de desenvolvimento educacional, completamos em 2009 a aquisição de equipamentos e recursos de multimídia para praticamente todas as salas do Colégio. Visando à autonomia do professor e dos alunos, bem como ao enriquecimento dos procedimentos de trabalho, quase todas as salas dispõem de um computador fixo e um projetor multimídia de alta luminosidade — que permite o trabalho com janelas abertas e, portanto, com ventilação e iluminação naturais — e um leitor de CD e DVD para projeções especiais. Contamos ainda com um grande número de pequenos computadores portáteis conectáveis à internet, que ficam nas secretarias dos cursos à disposição dos professores para trabalhar na escola e nas salas de aula.
Esses recursos ampliam o repertório das aulas, permitindo atividades de correção coletiva de trabalhos e atividades, projeção de filmes e material de ilustração ao tema discutido na aula e apresentações específicas. Em nossa perspectiva, o uso de recursos de multimídia jamais prescindirá do professor. Antes disso, essas ferramentas exigem um profissional dotado de mais e diversas competências, pois objetivam tornar o conhecimento mais acessível e motivante, contemporâneo ao apelo multissensorial que permeia nossa cultura.
Por outro lado, a mesma tecnologia que enriquece os projetos pedagógicos abre caminho para novos e graves problemas, cujo enfrentamento começa a ser operacionalizado pela escola, do mesmo modo que, há décadas, ela se preparou para lidar com a invasão das drogas no meio estudantil. Trata-se, hoje, dos sites organizados por comunidades de alunos, com objetivo de agredir colegas, denegrir professores e instituições, espalhar conteúdos deletérios e assim por diante. O mais grave é que tudo isto é feito sob a cobertura do anonimato. A equipe de educadores do Colégio começa a lidar com essa ordem de problemas, consciente de que a presente era de ensino digital deverá ser acompanhada obrigatoriamente da formulação de uma nova ética, bem como de aprimoramentos no conjunto das regras jurídicas do país.
De todo modo, a recente missão que a escola passa a assumir, analogamente a tantas outras, só poderá ser enfrentada e cumprida com a imprescindível compreensão e colaboração das famílias.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Palavra do Diretor - 2008
Desafios para um projeto de excelência
As premissas do Colégio Santa Cruz preconizam que a educação é o processo de humanização integral, que se sustenta sobre três pilares formativos: a construção da inteligência crítica; a expressão emocional e a criatividade; a consciência moral e a ética da solidariedade. Incorporando tal objetivo, o Colégio Santa Cruz se configura como uma instituição educacional de fundamentos humanistas, ressaltando-se que tais fundamentos permeiam a história da pedagogia desde seus primórdios. A consistência dessa visão multidimensional do homem atribui aos projetos educacionais permanência e capacidade de transformação e adaptação.
Nos últimos anos do século XX, as preocupações com a educação se acentuaram; sucessivos seminários internacionais e inúmeras publicações sobre pedagogia, articuladas ao avanço das ciências cognitivas e às preocupações com uma sociedade humana mais ética, passaram a defender reformas e investimentos educacionais em todo o mundo.
São muitas as afinidades entre os princípios do Colégio Santa Cruz e as propostas de ação educativa internacional preconizadas pela UNESCO em seu documento sobre a Educação no século XXI (Educação: um tesouro escondido, 1998), bem como as metas educativas de Harvard para o século XXI (1978) e outros tantos projetos contemporâneos, de todos os recantos do planeta. Com pequenas diferenças de expressão, os objetivos fazem emergir os antigos princípios: pensar e escrever com clareza e lógica; aprofundar conceitos e repertório de aprendizagens; metacognição; conhecimento sobre a experiência estética e intelectual da literatura e das artes; conhecimento da história, dos problemas presentes; domínio dos conceitos e métodos matemáticos e experimentais das ciências; capacidade de fazer escolhas morais com discernimento; abertura para o conhecimento de outras culturas e épocas; disponibilidade para o aprendizado ao longo da vida.
É importante frisar que o século XX foi palco de um desenvolvimento amplo e profundo nas Ciências, especialmente a Física, na primeira metade, e a Biologia, nos últimos 50 anos. O conhecimento científico se multiplicou de forma nunca igualada e acirrou a necessidade do "aprendizado ao longo da vida". A velocidade das descobertas e das tecnologias testemunha a grande revolução do século passado, a Informática, talvez comparável em alcance àquela do século XV: a imprensa.
Tal volume de conhecimento e agilidade de informações pressiona a escola. As instituições educacionais têm, a cada dia, mais conteúdos a apresentar; as operações mentais precisam de uma ação seletiva, que permita desenvolver competências mais genéricas, capazes de se renovarem não obstante as transformações dos conteúdos e a ampliação dos dados. Para oferecer educação de qualidade, que exige a associação dos fundamentos humanistas permanentes com o acervo de conhecimentos que se renova e amplia dia-a-dia, a escola precisa de mais tempo de atuação pedagógica.
A ação do Colégio: aumento de carga horária e Ensino Fundamental de nove anos
Para consolidar uma sociedade multicultural e democrática, é preciso harmonizar tradição e modernidade, socialização e individualidade; equilibrar a expansão das informações com a capacidade de assimilação; alimentar com valores perenes de humanização a tendência inexorável ao primado do consumismo e do efêmero, que esmaecem o sentido da vida.
Procurando alinhavar tais metas e torná-las exeqüíveis, o Colégio Santa Cruz tem adaptado seu projeto, sua grade curricular e seus módulos temporais. Por exemplo, os alunos que terminaram o Ensino Médio nos anos 90 não tiveram oportunidade de utilizar as dependências do Teatro (inaugurado em 2002) para ensaios e apresentações de suas peças, nem conheceram projetos multidisciplinares incorporados à grade. A reforma no campus que permitiu a construção do Teatro e a ampliação do Centro de Informática veio ao encontro de uma reforma diversificada, de âmbito pedagógico.
O ápice desse investimento ocorreu nos últimos anos, com a constatação de que, para manter a educação de excelência, a escola precisava também ampliar o tempo de atuação pedagógica. A partir de 2006, a permanência dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental 1 cresceu 12,5% e 9%, respectivamente. No Ensino Fundamental 2, também a partir de 2007, estendeu-se o período diário de aulas em mais 50 minutos, o que gerou um aumento de 20% no total de todo o ciclo. Lembramos que já em 1998, propiciáramos um aumento de cerca de 20% na carga horária no curso de Ensino Médio.
A criação de mais uma série no Ensino Fundamental — projeto acalentado durante vários anos — tornou-se realidade com a edição da Lei Federal de 11.114/2005, que determina o ingresso de crianças no primeiro ano com seis anos (antes a idade era sete anos), e o término do Fundamental na 9ª série, em vez da antiga 8ª. A adaptação dessa lei pelas escolas privadas e as dificuldades de sua implantação na rede pública, por motivos em grande parte organizacionais, alteraram significativamente seu teor e objetivo iniciais; mesmo assim, o Colégio Santa Cruz decidiu-se pela criação de um projeto próprio — baseado no texto legal—, em virtude do potencial de aprimoramento da qualidade do ensino e da aprendizagem global que ele apresenta.
No geral, as adaptações da citada Lei incorreram em uma espécie de sofisma: as antigas oito séries continuam sendo oito séries, embora se configurem como nove. Isso porque passou a se denominar "primeiro ano" o antigo "pré". O quadro, desse modo, permanece o mesmo. Entretanto, para o Colégio Santa Cruz, a passagem de oito para nove significa indubitavelmente uma série a mais, em um novo projeto. O Fundamental de oito anos se desenvolve, enquanto não encerrar seu ciclo, paralelamente a outro Fundamental, o de nove anos1. É preciso enfatizar, contudo, que no total da escolaridade, essa série a mais não corresponde à formatura no Ensino Médio um ano mais tarde do que ocorria, mas sim seis meses. Isso porque adaptamos a idade de ingresso para um semestre mais cedo: o corte passa a ser em 31 de dezembro e não mais em 30 de junho.
Desse modo, as crianças que entravam na Educação Infantil com cinco anos em média (Pré 1), passaram a fazê-lo com quatro anos e meio, em média, a partir de 2006. Portanto, ao terminar o Ensino Médio, em vez de 18 anos, os alunos sairão com 18 anos e meio, em média. Esse quadro é análogo aos da escola pública da comunidade européia, do Canadá e do Japão, ressalvando-se que, nas turmas de Ensino Médio destinadas aos cursos superiores de Engenharia ou Medicina, os estudantes europeus e asiáticos ainda realizam uma série suplementar (nesses casos, o total passa a ser de quatro séries de Ensino Médio).
A educação se faz durante toda a vida. O conhecimento, as aptidões, a faculdade crítica, a capacidade de agir — tudo se refaz, move-se, transforma-se, enriquece. Embora qualquer aspecto da vida ofereça oportunidade de conhecimento e autodesenvolvimento, apenas a sólida educação escolar pode propiciar a emergência das potencialidades de cada um. É com esse compromisso e seriedade que o Colégio Santa Cruz procura se atualizar, ampliar seu alcance, aprimorar sua proposta e sua ação. É no exercício cotidiano de seus valores que o Colégio cultiva o conhecimento, a razão e a ética: para preservar a memória da humanidade e para inventar o que é necessário, possível, belo e justo.
Mudança na direção do Ensino Médio
Há alguns anos, a diretora do Ensino Médio, profª Maria Lúcia Montoro Jens, vinha solicitando, por razões de ordem particular, redução de suas atividades no Colégio. Em atenção a esse pedido, estamos comunicando sua saída, a partir de 2008, da direção do curso e sua transferência para a função de assessora especial da Direção Geral, com um número reduzido de períodos de trabalho.
Nesta oportunidade, gostaríamos de expressar nosso reconhecimento pelos serviços prestados ao Colégio, desde seu ingresso, como professora de Filosofia do Ensino Médio em 1966, passando pelos diversos cargos de coordenação, assumidos desde 1973, até a direção do curso, que exercia desde 1989. Nesse longo período, dedicou-se ao Santa Cruz com sensibilidade, competência e responsabilidade.
Para sucedê-la, convidamos o prof. Fábio Luiz Marinho Aidar Jr., ex-aluno do Colégio, professor de Física do Ensino Médio a partir de 1985, membro da direção do curso desde 1989 e também Vice-Diretor Geral há 15 anos. Ao seu lado, segue atuando o prof. Marcelo Paes de Mello, professor de Biologia do Colégio desde 1975 e há 21 anos participando da equipe de direção do curso.
Reiteramos, em nome do Colégio Santa Cruz, nosso agradecimento à professora Malu e nossa confiança na continuidade do trabalho competente desses educadores.
1 "Desta forma deverão coexistir, em um período de transição, o Ensino Fundamental de oito anos (em processo de extinção) e o de nove anos (em processo de implantação progressiva)."
Parecer CNE/CEB nº 5/07
Palavra do Diretor - 2007
Podemos estabelecer o tipo de ensino que esperamos dar. Mesmo baseando nossa filosofia na fé, ninguém precisa temer que confinaremos nosso ensino dentro de limites estreitos e não científicos. Aceitaremos as descobertas de ciência sem preconceito, e de uma forma adaptada às necessidades de nossos tempos. Não queremos que nossos alunos ignorem qualquer coisa que devam saber.
(Pe. Basílio Moreau, fundador da Congregação de Santa Cruz, em Carta Circular 36, do ano de 1849)
Há cinco anos, o Colégio Santa Cruz comemorou o cinqüentenário de sua fundação. A simbologia dos séculos e suas frações se agregou a uma motivação mais sólida, que justifica por si a alegria da celebração: trata-se da constatação das metas alcançadas. O que um dia foi "profissão de fé" educacional hoje se expressa na realidade cotidiana escolar.
Naquele ano de 2002, inauguramos o Teatro — marco mais recente da arquitetura do campus — e festejamos a "maturidade" desse lugar, que nos parecia ter completado o conjunto de projetos progressivamente idealizados a partir da transferência do Colégio de seu edifício provisório em Higienópolis para o imenso terreno da várzea do Pinheiros — sabe-se lá por que chamada de "Alto"!
Neste ano, 2007, voltamos a comemorar nosso cinqüentenário, dessa vez considerando o nascimento da escola neste espaço, nesta paisagem que se agregou definitivamente ao Colégio Santa Cruz, à sua história, à sua personalidade, à topografia do bairro. Os 50 anos do campus testemunham as reformas e adaptações sucessivas e necessárias para o enfrentamento do desgaste e das novidades que o tempo traz, ou prenuncia.
Estamos ainda encerrando a etapa de adaptação física às necessidades geradas pelas alterações mais recentes no projeto educacional relativas à ampliação da carga horária global. Essa alteração corresponde a um aumento significativo nos cursos de Educação Infantil — 12,5% —; de Ensino Fundamental 1 — 36% —; e de Ensino Fundamental 2 — 20%. No Ensino Médio, a ampliação de carga horária se definiu em 1998, com o acréscimo de aproximadamente 20%, além da mudança da duração das aulas para 75 minutos. No total, se considerarmos a introdução de uma série no Ensino Fundamental, o Colégio Santa Cruz atinge sua meta, planejada há alguns anos, de investir na qualidade do ensino e da educação também através da maior permanência de seus alunos na escola.
Com efeito, embora seja difícil antecipar as demandas futuras e arriscar previsões acerca das transformações sociais em prazo de 10 a 15 anos (que correspondem ao tempo de escolaridade no ensino regular), é bastante evidente e concreto o presente a que assistimos. Ressalta-se na atualidade a dinâmica nas relações familiares em contínua alteração e suas conseqüências diretas na redistribuição das responsabilidades educacionais entre o público e o privado; e, ainda, a velocidade com que a sociedade atual gera a necessidade crescente de consumo e descarte, especialmente nas elites, com seus efeitos ambientais, culturais, econômicos e éticos. Esse presente, que constitui nossa vida, hoje, é o que engendra nossas expectativas e projetos em médio prazo. Não há dúvidas de que à escola é e será cada vez mais atribuído, em tempo e ações, o cuidado com a sociabilidade, o conhecimento, a formação moral, o equilíbrio emocional, a consciência política de seus alunos. Daí nosso esforço pela ampliação da carga horária — seguido da satisfação em poder assumir esse projeto, graças ao suporte que constituem os educadores desta escola e graças ao apoio das famílias desta comunidade.
As alterações visando ao aprimoramento pedagógico estão relatadas nos capítulos específicos de cada curso.
O Ensino Fundamental de 9 anos, concretizado por enquanto nos projetos de 1o e 2o ano, é parte do capítulo geral do Ensino Fundamental 1. A apresentação da nova organização serial, a coexistência entre o sistema antigo e o novo a longo prazo e os princípios educacionais que sustentaram essa reforma encontram-se detalhados no primeiro capítulo deste Plano, "Educação: ideário e compromisso".
2007 é também um ano especial para a Congregação de Santa Cruz, que assiste comovida à beatificação do Venerável Pe. Basílio Moreau, fundador dessa Congregação. A cerimônia será no próximo 15 de setembro — dia em que se comemora o aniversário do Colégio — na cidade francesa de Le Mans, próxima à vila onde ele nasceu, em 1799. A epígrafe desta apresentação, de autoria do Pe. Moreau, ilustra a lucidez, coragem e atualidade de suas idéias. Estamos convictos de que nossa parte de sua herança educativa, o Colégio Santa Cruz, permanece fiel àqueles princípios. O capítulo X deste Plano Diretor consiste na biografia do Pe. Basílio Moreau, escrita por Jacques Grise c.s.c., em tradução do Pe. José Amaral de Almeida Prado c.s.c.
Apresentamos ainda um ensaio produzido pelo professor Fernando Frochtengarten, do Curso Supletivo, publicado na Revista Travessia. O ensaio, intitulado "Educação de adultos migrantes — a experiência de um professor nativo", parte de sua experiência como professor de Ciências e analisa com acuidade os alunos que constituem a maioria desse curso — em sua origem, história e perspectivas. A leitura desse texto poderá ajudar a compreender o trabalho que se desenvolve no Supletivo Santa Cruz, considerado paradigmático no segmento da educação de adultos.
Encerro este texto, que representa uma espécie de prefácio do projeto pedagógico do ano em curso, com a palavra essencial do Pe. Moreau.
Sempre colocaremos educação e instrução lado a lado; a mente não será cultivada em detrimento do coração. Enquanto prepararmos cidadãos úteis para a sociedade, também faremos o máximo para preparar cidadãos para o céu. (Carta Circular 36, 1849)
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Palavra do Diretor - 2006
Basta recordar que uma grande idéia tem sua própria força, e que a realidade é, em boa parte, o que queremos que seja, para se ter confiança e assegurar-se de que, partindo de nada, chegaremos a dar à educação, no plano internacional, o lugar que lhe corresponde por direito.
(Jean Piaget)
No final do ano passado, apresentamos aos pais das séries da Educação Infantil, de uma maneira bastante sucinta, o projeto de implantação do sistema de Ensino Fundamental de nove anos, iniciando-se a primeira série (doravante denominada 1º ano) a partir dos seis anos completados até 31 de dezembro do ano anterior. Este sistema passa a valer em 2006, para as crianças da Educação Infantil (Pré 1 e Pré 2). O novo ciclo de nove anos deverá coexistir com o atual até 2013, quando se completa a última turma do Ensino Fundamental de oito anos, cuja 1ª série ingressou em 2006.
As motivações para a modificação do sistema atual, entretanto, não se restringem às deliberações oficiais, em tramitação desde 2005 (Lei Federal e Parecer CNE), complementadas pela Indicação do Conselho Estadual de Educação em novembro e concretizadas neste ano, com a assinatura presidencial. A decisão legal foi apenas uma das faces de uma questão mais complexa, sobre a qual vínhamos refletindo durante alguns anos, na esfera da Direção Geral.
É importante descrever o conjunto de circunstâncias que, influenciadas pela determinação legal, conduziram-nos à implantação do projeto já neste ano, não obstante o prazo de adaptação concedido pela lei às escolas.
A primeira é o contexto internacional. Se, por um lado, não cremos a priori na eficácia de modelos externos, idealizados por princípios nem sempre afeitos à matéria educacional, por outro, é necessário compreender que a globalização atingiu também a esfera da educação, cada vez mais essencial à harmonia política e ao desenvolvimento econômico de todas as nações. Além disso, bons resultados em sistemas de educação tendem a ser objeto de análise de nossa parte, a qualquer tempo e contingência.
De fato, o sistema de nove anos de ensino fundamental é adotado em quase todo o planeta. No leste asiático, Europa, Austrália e América do Norte, há bastante tempo, e no Chile e Argentina, mais recentemente, o ensino fundamental se inicia aos seis anos de idade e se estende até os 18 anos completos. Além disso, a tendência é que cada série, do primeiro ao nono ano, e a seguir, nas que correspondem ao ensino médio, seja freqüentada por crianças (ou jovens) com a mesma idade. No hemisfério norte, o ano letivo principia no segundo semestre, definindo-se os limites de idade de 1º de julho a 30 de junho do ano seguinte, exatamente como prevíamos até então em nosso regimento escolar. Considerando que o ano letivo brasileiro se inicia em janeiro, a decisão de alterar os agrupamentos para o período 1º de janeiro — 31 de dezembro parece bastante coerente.
O contexto internacional é um referente importante, inclusive quando nossos alunos do Ensino Médio começam a fazer intercâmbio. Eles sempre acabam ficando num certo limbo educacional, em sua estada no exterior: freqüentam a série de alunos da mesma idade, que corresponde curricularmente a uma série com pelo menos seis meses em defasagem, relativamente ao nosso sistema. O retorno ao Brasil, inevitavelmente, demanda adaptações.
No contexto brasileiro, constatamos a gradativa modificação nos agrupamentos etários em escolas privadas com clientela semelhante à do Colégio Santa Cruz. Quando algumas crianças nossas saíram do Pré 2, para ingressar na 1ª série de outra escola, observamos, através de contato com as famílias, que tal série correspondia, pedagogicamente, a um período escolar seis meses anterior ao nosso, em decorrência do agrupamento etário. Como essas crianças transferidas usualmente necessitavam de uma readaptação que lhes permitisse um pouco mais de tempo, para levar adiante o processo de aprendizagem, tal defasagem acabava funcionando a favor. Mas não é uma motivação desse tipo que deve justificar a diferença entre os sistemas das escolas privadas brasileiras. A dessemelhança de critérios de ingresso por idade tende a isolar a escola e prejudicar os estudantes.
Em complemento a esses dados relativos à organização serial, há um argumento mais afeito à área da psicologia e filosofia educacional. Os especialistas confirmam a dificuldade atual, cada vez mais acentuada, de se conseguir que os adolescentes estejam tão maduros do ponto de vista psicossocial — vale dizer, de sua autonomia responsável, do seu compromisso com os projetos presentes e a perspectiva de futuro — quanto do ponto de vista do potencial cognitivo e da busca por experiências mais adultas. A "imaturidade contemporânea", ou a "adolescência prolongada", torna complexa, por exemplo, a abordagem de temas sociais e existenciais e a proposta de debates e leituras sobre política, especialmente a partir da puberdade.
A violência, a fragilidade dos valores da sociedade urbana e a reorganização familiar contemporânea nos incitam, como educadores e como pais, ao abraço, à proteção e, de certo modo, ao adiamento dessa autonomia que, nas gerações anteriores, de 70 até meados de 80, era muito mais precoce. Não é possível nem sensato forçar a "idade da razão" com um súbito abandono. Estender um pouco mais a permanência dos alunos na escola, com um trabalho educativo intensamente voltado para o projeto da autonomia responsável, talvez seja o caminho mais promissor. Paralelamente a essa questão, é preciso atentar para a forma como se tem operado o ingresso de nossos alunos no curso superior. Temos avaliado que a opção profissional por meio da universidade se revela, para muitos, insegura, contingencial, precária. O retorno dos jovens ao colégio depois do ingresso na faculdade mescla orgulho pela conquista e nostalgia da segurança anterior. A liberdade desejada e adulta da universidade por vezes tem sabor de desamparo e despreparo para as decisões.
Esse aspecto, de âmbito psicológico, contrapõe-se ao cognitivo e às demandas de aprendizagem. Os alunos são apresentados, na escola, a uma quantidade e qualidade de conhecimento não previstas há 50 anos. As crianças de hoje aprendem a ler mais cedo; além disso, geralmente lêem mais e melhor do que os leitores infantis dos anos 50, que não dispunham de TV, videogames e internet. É rara, nesse perfil sócio-cultural, uma criança que não se sinta fascinada pelos livros e pela cultura escrita que se espalha para muito além das livrarias interessantes; o universo eletrônico e digital não compete, pelo menos não dentro da escola, com o universo da literatura e do conhecimento.
A matéria predileta de nossas crianças da 3ª e 4ª série é Matemática. Por quê? Porque a Matemática, apesar de ampliada de conteúdos e atividades de raciocínio, está entremeada a jogos, ao uso crítico da calculadora, a cálculos por estimativa, à leitura de gráficos — desde a 1ª série.
Há um conhecimento disponível em nossa história recente que precisa ser levado às crianças e aos jovens. Quantos conteúdos mais de Biologia e Física são previstos no Ensino Médio, para que se consiga dar conta das descobertas dos últimos 50 anos? Os alunos são capazes, sim, e aprendem cada vez mais. Todavia, precisam de mais tempo para sedimentar isso. Eles dominam um repertório de conhecimentos e informações amplo, e estão aquém, psicossocialmente, dos limites de sua dimensão intelectual. Esses dados compõem um mosaico que favorece, de maneira mais clara e além das deliberações legais, a defesa de uma modificação no sistema de ensino fundamental.
Em 2001, quando criamos o anteprojeto pedagógico da Unidade II do Colégio Santa Cruz, (escola bilíngüe, com período integral) previmos um sistema educacional composto de nove anos de Ensino Fundamental (organizados em três ciclos), iniciando-se com crianças que tivessem seis anos completados entre 1º de janeiro e 31 de dezembro do ano anterior do ingresso na 1ª série, e mais um ciclo de três anos de Ensino Médio. Em julho de 2001 o texto ficou pronto, foi aprovado pela mantenedora no Brasil e no Canadá e serviu de fundamentação para a equipe arquitetônica criar um projeto físico da escola. Ou seja, a direção do Colégio acalenta e alimenta um sistema de Ensino Fundamental de nove anos há bastante tempo. Tempo suficiente para lhe conferir princípios, planejamento e substância.
Uma circunstância de outra ordem se alinha às anteriores. Em setembro passado, fomos impedidos de realizar a segunda parte do teste de seleção para a 1ª série na data prevista. Enquanto esse processo ficou pendente, porque uma parte do teste já havia sido aplicada, pudemos viver, com os pais e as crianças, o desgaste e a tensão causadas pelo futuro incerto. O teste para a 1ª série sempre foi uma ação importante, por ultrapassar o aspecto da avaliação pedagógica e incluir uma dimensão ideológica. Se o Colégio Santa Cruz se limita a receber filhos de ex-alunos e irmãos de alunos, a tendência é o fechamento em uma comunidade pouco permeável às transformações, com restrito conhecimento de outras famílias e experiências. O ingresso de crianças na 1ª série — na 5ª série a seleção é muito restrita — reorganiza e revivifica a comunidade do Santa Cruz. Novos pais, diferentes pré-escolas e experiências nos enriquecem, além de favorecer famílias que nunca estudaram aqui e têm o direito de fazer escolhas fora do seu circuito e de sua história anterior.
Desse modo, a proibição do teste — fundada nos argumentos de que crianças com sete anos não podem ser submetidas a um processo de seleção, porque isso é extremamente traumático, e a matrícula por mérito é discriminatória — fecha a possibilidade de disponibilizar as vagas a crianças de fora.
Enquanto se mantinha em aberto a resolução legal, a direção do Colégio precisou levar em conta essa nova realidade e tomar decisões. A suspensão do teste colaborou para a antecipação da implantação do novo sistema: abrimos mais classes nas séries da Educação Infantil e adiamos a recepção de novos alunos para as séries intermediárias do Fundamental 1, quando o processo seletivo não seria considerado "traumático".
Assediados por tantas variáveis, optamos com segurança por iniciar as alterações de imediato. Temos pela frente dois anos de transição, que demandam adaptações tanto na organização serial quanto no mapa curricular das séries iniciais.
Sem dúvida, as modificações curriculares podem implicar, nessa fase, um reagrupamento de alunos conforme a idade, bem como exigem, em curto prazo, reformas no prédio do Ensino Fundamental. Sem desconsiderar a importância e a preocupação que assomam para as famílias alterações de âmbito escolar, nossa prática tem corroborado que essas adaptações (nos grupos classe e série e na configuração espacial) ocorrem de forma tranqüila e rápida.
Reservamos um capítulo especial (O novo sistema: organização serial e princípios curriculares) para o esclarecimento e a descrição dessas mudanças tal como estão ocorrendo de imediato, bem como sua previsão a longo prazo. Podemos assegurar, contando com a experiência de nossos educadores e a confiança dos pais, que a instauração de tal projeto procura favorecer, para nossas crianças e jovens, um ensino melhor, mais profundo, mais criativo e cuidadoso, e mais coerente com o mundo atual.
Finalmente, registramos nesta Palavra do Diretor-2006 um fato marcante para o Colégio Santa Cruz, e em especial para o Ensino Fundamental: trata-se da aposentadoria do Prof. Sylvio de Lima Nepomuceno, membro da equipe de professores de 1967 a 2000; vice-diretor do Ensino Fundamental 2 de 1970 a 2000; e diretor desse curso de 2000 a 2005. Para sucedê-lo, convidamos o Prof. Ricardo Mesquita que, desde 2004, é vice-diretor do Ensino Fundamental 2 e cuja firmeza e serenidade têm marcado sua condução profissional entre nós.
Comunicamos ainda, na esfera da equipe diretiva, a presença, a partir de 2006, da Profª Helenice Sales como vice-diretora do Ensino Fundamental 1. A Profª Helenice permanece também em suas funções anteriores — de Orientadora Educacional e vice-diretora da Educação Infantil.
Reiteramos nosso reconhecimento ao Prof. Sylvio e nossa confiança na continuidade do trabalho competente desses educadores.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Palavra do Diretor - 2005
Eu sustento que a única finalidade da Ciência está em aliviar a canseira da existência humana. (...) Com o tempo, é possível que vocês descubram tudo o que haja para descobrir, e ainda assim o seu avanço há de ser apenas um avanço para longe da humanidade.
(Bertold Brecht, Galileu Galilei)
2005: um século da Teoria da Relatividade. Para uma escola, a importância dessa data se revela principalmente através da reflexão com os alunos sobre as funções superiores da inteligência e da Ciência. Essas funções se estendem para muito além da servidão tecnológica às necessidades de mercado e, muitas vezes, da servidão silenciosa à manutenção das diferenças sociais. O homem é um ser que pergunta e duvida, daí sua busca contínua de verdade e de um sentido para a vida que parecem ser — verdade e sentido — objetos evanescentes e fugidios. O conhecimento está atrelado à consciência de sermos, nós mesmos, partículas em comunicação de um universo infinitamente em aberto, uma obra infinita.
O ano internacional da Física abre oportunidade especial à escola de pensar, com seus alunos, sobre as descobertas dos cientistas e de seu papel humanizador, sempre incompleto. E à própria escola compete pensar sobre seu papel humanizador, paralelamente à preservação da herança cultural e intelectual. Tal princípio, embora permanente, reveste-se continuamente de investimento em transformação, e isso pode ser chamado de aprendizagem.
Albert Einstein, em um de seus ensaios sobre a importância da educação, faz uso de uma metáfora bastante ilustrativa dessa tese. A educação seria uma escultura de mármore — resistente, portanto, ao tempo e às circunstâncias — lançada na topografia instável de um deserto. A todo tempo recoberta e escondida pelas dunas de areia, ela exige o trabalho incansável de ser redescoberta, realocada, mantida exposta e visível, como um monumento à liberdade de pensar e aprender.
Nesse sentido, a revisão do projeto pedagógico de uma escola, como é o caso do Colégio Santa Cruz, é uma operação necessária e estruturalmente incompleta. Sua incompletude consiste na própria substância do conhecimento e do sentido, cuja busca é a semente da educação.
Passados cinco anos desde sua fundação, o curso de Educação Infantil do Colégio Santa Cruz reapresenta seu projeto pedagógico neste Plano Diretor. Os pilares filosóficos são os mesmos, espécie de profissão de fé em um ideário humanista de valores permanentes. Entretanto, as formas, os procedimentos, as escolhas temáticas se aperfeiçoaram. O tempo se incumbiu de amadurecer no corpo de educadores do curso novas possibilidades de aplicação daquele ideário. A presente exposição da síntese do projeto da Educação Infantil, portanto, é fruto dos bons resultados do trabalho de cinco anos aliados ao impulso de transformar a partir da reflexão conjunta.
O capítulo referente ao Ensino Fundamental 1 apresenta a consolidação de alguns procedimentos de trabalho que se revelaram férteis para a aquisição das competências essenciais ao conhecimento e à caminhada rumo ao pensamento autônomo: o raciocínio processual e criativo, a ênfase na pesquisa de campo, o investimento em projetos de leitura e escrita, e a percepção e a criação artísticas. Nesse capítulo, estão sintetizadas as concepções educacionais que sustentam tal prática pedagógica e descritos sumariamente os componentes curriculares do curso.
A exposição do projeto pedagógico do Ensino Fundamental 2 esclarece como a dinâmica escolar se processa para além dos horários das aulas matutinas, compondo-se através de múltiplas atividades extracurriculares no período da tarde e viagens de estudos do meio. Desse modo, a escola torna-se um referente essencial para o cotidiano adolescente, estendendo sua grade curricular, exercitando a escolha pessoal e o aprendizado em contextos e espaços desconhecidos.
O Ensino Médio descreve em seu capítulo as estratégias que inaugura, neste ano, para aprimorar a competência dos estudantes na produção de textos de âmbito multidisciplinar e interdisciplinar. A desenvoltura no processo de argumentação voltada a temas gerais — que vão da dissertação sobre tópicos disciplinares específicos à reflexão sobre a atualidade — se soma ao exercício da criação e à construção de uma identidade no texto escrito, que o torna único, embora sustentado pela precisão lógica e pelo rigor das informações. A introdução desse novo curso de produção de textos atende tanto às necessidades dos alunos de aperfeiçoar sua comunicação escrita quanto à concepção do Colégio referente ao conhecimento como "rede de conhecimentos".
Embora este Plano Diretor seja restrito aos projetos pedagógicos de curso e de atuação comunitária, é importante mencionar que a inauguração do Teatro, em 2002, vem propiciando a oportunidade de ampliar o repertório cultural dos alunos de todas as idades, através do estímulo à freqüência a concertos, espetáculos de teatro, ciclos de cinema e conferências.
Paralelamente, o Teatro se consolida como um espaço de eventos educativos agregador de pais e professores. Em 2004, abrigou o primeiro Ciclo de Palestras, dirigido às famílias de nossos alunos e professores de Colégio; a síntese dos principais conceitos debatidos constitui o capítulo final deste Plano. Para este ano, programamos o segundo Ciclo, a iniciar-se em meados de abril, que abordará temas controversos da cultura contemporânea.
Desse modo, a programação do Teatro concretiza a intenção do Colégio de aproximar as artes e o debate intelectual de sua ação pedagógica mais ampla, envolvendo toda a comunidade escolar no estímulo à livre expressão e ao livre pensar que caracterizam a educação.
Palavra do Diretor - 2004 - Autoridade: etimologia de uma crise
Todas as palavras se fazem marcar pela história de seu uso: as sociedades humanas, o contexto cultural, os valores – muitas são as variáveis que as deformam ou transformam. A alteração de significado constitui um jogo potencial de cada palavra, passível de ter seus contornos aumentados ou restringidos e sua substância obscurecida ou iluminada por nuances inesperadas. Nós, usuários da língua em um ponto específico da história, desconhecemos a diversidade de relações que cada palavra carrega e nos submetemos ao sentido que o cotidiano lhe empresta.
"Autoridade", originalmente, apresentava uma nuance apenas sutil de poder e superioridade. A etimologia nos explica que seu sentido inicial estava muito mais próximo da idéia de confiabilidade, testemunho e conselho. É possível que a história do pensamento e da política tenha usufruído dessa primeira designação ao formular a importância da autoridade na vida familiar, social e cultural. Posteriormente — não podemos definir os momentos dessa transformação, porque ela é lenta e escapa ao controle das normas da língua — "autoridade" se contaminou com a idéia de "superioridade derivada de um status que faz com que alguém, uma instituição ou uma lei tenha esse direito ou poder".
Esse último conceito é o que tem determinado as discussões contemporâneas sobre a falência das leis ou instituições fundadas em um sistema hierárquico pouco flexível, alheio ao diálogo e dotado de discursos dogmáticos. A segunda metade do século passado assistiu à derrocada da autoridade na esfera pública e privada e hoje, ainda estupefatos, damo-nos conta de nossa fragilidade diante da tarefa essencial de educar. Educação — já o afirmava Freud — não é possível sem restrições, repressões e autoridades; e a civilização, por sua vez, não perdura sem que se eduquem sucessivamente as gerações. Hoje, o mal-estar se instala, sobretudo, na consciência de que nossas responsabilidades com o futuro — ou seja, nossos filhos — não dispõem das armas tradicionais para se cumprirem. Vale dizer, nossa autoridade não mais é uma concessão inerente a nossa função de professor, pai, padre, mas uma condição a ser construída, por via da negociação e do diálogo, com nossos alunos e filhos. Voltamos, assim, a conviver com a sutileza e a insegurança que o conceito tinha entre os gregos que o inventaram.
Articulado a esse tema está o discurso desencantado da sociopsicologia contemporânea, que evoca a atual desagregação da família, cuja característica tradicionalmente apontava para a idéia de núcleo, de vínculos permanentes. Com efeito, a história nos conduziu a um novo estatuto familiar, em que as funções paterna e materna se fragmentam e fragilizam por força do contexto do mercado de trabalho e da liberdade sexual, entre outros.
Existe, em grande parte da sociedade contemporânea, a nostalgia do conceito de família sustentado pela estabilidade e hierarquia de seus membros (e, conseqüentemente, pelas malhas da autoridade). Entretanto, a etimologia pode nos auxiliar a recuperar o sentido da mobilidade infinita dos homens e das palavras e a compreender — se não aceitar — que só podemos ser atores e público do espetáculo do presente. O termo latino familia referia-se ao conjunto de criados e escravos que viviam sob o mesmo teto e, posteriormente, por extensão, a casa em sua totalidade, compreendendo o pai, sua mulher, os filhos, escravos, animais e terras. (Familia se definia em oposição a gens, conjunto de pessoas com um mesmo ancestral.) A nostalgia do núcleo familiar estável parece ignorar que o elemento de sustentação da família, no sentido original, era algo concreto: o teto comum, a proximidade física e o chefe do patrimônio constituído por bens e pessoas. Difícil saber a direção do contágio entre história e língua, mas se o conceito de família carrega sua ancestral condição de existir segundo uma autoridade central e material, então nossa dificuldade de compreender os fatos se agrava com a dificuldade de criar novas palavras para novas entidades.
Hoje, a família só pode se conceber segundo uma nova arquitetura: o teto, o patrimônio e a autoridade são elementos precários e secundários; os vínculos demandam regras abertas, afetivas, a serem construídas e reconstruídas cotidianamente, num projeto permanente de convívio que parece nunca se completar.
Em decorrência dessa extensa rede de crises e novas relações, a escola é a instituição que, embora igualmente imersa em questões de identidade e atribuições, vem assumindo à sua revelia as tarefas que competiam às demais instituições. Deixa de constituir-se "o lugar de estudos próprios de homens livres", que o termo grego já definia, e passa a agregar funções educacionais em sentido amplo e que eram, até algumas gerações passadas, do âmbito familiar.
Nesta escola de agora, não há espaço para se lamentar: nem a sobrecarga de funções, nem o passado de que fomos agentes e que nos legou resultados complexos. É preciso, antes, dar conta da "vida presente, do tempo presente, dos homens presentes", como nos aconselha Drummond, em parceria com os pais que nos confiam seus filhos. Perdidas nos novos conceitos que renascem das palavras que as identificam, a escola e a família podem reencontrar sua pedra fundamental e o sentido de sua coexistência no processo perene de educar.
Essa palavra, absolutamente essencial, parece não ter se impregnado da história, das transformações culturais, nem das crises sócio-econômicas que alteram nossos rumos. Talvez porque educar seja um processo análogo ao de dar vida, e essa é a condição humana definitiva por excelência. Em latim, educar abrange as noções de criar, nutrir, cuidar e também instruir, cultivar e produzir cultura. Educador é o professor que ensina e a mãe que ama. Nessa rede sem centro fixo, a nova família e a nova escola se aliam e compartilham, em meio a infinitas conexões de tempo, transformações, evoluções e retrocessos, o ato de conduzir crianças e jovens ao patamar superior da humanização.
Se, por um lado, há confluência das atuações de ambas, as metas e as funções não devem se confundir. Uma escola reúne um amplo conjunto de famílias, que nem sempre compartilham os mesmos valores e experiências. A um só tempo lugar da diversidade e da síntese, a escola tem como centro de seus interesses a formação multidimensional de seus alunos, considerados em seu agrupamento; paralelamente, o centro de cada família parece ser, cada vez mais, os filhos — poucos, singulares, sedentos de individualidade e plenos de individualismo e "autoridade". A diferença é importante: a escola visa ao coletivo, ao desenvolvimento do indivíduo em uma coletividade, à educação pessoal comprometida com a alteridade e submetida a princípios válidos para todos. Daí sua ênfase no estudo do conhecimento, do pensamento e da arte dos homens através dos tempos, agregado ao exercício do convívio e de uma ética legitimada pela cultura. Evidentemente, à escola compete consolidar o potencial criativo e intelectual de cada estudante; contudo, tanto a inteligência quanto a criação individual estão a serviço de algo maior e mais definitivo: o bem comum. Já, para grande parte das famílias contemporâneas, a meta é o sucesso pessoal de seus filhos.
Essa diferença de ênfase e expectativa muitas vezes dilui o conceito da nova autoridade que é preciso instaurar nas instituições do século XXI. De um lado, a escola deve apontar aos estudantes o peso e a angústia da liberdade — sempre vinculada ao gesto conseqüente e plena de responsabilidades com relação a si mesmo e ao outro. Nesse processo, o diálogo é um instrumento inestimável; mas ele jamais dispensa a exposição clara de limites e normas, a serem definidos e cobrados pela escola. De outro lado, a família se posiciona por vezes de forma ambígua, porque é atingida pelas condições contraditórias de acumular a um só tempo afeto e diretriz, desejo de proteção e liberalidade. Nessas circunstâncias, a autoridade pode deixar de se constituir uma condição para o diálogo, tolerando, assim, a instauração de um poder tirânico às avessas, que impossibilita a educação.
Amor, conhecimento, razão e ética são substantivos perenes evocados pela educação humanista, e talvez essa educação se constitua o ponto de (re)encontro estável, a partir do qual família e escola possam redefinir seus limites. Talvez essas devam ser as palavras geratrizes de um conceito mais profundo e adequado de autoridade, mais afeito à totalidade de cada homem em seu grupo familiar restrito, bem como mais otimista e responsável com relação ao conjunto de todos os homens, em sua integração social ampla.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral do Colégio Santa Cruz
Palavra do Diretor - 2003
No ano passado, o Colégio Santa Cruz comemorou os 50 anos de sua história e obra. Usualmente, datas redondas – décadas, séculos e suas metades – instigam nossa memória, espírito festivo e desejo de permanência. Embora traduzido em números, o tempo se percebe verdadeiramente em experiência e marcas físicas – a medida e o calendário são conceitos, e não propriamente vida. Bem além do tempo cronológico e objetivo, paira um tempo subjetivo e relativo da memória de cada um. Quanto precisa viver alguém para ter saudade de seu passado?
Aliando calendário e emoção, costumamos recontar a história a partir de um dia especial e tentamos refazer, através da lembrança, parte dos dias que vivemos de modo mecânico por estarmos, paradoxalmente, preocupados com o futuro. Precisamos recordar sempre, porque nos sabemos mortais e desconhecemos o porvir. Necessitamos comemorar, para nos relacionar com nossa espécie, compreender-nos, recuperar-nos, confirmar o sentido de existir, crer, sonhar, fazer.
Nos eventos que planejamos para comemorar essa data, buscamos recolher o tempo, os fatos, as pessoas que se espalhavam em registros fragmentados para organizá-los nos arquivos da memória coletiva. Trouxemos de volta, simbolicamente, a fachada da Higienópolis, que se irmanou ao campus de Alto de Pinheiros, ambos reconstruídos através das milhares de fotos e nomes de todos os que participaram e participam da história do Colégio. Os anos e as gerações foram superpostos sem linearidade, como se os tempos da escola pudessem relativizar-se e tornar-se simultâneos. Antigo e recente são faces complementares da mesma existência, e apenas a cor esmaecida de algumas imagens sugere o peso dos anos. Em todos os eventos planejados para homenagear o passado estavam os traços, as cores e nomes das pessoas de hoje e dos projetos futuros.
O diálogo entre ontem e hoje, calendário e sonho, tradição e inovação se revela simbolicamente nas representações e eventos do cinqüentenário, mas é condição mesma da educação e da permanente atualidade do Colégio Santa Cruz. O diálogo entre tempos e experiências possibilita consolidarem-se projetos e nascerem outros. Reformas físicas, experimentações pedagógicas, recursos tecnológicos, formação contínua do educador, ampliação curricular, novos cursos. O que houve nesses 50 anos nos empresta o chão de que necessitamos para continuar a história e a obra, de onde podemos partir para outros vôos.
De mãos dadas com o presente, os próximos anos já nos sorriem plenos de novas realizações em processo. O projeto do novo núcleo do Colégio foi anunciado nas comemorações. Desde então, foi criteriosamente desenvolvido, inspirado nos mesmos princípios que nortearam esses 50 anos. A Unidade 2 oferecerá, possivelmente a partir de 2005, educação em período integral. E embora seja uma escola brasileira, enredada e identificada ao contexto cultural, social e histórico deste país, propiciará formação bilíngüe — o currículo análogo ao do Colégio Santa Cruz central será acompanhado, desde as séries iniciais, do aprendizado do inglês, instrumento essencial para a comunicação internacional em nossos dias.
A nova escola será instalada em terreno vizinho ao campus da Universidade de São Paulo. Os estudos preliminares do projeto arquitetônicos foram aprovados e estão sendo desenvolvidos, para que se possa dar início à construção.
O projeto e a implantação da Unidade 2 estão aliados a este Colégio Santa Cruz: seus alunos, educadores, filosofia, currículo, campus. Pretende-se viver o diálogo, a troca, o vínculo. A nova escola iniciará seu funcionamento com as duas primeiras séries do ciclo1, correspondentes ao pré 2 e 1ª série do atual Ensino Fundamental, e estará aberta à comunidade do Colégio e demais interessados.
O Teatro do Colégio Santa Cruz, recentemente inaugurado, foi um sonho de muitos educadores, acalentado por longo tempo, como espaço de arte e cultura complementar à nossa educação humanista. Para 2003, a programação está quase finalizada e, em breve, a comunidade do Colégio será convidada para prestigiar os concertos e espetáculos de teatro, shows, lançamentos, exposições e conferências.
O conjunto de salas que até o final do ano passado constituía a Biblioteca central do Colégio hoje está transformado em uma ampla área, clara e aberta, destinada a atender alunos e professores de forma mais ágil e eficaz. Há tempos aguardávamos a oportunidade de dispor nosso acervo segundo uma perspectiva que concebe o leitor como um pesquisador autônomo e bom usuário das ferramentas tecnológicas da informática. Isso implicaria um remanejamento de alguns milhares de livros para manuseio aberto e independente, em estantes móveis, diversas do arquivo isolado e acessível apenas aos bibliotecários. A atual reforma alcançou essa meta. Uma parte do acervo permanece mediado pelos funcionários, enquanto outra é de acesso geral. Completa a adaptação um conjunto de computadores destinados à livre consulta, pelos leitores, de todos os títulos e autores disponíveis.
Contíguo à Biblioteca, encontra-se o Centro de Ensino de Informática, também remodelado durante as férias, visando à criação de mais uma sala e instalação de 40 novas máquinas.
Considerando que a utilização do CEI vem-se estendendo, rapidamente, aos alunos de todas as idades, usuários cada vez mais precoces de softwares educativos, a manutenção da qualidade e ampliação da capacidade de atendimento são preocupação permanente da direção do Colégio.
Temos estimulado continuamente o diálogo entre cursos e educadores, para que haja tratamento coerente e planejamento comum de projetos educacionais que dizem respeito aos estudantes de todas as idades. Nesse sentido, as orientadoras educacionais do Colégio têm organizado seminários – muitas vezes contando com assessoria externa – voltados para a reflexão sobre temas como sexualidade e prevenção de drogas. No Plano Diretor de 2003 estamos apresentando um relatório síntese da concepção que norteia o trabalho de orientação sexual em todas as séries do curso de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio, bem como a descrição de alguns procedimentos que têm sido conduzidos com sucesso pelas respectivas orientadoras.
Desnecessário é reafirmar que esse conjunto de ações se destina ao permanente aprimoramento da educação, entendendo-a em sentido amplo: a educação que se destina à formação social, intelectual, estética e moral de nosso aluno; a educação que envolve os próprios educadores em seu esforço de aprendizado permanente; a educação que acolhe os pais e com eles dialoga, incluindo-os como agentes do processo formativo; a educação que se propõe atuar em parceria com as questões sociais, a religiosidade, a produção cultural e artística, o processo político, o meio ambiente, enfim, com a realidade em que vivemos e por cuja melhoria todos somos responsáveis.
Palavra do Diretor 2002
"O pensamento do passado é sempre estético.
O pensamento do futuro é sempre ético."
Roland Barthes
1952-2002. O tempo não é só a seqüência dos dias, dos anos. Tempos são experiências e memórias que compõem um imenso quadro inacabado e um moto-contínuo: as cores se transmutam, as imagens ora se diluem, ora se tornam mais nítidas, objetos trocam de lugar, detalhes geram novos arabescos que, por vezes, assemelham-se aos que os geraram, ou se repetem acrescidos de traços imprevistos.
Quando o Colégio Santa Cruz foi fundado, há 50 anos, o país traçava seu rumo em direção a uma utopia de desenvolvimento, progresso e afirmação nacional. Espelhava, ainda, a consciência e a culpa dos pós-guerra, abrindo-se, simultaneamente, para uma confiança no futuro fundado em ações coletivas.
A geração urbana de 50 — na Europa, América e Brasil — evocava a certeza amarga de que todo homem é condenado à liberdade e à escolha, de que ser homem implica olhar e incluir o outro, a liberdade e a escolha do outro. Esse conceito de liberdade responsável, de tom existencialista, transcendeu a concepção filosófica e se estendeu para campos variados: da Igreja à Educação, do comportamento sexual à Família, da economia ao modus vivendi.
Em 1952, é fundada a CNBB, com a convicção de que o papel da Igreja incluía o âmbito humano e social, comprometido com a solidariedade e com o resgate do bem comum.
Paralelamente, os jovens implodiam as instituições e a noção de autoridade — fosse ela o governo, a família, ou a escola — afirmando a hipocrisia das tradições e das verdades definitivas. A juventude decreta sua maioridade, ora através de ações políticas, ora através de crises existenciais e protestos sem direção. De qualquer modo, a sociedade teve que ouvi-la, adaptar-se ao futuro que ela acenava e antevia.
O Colégio Santa Cruz foi fundado em meio a esse espírito de inquietude, vitalidade e crítica. Os padres da Congregação de Santa Cruz trouxeram em sua bagagem sua própria juventude, pioneirismo, olhos abertos e livres, consciência social e crença na inteligência e na necessidade de transformação da instituição escolar e da ampliação da função da Igreja.
O Colégio Santa Cruz foi gerado e cresceu nesses tempos e, embora nos últimos 50 anos o mundo tenha passado por uma revolução cultural sem precedentes, o Colégio se manteve fiel à sua concepção pioneira, à história em que ele se inscrevia cotidianamente e às demandas de uma educação que pudesse amparar as incertezas e a avidez do novo que se insurgia (e insurge) violentamente contra os valores cristãos essenciais.
A atual sociedade da mídia eletrônica, que viabiliza todas as informações e proximidades entre pessoas e países — ao mesmo tempo que inaugura o caos do excesso informacional de rápido descarte e a solidão do homem em seu convívio virtual — reflete nas salas de aula sua angústia pela efemeridade de tudo e pela superficialidade das relações.
Nesse sentido, o Colégio Santa Cruz tem lutado através de sua equipe de educadores para construir uma comunicação extensa e profunda com seus alunos, buscando afirmar-lhes o poder da inteligência e da ética, além da responsabilidade coletiva pela história e pela vida.
A Educação caminha sobre trilhos paradoxais: é conservativa (tem função de resgate cultural e de manutenção da história do conhecimento) mas necessita também ter por foco a dimensão do futuro, o que está em processo e por vir. Não se vislumbra nunca o final do caminho, ou o ponto de chegada, mas é preciso crer, definitivamente, que há um caminho e um objetivo.
A tarefa do educador é, por isso mesmo, um tanto messiânica. Confia-se, não obstante a dúvida; alegra-se, em meio a tempos sombrios; estendem-se as mãos, apesar do medo; reinventam-se harmonias, mesmo que ao som de dissonâncias e ruídos.
Educação é vida, amor e obstinação.
Palavra do Diretor 2001
"—Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. Coragem para a luta." A escola no romance de Raul Pompéia não é de fato o mundo, é uma imitação parcial dele. Ela afasta o adolescente da vida, para poder formá-lo rigidamente de acordo com a moral eleita por sua classe e pelas instituições da época. O personagem Sérgio precisará de "coragem para a luta", porque no Ateneu não se aprende a liberdade de pensar, a graça da vida, ou as responsabilidades sociais. O Ateneu controla, não educa.
Não é de fato a passagem de um século que define termos atingido uma concepção mais humanista e adequada de educação que aquela. Os 100 anos que nos separam do Ateneu estão mais distantes de nós que a educação concebida por Platão. A escola, hoje, dialoga com as circunstâncias de forma mais aberta e crítica. Compartilha com a família e a sociedade preocupações de ordem ética, ambiental e afetiva. E busca garantir que seu espaço propicie – e não imponha – aos jovens a experiência da amizade, da solidariedade, da invenção e do conhecimento.
O Colégio Santa Cruz completará 50 anos em 2002. Sua história tem sido escrita e reescrita: cada ano escolar possibilita a seus educadores refletir, adequar, corrigir, aprimorar. O Colégio acredita que a própria tradição – em que é preciso se alicerçar para construir o novo – essa tradição se altera ao conviver com a velocidade das transformações, com a amplitude das linguagens e a sofisticação das tecnologias.
Do diálogo entre tradição e inovação nascem novos projetos e outros se consolidam. No ano passado, iniciamos as atividades com as séries de Educação Infantil. Construímos o espaço, a concepção pedagógica e a equipe. O campus se abriu para os pequenos, que hoje o exploram e utilizam, em brincadeiras e pesquisas científicas, ou como inspiração artística e convívio social.
A reforma do setor que se destinou à Educação Infantil iniciou um amplo projeto de aprimoramento visual e arquitetônico do Colégio Santa Cruz.
A Capela antiga, intimista, se escondia no interior do pavilhão do Ensino Fundamental. A nova Capela hoje se ergue diante da via principal da escola. A intenção de construir uma capela mais ampla e trazê-la para o jardim, iluminada e acessível, guarda certo simbolismo: é um convite permanente ao exercício da religiosidade, individual ou coletivo, a todo tempo; é um elogio à natureza e à vida que a cercam; e uma referência a seus fundadores, padres de Santa Cruz.
O pavilhão do Ensino Fundamental, o mais antigo do Colégio, passou por adaptações. As salas da 1ª série e seu entorno foram remodeladas, em coerência com a concepção estética e pedagógica do prédio da Educação Infantil. Buscou-se iluminá-las, colori-las e torná-las mais confortáveis e ade-quadas à faixa etária de seus alunos.
Os vestiários, que haviam sido substituídos pelo do Ginásio de Esportes, puderam ser liberados e transformados em salas de aula, assim como a antiga capela, em virtude da necessidade de novos espaços para o curso de inglês, ministrado para pequenos grupos de alunos, dentre outras demandas.
O pátio interno passou por significativa alteração: seu espaço útil foi ampliado, paralelamente a um trabalho de programação visual. Foram reformadas e adaptadas as quadras multiesportivas, bem como os campos de futebol, com a colocação de gramado sintético.
Iniciaram-se, também, as obras do novo teatro, ao fundo do Pavilhão do Ensino Médio, com salas para ensaios, exposições, palestras, concertos e encenações.
Do ponto de vista das normas relativas a processo de avaliação e periodização letiva, o Curso de Ensino Fundamental apresenta em 2001 algumas novidades. Em virtude dos objetivos do curso, seu projeto pedagógico e faixa etária dos alunos, considerou-se que o aprimoramento do processo de avaliação demandaria uma periodização mais extensiva do ano letivo. A opção por três trimestres, em lugar de quatro bimestres letivos, justifica-se pela possibilidade de: propiciar a alunos e professores maior mobilidade para desenvolvimento de trabalhos que envolvem pesquisa, estudos do meio e interdisciplinaridade; possibilitar uma avaliação mais centrada no processo de aprendizagem, o que exige tempo maior destinado a atendimento dos alunos em sala de aula regular, ou em reforço e recuperação. As mudanças nesse âmbito estão descritas nos projetos pedagógicos do Ensino Fundamental 1 e 2.
O processo de informatização da Biblioteca, iniciado no ano passado, encontra-se bastante adiantado. Aproximadamente 20.000 títulos estão catalogados, o que corresponde a 60% do acervo. Este recurso já permite a consulta do acervo e reserva de livros on-line, por alunos e professores.
Há vários anos o Colégio Santa Cruz desenvolve um projeto de prevenção de drogas, que se estende pelas séries do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio, com diversidade de abordagem e linguagem, em adequação às faixas etárias.
Neste ano, oportunamente, a Campanha da Fraternidade elegeu um tema de conotação educativa — Vida Sim, Drogas Não —, que enfatiza nosso trabalho.
Livros, informática, prevenção, reformas físicas, jardins, capela e avaliação: a educação é um texto múltiplo, escrito e revisado a cada dia, por inumeráveis autores. Resultado de compromisso e diálogo entre seus participantes, a educação almeja a formação do ser pensante. Três centenas de anos antes da instituição descrita por Raul Pompéia, Descartes descobriu que poderia estar enganado sobre tudo, menos sobre uma coisa – que pensava (e que duvidava!): "O que sou eu, portanto? Um ser pensante. E o que é um ser pensante? É um ser que duvida, que compreende, que concebe, que afirma, que nega, que deseja, que rejeita, e que também imagina e percebe."
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 2000
Entre a crise e a renovação
A educação está na ordem do dia. É preocupação central das famílias de todas as classes, acuadas pela incerteza do futuro — no âmbito econômico e profissional — e pela diluição dos valores que sustentavam a coesão da família e o percurso ético do cidadão. Esta palavra, educação, é igualmente repetida à exaustão nos discursos e projetos políticos, é tema de autoridades policiais, cientistas, economistas, sanitaristas e futurólogos.
A educação correspondeu, através da história, ao espaço intermediário entre a família e o mundo, entre o privado e o público. A criança era introduzida no mundo através da escola. O educador sempre foi o representante desse mundo que, embora em contínua mudança, mantinha-se coeso pelo sentido de autoridade e tradição. O educador assumia, implicitamente, a responsabilidade pelo jovem e pelo mundo: representante dos adultos e dotado de autoridade, apresentava às crianças a história do homem, as tradições e os valores que mantinham o curso da sociedade.
Hoje é evidente a falência desses conceitos: a crise da autoridade iniciou-se na esfera pública e contaminou as famílias. O homem contemporâneo, inseguro face ao mundo que o rodeia, sente dificuldades em definir sua própria responsabilidade familiar. Não sabe com clareza como enfrentar as incertezas e violências do mundo, nem como assumir as funções da paternidade ou maternidade e dos valores familiares.
Os pais de hoje buscam a escola para reaprender o mundo, para dividir e compartilhar suas incertezas, suas fragilidades. Entregam seus filhos com a expectativa de que além de ensiná-los e educá-los, a escola também os preserve, oriente, ame e ajude-os a entrar na vida adulta.
Entretanto, não podemos esquecer que essa crise atinge também e de modo visceral a instituição escolar. Subitamente a escola percebe-se responsável por atribuições que eram da esfera privada, e que se acumulam às competências anteriores, relativas ao conhecimento e à cidadania. Acresce-se a isso o esfacelamento do conceito de autoridade, que permitia ao educador e à escola ascendência e poder de decisão sobre comportamentos, conteúdos, métodos e avaliações.
Paralelamente, o consumismo da sociedade atual nos confronta com a falência de valores duráveis. Se tudo é feito para ser devorado, o prazer e o novo são buscados compulsivamente: nada permanece, nem mesmo a cultura e o conhecimento, tornados diversão, mercadoria e instrumentos de mobilidade social.
Finalmente, as transformações velozes no processamento das informações, o acúmulo e a fragmentação das informações, o questionamento sobre o conhecimento e a desvalorização da tradição — tudo confirma e agrava a crise educacional.
Abertura da Pré-escola
É em meio a esse redemoinho de atribuições novas e perplexidades que o Colégio Santa Cruz afirma seu projeto educacional e amplia sua área de atuação para a educação infantil. À incerteza que caracteriza nossos tempos, contrapomos a confiança em nosso projeto, nascido sob inspiração filosófica humanista e pautado na reflexão contínua. Nosso sonho, há alguns anos, tem sido o de estender a experiência do colégio à faixa etária de 5 e 6 anos, atendendo aos pais que ansiavam por uma formação integral de suas crianças, em vez de um treinamento que tornava o processo de alfabetização uma corrida de obstáculos para ingresso nas escolas maiores, sufocando a alegria e o sabor inusitado de aprender a linguagem escrita.
Estamos iniciando, neste ano, as séries de pré 1 e pré 2, no Curso de Educação Infantil, conscientes de que, se o Colégio Santa Cruz tem sido paradigma para outras instituições, principalmente porque tem conseguido agregar tradição e vanguarda, solidez e transformação, é sua responsabilidade ética repartir com a comunidade sua experiência, sua vocação e seu potencial, ampliando tanto quanto possível sua atuação educadora.
Reformas no campus
Em setembro do ano passado foram iniciadas as obras do prédio da Educação Infantil.
A casa que abrigou os Padres do Colégio Santa Cruz por muitos anos passou por uma reforma projetada especialmente para receber não apenas 250 crianças de cinco e seis anos, que vêm enriquecer nosso corpo discente, mas também um projeto pedagógico que entrelaça a prática educativa a muitos outros fios: beleza, alegria, natureza e infância.
Daí a opção por manter os jardins e interligá-los ao parque infantil, bem como por fundar a concepção de espaço em uma arquitetura expressiva e humanista, inspirada em Hundertwasser e Gaudi.
Os Padres passaram a residir, desde então, em uma casa próxima ao campus, na Rua São Bento do Sul, nas imediações da casa que, desde junho passado abriga o SAN.
Procedemos, ainda, nos últimos meses, a uma ampla reforma nas quadras e campos esportivos.
No espaço do Ensino Fundamental, foi construída uma quadra, em piso sintético, destinada a futebol de salão e handebol. O campo de futebol foi pavimentado e revestido de grama sintética.
No espaço do Ensino Médio, o campo de futebol oficial ganhou novo gramado, enquanto as antigas quadras foram redimensionadas para abrigar outras quatro, também em piso sintético, destinadas a vôlei, basquete, futebol de salão e handebol.
Informatização da Biblioteca e área privativa na Web
Em futuro próximo, a comunicação entre a comunidade Santa Cruz e o Colégio será ampliada, graças ao aprimoramento do site, que disponibilizará a pais e alunos sua nova área privativa, cujo acesso permitirá a obtenção, mediante senha individual, de informações on-line referentes a faltas e conceitos dos alunos, pareceres de professores, trabalhos de alunos, textos de consulta, entre outros dados.
Paralelamente, está em curso o processo de informatização de nossa Biblioteca. Já estão catalogados 9.000 títulos (correspondentes a quase um terço do total), que poderão ser consultados e reservados on-line por alunos e professores.
Apostando na educação
A crise da educação, que mencionamos de início, nasce do enfraquecimento de valores tão antigos quanto a civilização; daí o aprofundamento de nossas incertezas com relação ao futuro da família, da sociedade e da cultura.
Mas, se existe um caminho que pode viabilizar a vida, o convívio e a paz social, este é especialmente traçado pela educação. Como educadores, não podemos abrir mão de preparar nossos alunos para renovar um mundo que é de todos, nem de preparar-nos para dialogar com o futuro, investindo em novíssimas tecnologias, em conhecimento e, essencialmente, no homem em crescimento.
Por abordar esses temas e refletir sobre a pedagogia do Santa Cruz na história, estamos publicando novamente a Palavra do Diretor 1999, no capítulo IX: Educação para o século XXI.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1999
EDUCAÇÃO PARA O SÉCULO XXI
A Palavra do Diretor neste ano de 1999 propõe-se a uma breve reflexão sobre as discussões contemporâneas da educação e do conhecimento, relacionadas ao projeto geral do Colégio Santa Cruz.
Em todo o mundo, educadores e interessados em educação respiram a atmosfera reflexiva e otimista que a chegada de um novo milênio propicia. Ao mesmo tempo, são atingidos pelo desencanto com o pós-industrialismo e os efeitos da era da informação, que, paradoxalmente, aproximam nações e esfacelam culturas, democratizam o conhecimento mas fragmentam o homem.
Nessas circunstâncias, é preciso buscar saídas e rotas. E é exatamente à educação que se vêm consignando as esperanças de um tempo renovado e humanizado, bem como de uma sociedade mais ética; conseqüentemente, têm-se generalizado as preocupações com os caminhos da educação no século 21. Sucessivos seminários internacionais e incontáveis publicações sobre pedagogia, vinculadas ao avanço nas ciências cognitivas e teorias de aprendizagem, engendram e sustentam as reformas educacionais em todo o mundo.
Provável sintoma da globalização cultural e da generalização dos problemas, as reformas educacionais de diversas nações têm revelado forte identidade entre si, não obstante as diferenças culturais e econômicas. Nos quatro cantos do mundo fala-se em "integração curricular e desespecialização", "humanismo e diversidade''; e espera-se que "a aquisição de conhecimentos e competências seja acompanhada pela educação do caráter, a abertura cultural e o despertar da responsabilidade social."
Documentos da UNESCO e do Conselho Nacional de Educação
Em novembro de 1991, a Conferência Geral da UNESCO decidiu pela formação de uma comissão internacional voltada a refletir sobre educação e aprendizagem no século XXI. Um grupo de catorze eminentes figuras de todo o mundo, com formação cultural e profissional diversificada, presidido por Jacques Delors, iniciou os trabalhos em 1993. O relatório final da Comissão, apresentado no Congresso Internacional sobre Educação para o século XXI, em 1996, e editado dois anos depois (Learning: The Treasure Within), afirma que a educação deve responder às quatro necessidades de aprendizagem do próximo milênio: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Tal base formativa-informativa forneceria o passaporte para a lifelong education, fundamento essencial para a educação no próximo século.
Segue uma sinopse dos quatro pilares formu-lados pela Comissão.
Aprender a conhecer — Este fundamento considera que, a curto prazo, é preciso dar conta de extensa e intensa transformação no campo do conhecimento. Serão muito diferentes de hoje os conteúdos e o processo de aprendizagem, tanto quanto o próprio aprendiz.
Dadas as rápidas mudanças geradas pelo progresso científico e por novas formas de atividades econômico-sociais, pode-se dizer que metade do que os estudantes aprendem hoje será obsoleto nos próximos cinco anos, e metade do que estudantes precisariam saber ainda não foi inventado ou desenvolvido. Ou seja, o conteúdo da aprendizagem não apenas está mudando rapidamente, mas se expandindo exponencialmente.
É importante combinar um repertório sólido de conhecimentos gerais e diversificados com o aprofundamento em um número restrito de matérias. O essencial, sobretudo, é saber como saber, ou aprender a aprender, e isto inclui, primeiramente, as ferramentas de aquisição de conhecimento: linguagem, cálculo; depois, as ferramentas para aprender a analisar, organizar, operar o conhecimento e, finalmente, aplicá-lo convenientemente.
Aprender a conviver significa em linhas gerais o exercício da alteridade. Compreender o outro e sua história, tradições e valores espirituais; solidarizar-se; reconhecer a crescente interdependência entre homens e nações; investir em projetos comuns e aprender a gerenciar conflitos inevitáveis de modo pacífico e inteligente. Segundo a comissão, trata-se de uma utopia, talvez, mas uma utopia necessária e mesmo vital, se quisermos escapar do perigoso círculo vicioso sustentado pelo cinismo e pela resignação.
Aprender a fazer implica a aquisição de competências para lidar com situações variadas e muitas vezes imprevisíveis. Em muitos casos, tais competências e habilidades são mais prontamente adquiridas por estudantes que têm oportunidade de envolver-se em experiências práticas ou de trabalho social enquanto ainda estão na escola. Deve-se atentar para a importância de métodos de educação que alternam teoria e prática. De um modo geral, o processo de aprendizagem deverá envolver interação e diálogo, enfatizando-se cada vez mais o trabalho em equipe.
Aprender a ser — No século XXI, será preciso viver a autonomia combinada com um forte sentido de responsabilidade, visando atingir metas comuns. Há ainda outros imperativos: o potencial individual não pode ficar adormecido em cada um como tesouro enterrado: raciocínio, imaginação, senso estético, corporalidade, comunicação interpessoal devem emergir através do estímulo externo da educação e do processo indispensável de autoconhecimento.
O documento da UNESCO afirma, em síntese, a necessidade de formação de toda uma sociedade aprendiz, fundada na aquisição, renovação, troca e aplicação do conhecimento, durante toda a vida.
O Conselho Nacional de Educação finalizou, recentemente, a redação das Diretrizes Curriculares para o Ensino Médio. Esse texto serve de parâmetro para os cursos de âmbito nacional e apresenta, além de considerações normativas, concepções filosóficas e pedagógicas norteadoras de uma educação para o futuro. Nessas Diretrizes, são incorporadas as conclusões mais importantes da comissão da UNESCO, adaptadas às especificidades econômico-culturais brasileiras.
Inspirada no pilar Aprender a fazer, as Diretrizes Curriculares preconizam para a pedagogia nacional a denominada Estética da sensibilidade. Expressão do mundo contemporâneo, tal estética rejeita a tendência à repetição e padronização, típica da era das revoluções industriais. Busca-se estimular a criatividade, o espírito inventivo, a curiosidade pelo novo, a afetividade, para facilitar aos jovens a convivência com a inquietação, a incerteza, a imprevisibilidade e a diferença.
Inspirado simultaneamente nos pilares Aprender a Conhecer e Aprender a Conviver, o texto do CNE apresenta como segundo princípio a Política da Igualdade.
Seu ponto de partida são os direitos humanos, especialmente o exercício desses direitos associado aos deveres da cidadania. Considera, ainda, em síntese, que a política da igualdade acaba por tornar-se um conteúdo de ensino, sempre que nas ciências, artes, linguagens estiverem presentes os temas do respeito, da responsabilidade e da solidariedade e sempre que os conteúdos curriculares se contextualizarem nas relações pessoais e práticas sociais.
Finalmente, a Ética da Identidade, inspirada no pilar Aprender a Ser, reconhece que a educação é um processo de construção de identidades. E a finalidade mais importante da ética da identidade seria formar pessoas autônomas, solidárias e responsáveis.
Tal princípio lembra que, ao disseminar a informação, a tecnologia amplia as possibilidades de escolha, tanto quanto as incertezas. Daí a importância de se construir a autonomia: sua identidade se constitui a partir da ética, da estética e da política, mas precisa estar ancorada em conhecimentos e competências intelectuais. "Esses conhecimentos sustentam a análise e a solução de problemas, bem como a capacidade de tomar decisões, de adaptar-se a situações novas, e a arte de dar sentido a um mundo em mutação."
Enfatizando a interdisciplinaridade e a transversalidade, que percorrem a concepção nuclear dessa pedagogia, o currículo do Ensino Médio se organiza em apenas três áreas:
• Linguagens, Códigos e suas tecnologias.
• Ciências da Natureza, Matemática e suas tecnologias.
• Ciências Humanas e suas tecnologias.
Nesse sentido, pretende-se superar a tradicional compartimentalização disciplinar, que tende a atomizar os conteúdos e usualmente desvincular os conhecimentos. Conseqüentemente, constrói-se um currículo em que os saberes, conceitos, competências e habilidades se entrecruzam, criam nexos, conexões em rede.
O Colégio Santa Cruz ontem e hoje
Princípios fundadores e novos projetos
Embora os fundamentos filosóficos do Colégio Santa Cruz tenham se revelado, desde sua fundação, profunda e amplamente educativos, é alentador acompanhar os investimentos recentes na renovação da educação, em escala nacional e internacional, e poder entrever, nas conclusões dos trabalhos e nas propostas educacionais para o próximo século, teses e argumentos constitutivos de nossos próprios projetos e de nossa linha filosófica.
Conforme pode-se ler no capítulo PROJETO SANTA CRUZ, neste Plano Diretor e em anteriores, Pe. Paul-Eugène Charbonneau afirmava que o objetivo último da educação é o processo de humanização integral, que se sustenta sobre os seguintes pilares formativos: a construção da inteligência crítica; a expressão emocional e a criatividade; a consciência moral e a ética da solidariedade. Cerne de tais pilares, o humanismo pleno se tece e se completa através do que Pe. Charbonneau denominava aprendizado da liberdade responsável.
Na organização curricular de ontem e hoje, é importante salientar a preocupação com a organicidade do conhecimento, tratado de forma a enfatizar as interações entre as várias disciplinas.
No Ensino Fundamental, por exemplo, face às especificidades da pedagogia nessa faixa etária, a multidisciplinaridade e a interdisciplinaridade ocorrem de forma bastante natural e constante, favorecendo a conexão dos conhecimentos, a rede de linguagens e habilidades e, sobretudo, a contextualização dos conteúdos. O capítulo referente ao Curso Fundamental 1 é bastante esclarecedor a esse respeito.
Neste ano, estamos aprimorando e concretizando no Ensino Médio alguns projetos pioneiros na pedagogia da multidisciplinaridade e da contextualização, associados filosoficamente aos princípios gerais já referidos.
Um deles, Expressão em Multimídia, na segunda série, é conduzido por professores de áreas diversas (Comunicação, Humanidades, Ciências Exatas e Informática) e propõe às equipes de alunos o desenvolvimento de projetos de pes-quisa a serem escolhidos dentre os seguintes temas: Bairros de São Paulo; Grandes Invenções; Mundo e Comunicação; Pensadores.
Outro, Ética e Cidadania, na mesma série, integra conteúdos de Filosofia, Ética, Sociologia e Ação Social em um projeto de experiência prática e estágios assistidos, em organismos destinados à assistência a carentes, crianças de rua, dependentes de drogas, deficientes físicos e idosos, entre outros. Os pequenos grupos de alunos permanecem uma tarde por semana na instituição escolhida, observando os trabalhos, avaliando a realidade e contribuindo com a equipe.
No primeiro projeto, está em curso nossa proposta de integração entre professores e disciplinas; a experiência do trabalho em equipe; e ainda a pesquisa, compreensão e expressão da história e da realidade de forma inventiva e transformadora. Talvez esse projeto seja, ainda, um bom exemplo da "estética da sensibilidade", definida pelas Diretrizes Curriculares, e do "apreendendo a fazer", sugerido pela UNESCO.
Em Ética e Cidadania, podemos vislumbrar os objetivos de formação ética e vivência da liberdade responsável, como dizia Pe. Charbonneau; ou "política da igualdade", como preconizam as Diretrizes. E até mesmo pensar as finalidades de tal projeto como uma "rede complexa" dos quatro pilares da UNESCO, a nosso modo: conhecer e conhecer-se; aprender fazendo e convivendo; tornar-se; humanizar-se.
Questões e Desafios
Em seu relatório final, Jacques Delors apresenta com acuidade alguns desafios a serem enfrentados e superados, para que se possa viabilizar uma política educacional comprometida com um mundo melhor. Vale dizer, para que se possa construir uma sociedade humana plural, multicultural e democrática. Eis os desafios:
— Como tornar-se cidadão do mundo sem perder as próprias raízes culturais? Como conciliar globalização e individualidade?
— Como harmonizar tradição e modernidade?
— Como articular a tendência ao imediatismo e ao efêmero, na sociedade contemporânea, com políticas educacionais que demandam estratégias pacientes e de efeito a longo prazo?
— Como conciliar a necessidade de competição, nas políticas sócio-econômicas, com a igualdade, na política educacional? Como reconciliar as três forças essenciais: a competição, que estimula; a cooperação, que fortalece; e a solidariedade, que une?
— Como equilibrar a expansão das informações com nossa capacidade de assimilação?
— Como aliar a perene aspiração humana por ideais e valores espirituais com o elogio constante ao consumismo e à matéria?
Não há respostas, preceitos, ou caminhos determinados. Tudo se fará (ou não) a seu tempo e na medida de nossa consciência e esforço.
Em meio a tantas incertezas e necessidades, entretanto, é a educação que nos fornece um alento e uma promessa: avançaríamos, se nos tornássemos uma imensa sociedade aprendiz.
A educação se faz durante toda a vida. O conhecimento, as aptidões, a faculdade crítica, a capacidade de agir do ser humano — tudo se refaz, move-se, transforma-se, enriquece. A noção de educação permanente precisa ser cultivada e exercitada, não apenas na escola, mas começando por ela.
Embora qualquer aspecto da vida ofereça oportunidade de conhecimento e autodesenvolvimento, apenas a sólida educação escolar pode propiciar a emergência das potencialidades de cada um. Mais importante que isso, ainda, é a escola tentar estimular em cada estudante a curiosidade intelectual, apontar-lhes o desejo e o prazer de saber, bem como a capacidade de aprender a aprender. A partir dessa experiência seria possível imaginar uma sociedade na qual cada indivíduo seria ao mesmo tempo e continuamente professor e aluno.
É responsabilidade da escola apresentar a seus alunos o conhecimento que a humanidade construiu. É responsabilidade de todos permanecer apreendendo: para reconstruir o que perdemos, para refazer o que deixamos morrer e para inventar o que é necessário, belo e possível.
Este Plano Diretor não resolve os impasses educacionais de nosso tempo, tampouco dá conta de desvelar completamente a ação e o investimento cotidiano desse imenso organismo de professores, alunos, saberes e aprendizados que constituem o Colégio Santa Cruz. Mas, sem dúvida, reflete nosso compromisso e nossa direção.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1998
Desde sua fundação, em 1952, e especialmente durante as décadas de 60 e 70, o Colégio Santa Cruz constituiu-se um símbolo da educação arrojada. Era uma voz de vanguarda relativamente isolada, já que a educação no país e, principalmente, a escola privada estavam há muito atreladas a uma concepção compartimentada e enrijecida de conhecimento e ensino. Nos anos 60 e 70, o espírito do Colégio Santa Cruz se formava, impulsionado pela mente brilhante do Pe. Paul-Eugène Charbonneau — incorporando-se ao vigor de suas palavras, à paixão pelo novo e pelo risco, ao questionamento das convenções conservadoras e dos preconceitos políticos. Pensamento, liberdade, democracia e criação soaram em nossas salas de aula, ecoando e respondendo as questões contundentes de uma juventude crítica e ansiosa por alterações de toda ordem: política, sexual, moral, cultural. Nos turbulentos anos de contracultura, o Colégio Santa Cruz sustentava os valores da modernidade e da transformação, dando-lhes substância filosófica e consistência ética.
Entretanto, os anos 80 — e boa parte da década atual — foram vazios de luta e polêmica. Os padrões intelectuais, sociais e morais — que em outros tempos haviam estimulado e realçado a rebeldia — foram lentamente desmontados e vencidos pelos movimentos iconoclastas. Desse modo, hoje, parece-nos não existir mais vanguarda, seja em termos culturais ou educacionais; quase não há vozes dispostas a defender a ordem e a tradição em contraposição a um coro descontente e inconformista.
Ao esgotamento dos confrontos, seguiu-se, de um lado, a indiferença da juventude diante de bandeiras, lutas, futuro. De outro, a escola privada, divorciada da realidade e de sua juventude, viu-se na contingência de buscar sua sobrevivência na idéia de uma estrutura empresarial, assumindo o "novo" como slogan e método. Assiste-se à universalização da "imagem do novo" e, conseqüentemente, sua banalização.
Neste fim-de-século, tudo indica que, à semelhança dos mercados econômicos, a escola esteja buscando a cumplicidade de seus estudantes, esteja preocupada em satisfazer um "consumidor" muitas vezes sem sonhos e entediado, excessivamente estimulado pela linguagem urbana e cibernética.
E de que forma o Colégio Santa Cruz se articula a essa realidade?
Creio que, hoje, a sabedoria está na busca do equilíbrio entre os pólos de ontem. Em lugar do confronto, a dialética. Em lugar da defesa indiscriminada do novo a cada dia mais efêmero, da novidade quase sempre superficial, acredito que o projeto educacional do presente deve estar fundado nas tradições da cultura humanista incluindo-se a Filosofia, a Arte, a Ciência — em diálogo contínuo com o futuro, com a natureza dinâmica da vida e do homem. Em síntese, incorporar e transcender a tradição; incorporar e transcender o novo. Harmonizar ambos, sem endeusar nem um, nem outro. Esta é uma matriz paradoxal, dialética e desafiadora. Mas é a matriz sobre a qual se assenta a história do Colégio Santa Cruz e o princípio que acomoda e impulsiona seus projetos recentes e futuros.
Dentre as várias circunstâncias que vêm conduzindo as modificações pedagógicas e curriculares do Colégio, ressalta-se a revisão da própria idéia de conhecimento, derivada das transformações históricas e científicas. Cada vez mais distante de um modelo uniforme, linear e mensurável, o conhecimento hoje se apresenta como um sistema aberto, passível de crescer e reorganizar-se. Desse modo, a aprendizagem é muitas vezes uma aventura, uma saudável tensão entre os conceitos adquiridos — o saber sedimentado — e a possibilidade contínua de explorar e criar que tanto estimula e enriquece a mente humana.
As novas gerações — que estão crescendo cercadas pelo espaço cibernético, conectadas a telas, instrumentalizadas pelo controle remoto — demandam outra linguagem educacional, outros recursos pedagógicos. Criados na cultura da simultaneidade, do ícone, da percepção fragmentada e ágil, nossos alunos vêm enfrentando dificuldades na aquisição de procedimentos de leitura e pesquisa vertical. Embora muitas vezes sintam-se estranhos à linguagem do universo adulto e escolar, eles esperam e cobram de nós, educadores, compreensão e diálogo, firmeza e sabedoria, crítica e estímulo. Paradoxalmente, para conduzi-los em seu processo de aprendizagem e transformação, é preciso também saber segui-los. Porque são eles que nos apontam o futuro e nos ensinam que é preciso adaptar-se, sempre.
Outro elemento que veio a desestabilizar a organização do sistema educacional nasceu da transformação do cenário urbano e da estrutura familiar. O crescimento da violência e do consumo abusivo de drogas marcam nossa sociedade, a cada dia mais destituída de valores e certezas. À perda do espaço físico e da proximidade familiar cotidiana, soma-se a carência de sonhos e expectativas, a carência de diálogo e consciência social dos jovens deste tempo.
Esta situação se reflete nas salas de aula e impõe aos educadores e à própria escola atribuições novas, papéis até então desconhecidos e entregues tradicionalmente à família, às igrejas, às instituições governamentais. Contudo, o elemento que, de início, foi desestabilizador, acabou por engendrar uma dimensão nova, mais abrangente e transformadora. Nesse sentido, a escola evolui, ampliando seu espaço e diversificando sua função.
Os projetos de Prevenção de Drogas, Orientação Educacional, Orientação Profissional e Ação Comunitária, entre outros, nasceram dessa circunstância, vêm sendo aprimorados permanentemente, e apresentam resultados educativos muito satisfatórios. Ainda, respondendo às necessidades de produzir-se uma "pedagogia do futuro", dialogando com o conhecimento e a linguagem dos novos tempos, criamos o Centro de Ensino de Informática e extensa programação destinada a alunos e professores; ingressamos na Internet e apresentamos o Colégio Santa Cruz através de um extenso e cuidadoso "site".
Apoiando esses projetos e, principalmente, buscando torná-los vivos e eficazes, ampliamos o quadro de educadores na área de Orientação Educacional e no corpo diretivo. Os cursos, cuja nomenclatura modificou-se em função na nova Lei de Diretrizes e Bases (em vigor a partir deste ano), foram reestruturados de tal modo que:
a) o Ensino Fundamental 1 (anteriormente 1ª a 4ª série do 1º grau) passa a contar com uma diretora e uma vice-diretora, além de duas orientadoras educacionais.
b) o Ensino Fundamental 2 (anteriormente 5ª a 8ª série do 1º grau) passa a ter um diretor, dois vice-diretores, uma orientadora pedagógica e quatro orientadoras educacionais, uma para cada série.
c) o Ensino Médio (anteriormente Curso de 2º grau) possui em seu quadro uma diretora, dois vice-diretores, e cada série é assistida por um coordenador e por uma orientadora educacional.
A contratação de mais profissionais da educação responde às necessidades ditadas pelas profundas transformações citadas, bem como à preocupação do Colégio com a observação individualizada do aluno, o acompanhamento necessário de seu processo de maturação psico-emocional e cognitiva, e também à facilitação do diálogo com a família.
Visando favorecer e concretizar a unidade pedagógica do Colégio Santa Cruz, convidamos durante o ano passado alguns consultores que pudessem prestar assessoria às direções dos cursos e seus professores, no sentido de dialogar, esclarecer, apontar direções e, principalmente, auxiliar na coesão entre os programas curriculares e os princípios pedagógicos dos três cursos.
Estão colaborando conosco nesse projeto de consultoria externa os professores Modesto Florenzano, na área de História e Geografia; Nélio Bizzo, na área de Ciências Naturais e Meio Ambiente; e Ernesto Rosa, na área de Matemática. Estamos também contando com a consultoria da profª Lúcia Lima especificamente para o trabalho de reestruturação do curso de Inglês no Ensino Médio. Lembramos, ainda, que Dr. Ernesto Bologna — que desenvolve conosco o programa de Prevenção a Drogas desde 1994 — continua assessorando as equipes diretivas e de professores em áreas diretamente relacionadas aos aspectos psico-sociais da educação.
Finalizando, é importante ressaltar que o ano de 1998 está se definindo especialmente pela implantação de novos projetos. De um lado, a reestruturação do Ensino Fundamental, agora articulado em dois ciclos complementares e autônomos; de outro, a reorganização curricular que está se processando no Ensino Médio. Tais alterações, aliadas à necessidade de adequação do Colégio à nova LDB, implicaram a produção de um novo Regimento Escolar. Esse documento, ainda em vias de aprovação pelos órgãos competentes, está transcrito no último capítulo deste Plano.
O Plano Diretor 98 do Colégio Santa Cruz — assim como os anteriores — concretiza a intenção firme de reavaliar permanentemente nossas concepções, de refletir sobre o sentido, a meta e a eficácia de nossa educação e, finalmente, de assinalar o diálogo sempre em processo entre escola e pais.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1997
Em setembro próximo, dois aniversários estarão sendo especialmente lembrados pela comunidade Santa Cruz: os 45 anos do Colégio e os 10 anos da morte do Pe. Charbonneau.
Entrelaçado casualmente por essas duas pontas diversas - a continuidade da vida e a lembrança da morte - o ano de 1997 vem semeando projetos e estimulando reflexões.
Grande parte dos princípios que sustentam a filosofia e a ação educacional do Colégio Santa Cruz são objeto e tema da obra do Pe. Charbonneau. Estudioso, arguto, polêmico, Pe. Charbonneau legou aos seus milhares de alunos a atitude crítica, o respeito à diversidade de pensamento, o amor à vida e às coisas do espírito. Aos seus leitores, deixou uma obra extensa, com títulos que abarcam questões relativas a sexualidade, drogas, adolescência, educação, Deus, casamento, ciência e política.
Fazendo jus ao entusiasmo criador do Pe. Charbonneau, nossa homenagem será em forma de um livro, em que constam sua biografia, seu itinerário filosófico e o comentário de alguns de seus textos mais significativos.
Quanto às comemorações pelo 45º aniversário do Colégio, gostaríamos de estendê-las para além da data convencional, inscrevendo-as, organicamente, no cotidiano dinâmico e vivo que somos impelidos a construir e entender, se quisermos fazer jus à essência renovadora da educação.
Não nos parece suficiente à escola buscar responder às necessidades de seu tempo e das circunstâncias sociais imediatas. A educação construída como efeito tende a permanecer atrás de seus alunos, em descompasso com a agilidade inevitável daqueles que são sempre jovens e novos. A escola que deseja reformar-se para corresponder às expec-tativas presentes, perceberá que, concluído, às expectativas de um momento superado.
A grande tarefa da escola é compreender os movimentos da história em profundidade, o que poderá lhe propiciar a capacidade de antever e antecipar-se. Para ser contemporânea de seus alunos, a escola necessita produzir conhecimento; articular a tradição organizada e estável à realidade fragmentada e imprevisível.
Sempre que idealizamos um projeto no Santa Cruz, temos preocupação com sua eficácia, seu alcance, sua vitalidade.
Por exemplo, a Comissão de Prevenção de Drogas, criada em 1993, deflagrou um plano de ação que se iniciou com a realização de um estudo sobre o universo de experiências reais de nossos alunos do 2º Grau. Seguiu-se anualmente um trabalho intensivo - realizado por uma equipe de educadores junto aos alunos, assessorada pelo psicoterapeuta José Ernesto Bologna - cujas fases delimitavam, estrategicamente: o arcabouço teórico-analítico sobre o uso de drogas; dinâmicas de grupo envolvendo situações cotidianas e, por último, apresentação de seminários, audiovisuais e encenações sobre questões polêmicas relativas ao tema.
Paralelamente ao trabalho desenvol-vido no Curso de 2º Grau, como já tínhamos previsto, essa atuação preventiva foi gradativamente se estendendo ao 1º Grau, preparando a participação de educadores deste curso no projeto.
Hoje essa Comissão de Prevenção constitui um grupo consolidado, que tem sido capaz de atuar também com segurança e sensibilidade junto a alunos, familiares e professores, sempre que necessário.
Neste ano, e nos próximos, estaremos mantendo esse processo permanente de prevenção e orientação, ampliando o grupo de alunos envolvidos em virtude da antecipação para séries anteriores.
Um olhar para o futuro imediato nos indica que o domínio da linguagem escrita e falada - ou, em outras palavras - a competência para comunicar-se, expressar as próprias opiniões, tanto quanto compreender a lógica de textos alheios - será um instrumento imprescindível para qualquer profissional de nível médio e superior. Paralelamente, a revolução produzida pela informática nos impõe também o conhecimento desta linguagem dos novos tempos, dessa espécie de "segunda língua", sem a qual o acesso aos benefícios tecnológicos globais estará inevitavelmente prejudicado.
Estamos implantando em 1997, na 6ª série, um novo curso, voltado para a produção e a compreensão de textos.
A ênfase é sobre o desenvolvimento do potencial expressivo e de comunicação das crianças. Entretanto, optamos por ministrar esse curso no Centro de Ensino de Informática, aliando a produção de linguagem à habilidade de utilizar os recursos dos microcomputadores e dos equipamentos gráficos de que dispomos.
O Centro de Ensino de Informática nesses últimos anos se tornou um importante espaço educativo do Colégio Santa Cruz. O CEI integra de forma dinâmica as funções de sala-de-aula, centro de pesquisa, sala de trabalho individual e em rede, fonte de recursos técnicos e gráficos, setor de orientação e apoio de usuários, entre outros. Além disso, constitui um núcleo que agrega e faz interagirem professores e alunos.
Ainda visando ao aprimoramento desse setor, estamos contratando uma linha telefônica privativa mais veloz (de 64kbps), que nos possibilita firmar parceria com uma firma provedora de acesso à Internet. Esse novo serviço nos permitirá acesso de qualidade à Internet durante 24 horas por dia, inclusive com o fornecimento de "e-mails" a professores e alunos, e a criação de um "site" do Colégio Santa Cruz.
O Plano Diretor 1997 busca estabelecer um sentido unificador para as diferentes instâncias pedagógicas do Colégio. Apresentamos, nos capítulos que seguem, a concepção e os objetivos educacionais do Colégio Santa Cruz, os projetos específicos dos diferentes cursos e da Pastoral, com seus respectivos calendários, programações e equipes.
Algumas questões pedagógicas específicas merecem, ainda, referências nesse Plano Diretor: aulas particulares e intercâmbio escolar. Como esses temas têm suscitado discussões entre os educadores, que ponderaram sobre a interferência que tais atividades podem ocasionar no processo educativo, remetemos aos pais, no ano passado, circulares em que expúnhamos o ponto de vista da escola sobre essas questões. Elas continuam sendo importantes, polêmicas, oportunas, e não completamente resolvidas.
Por isso, gostaria de compartilhar com os senhores, novamente, nossas reflexões a respeito.
AULAS PARTICULARES
Aulas particulares podem ser proveitosas, em circunstâncias especiais; porém, quando mal conduzidas, ou mal utilizadas, tendem a comprometer todo trabalho verdadeiramente educativo.
Temos percebido nos últimos anos, entre os alunos a partir da 5ª série, a utilização constante e por vezes ininterrupta de aulas particulares, paralelamente à freqüência ao curso regular.
Consideramos preocupante a forma como um recurso a que se deveria apelar apenas em caráter excepcional vema se generalizando e constituindo, em grande parte, um problema de ordem pedagógica e educativa, ao invés de um apoio legítimo e circunstancialmente necessário.
Entendemos que um aluno pode precisar do reforço da aula particular para acompanhar o conjunto da classe e responder aos objetivos curriculares, quando perdeu muitas aulas - por motivo de doença ou viagem - ou quando em processo de adaptação. Entretanto, espera-se que essas carências de aprendizagem sejam supríveis a curto prazo, para que o aluno se integre efetivamente a seu grupo e possa ajustar-se ao ritmo de aprendizado comum, com a independência imprescindível à formação de sua maturidade pedagógica e emocional.
Em outros casos também excepcionais, podem ocorrer problemas de aprendizagem vinculados a fatores psico-emocionais. Evidencia-se, então, a necessidade de um apoio psico-pedagógico a ser conduzido por profissionais especializados. Nessa circunstância, cabe à orientação educacional do curso encaminhar o aluno, em conjunto com seus pais, para a busca de solução do problema.
Observa-se também, em algumas fases do processo de aprendizagem e desenvolvimento do adolescente, dificuldades de concentração e assimilação de conteúdos muito abstratos, bloqueios com determinada matéria, ou mesmo desacertos emocionais com algum professor. Essas ocorrências são parte do cenário educativo e escolar, são comuns a muitos estudantes em diferentes graus e momentos. São preponderantemente temporárias e superáveis. Nesse caso, eventuais aulas particulares podem vir a estimular o aluno, auxiliá-lo a descobrir mecanismos de raciocínio diversos, ou até proporcionar-lhe maior segurança emocional para um desempenho acadêmico satisfatório. Mas é importante que elas sejam entendidas pelo próprio aluno como um acompanhamento transitório.
No entanto, a maior parte das vezes, as famílias vêm se preocupando em oferecer aulas particulares a seus filhos para suprir ausências injustificadas a aulas, ou a falta de esforço pessoal e envolvimento com o trabalho do grupo-classe. O aluno já espera com certeza poder obter com seu professor particular o conteúdo perdido, ou não assimilado, em determinada aula.
Ocorre que essa atitude conflitua com nossa proposta educacional de ensinar a pensar, de estimular a independência, o esforço pessoal e a busca do aprender. Não acreditamos em uma pedagogia sustentada por preceptores. A perda de uma aula não se reduz à perda de um conteúdo, mas de todo um dinamismo grupal vivo, único, que não se recupera com uma aula contratada individualmente.
A pedagogia da aula particular raramente está voltada para a aquisição de conhecimento. Seu objetivo visa o efeito a curto prazo: acentua-se o treinamento para a aprovação. Ensina-se a passar em uma prova, sem a preocupação de dimensionar a aprendizagem para um sentido amplo, posterior, operacional. Essa pedagogia do imediato e do apoio individual tem gerado em muitos alunos dependência e acomodação.
O Colégio Santa Cruz está consciente de que educar inclui a orientação dos alunos que apresentam dificuldades em matérias específicas ou defasagem pedagógica. Por isso - é importante ressaltar - tem se preocupado em oferecer aulas de reforço, recuperação e atendimento aos alunos de 1º e 2º grau.
Mas a responsabilidade do Colégio de proporcionar condições para a superação dessas carências deve ser compartilhada. Os pais podem refletir com seus filhos e com os orientadores sobre as reais necessidades de um acompanhamento individualizado, em acréscimo às aulas regulares e às aulas de reforço programadas e ministradas pelos próprios professores do Colégio.
Gostaríamos também de salientar que, quando se julgar adequada a recomendação de aulas particulares, apenas diretores, orientadores e, no curso de 2º grau, também os coordenadores, estarão autorizados a indicar professores para esse fim e mediante expressa solicitação da família. Ressaltamos também que, embora reconhecendo a existência de relações pessoais que possam interferir nessa deliberação, julgamos inconveniente que os professores do Santa Cruz ministrem aulas particulares a alunos do Colégio.
INTERCÂMBIO
Nos últimos anos temos observado que um número crescente de alunos do 2º grau tem manifestado interesse em cursar um ou dois semestres letivos no exterior, participando de intercâmbios escolares.
Em alguns casos, o intercâmbio favorece o desenvolvimento do adolescente, seja porque a experiência de afastar-se dos grupos familiares e sociais lhe proporciona maturidade e independência, seja pelo aprendizado de uma língua estrangeira.
Entretanto, em inúmeros casos preva-lecem as desvantagens. Além de serem comuns os casos de dificuldades de readaptação, em sentido amplo, temos deparado constantemente com casos de sérios prejuízos pedagógicos. A considerável interrupção da seqüência curricular e programática, em um Colégio com alto nível de exigência acadêmica como é o Santa Cruz, interfere no aprendizado, podendo acarretar a perda do ano letivo.
Ressaltamos que não há regras gerais previstas para intercâmbio, cabendo à escola e à família analisar em conjunto cada situação, especificamente. Por outro lado, é nosso dever apontar os casos em que essa experiência é viável ou absolutamente inadequada.
Na 1ª série do 2º grau, a perda de qualquer período letivo implica mais que a defasagem em termos de conteúdo, já que professores e educadores estão voltados para um projeto educacional amplo nessa série, incluindo sociabilização e formação de métodos de estudo.
Para os alunos da 3ª série do 2º grau, há indicações de que a permanência no exterior, mesmo durante curtos períodos, interfere no resultado dos exames vestibulares.
Para os alunos da 2ª série do 2º grau, o intercâmbio poderá ser realizado, desde que se atente rigorosamente para os períodos de avaliação. As normas de avaliação são válidas para todos os alunos, em qualquer circuns-tância. Desse modo, se o aluno interromper seu curso no segundo semestre, com pendência de NR (disciplina não recuperada), deverá voltar no mês de dezembro para realizar a prova de recuperação mediata.
Caso deixe de fazer essa avaliação, o aluno deverá cumprir o processo de recuperação intensiva (mês de fevereiro), cuja prova abrange o conteúdo anual da disciplina correspondente. Lembramos, ainda, que, nos termos regimentais, a dependência não é um direito imediato, mas uma concessão especial a ser definida pelo Conselho de Série, que não a recomenda nos casos de alunos que fizeram intercâmbio.
É necessário salientar que o Colégio, através de seus coordenadores de série ou orientadores educacionais, coloca-se à disposição para analisar com os pais as situações individuais, ou mesmo prestar outros esclarecimentos referentes ao assunto.
Prof. Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1996
Escola e juventude: uma sincronia necessária
Contemporâneo e interlocutor privilegiado da iconoclasta juventude dos anos 60 e 70, Pe. Paul-Eugène Charbonneau costumava enfatizar que a família e a escola têm necessidade de redimensionar-se continuamente, para poder educar de fato seus jovens. Se não somos capazes de questionar nossos valores pessoais, se nossas verdades nos parecem definitivas, não poderemos jamais compreender os sonhos, os gestos, as dores de nossos próprios filhos.
Essa orientação, há 20 anos atrás, soava renovadora e otimista. Hoje, considerando a diversidade de problemas que envolvem toda a sociedade e especialmente a juventude deste final de século, as idéias do Pe. Charbonneau parecem mais perturbadoras e nos inquietam : como nos manter atualizados no ritmo vertiginoso desse nosso tempo, em que nada parece feito para durar ?
As transformações radicais da sociedade pós-industrial, a revolução produzida pela informática e sua expansão social, especialmente nos últimos cinco anos, estão gerando um homem novo, que ainda não somos capazes de compreender. Nossas crianças se relacionam, estruturam sua concepção de mundo, aprendem e estão sendo marcadas por um contexto cultural muito diverso daquele que nos formou, nos libertários anos 60 e 70. Sabemos que ninguém é tão sensível ao novo quanto a criança e o jovem. E se eles incorporam inovações com naturalidade e rapidez, o mesmo não ocorre com a escola, ou com as gerações mais velhas, para as quais os fatos vividos não resultam imediatamente claros ou consensuais.
Os princípios norteadores da educação, como a entendemos e realizamos no Colégio Santa Cruz, apontam para a valorização do homem, da liberdade, da diversidade de opiniões; para a formação de uma cidadania consciente e crítica; para o amor e o respeito à vida. Mas se as funções de nossa escola idealmente estão definidas, o mesmo não ocorre com suas formas de atuação, que devem se alterar, em direção ao futuro, e em sincronia com a história.
O caráter abrangente e oportuno dessa questão - a juventude do fim-de-século e a crise sócio-cultural de nosso tempo - levou-nos a tomá-la como objeto de discussão em vários momentos, durante o ano de 1996. Será tema da palestra aos pais dos alunos da 1ª série do 2º grau, no final de março. Motivará, também, seminários dos grupos de educadores vinculados à área de Orientação Profissional e ao Programa de Prevenção ao Uso de Drogas.
Este último projeto supõe, em 1996, a ampliação dos grupos de trabalho, além do aperfeiçoamento de sua dinâmica interna e dos modos de atuação junto aos alunos. O programa de prevenção, sob a consultoria do psicoterapeuta José Ernesto Bologna, tem-se mostrado igualmente eficaz na assistência aos educadores, proporcionando-lhes segurança e sensibilidade na percepção e condução dos casos relativos a consumo de drogas, quando ocorrem. Embora até 1995 permanecesse especialmente dirigido aos alunos do curso de 2º grau, prevê-se a extensão gradativa do projeto às séries finais do 1º grau, a partir deste ano.
Outra atividade de interesse crescente entre os alunos da 3ª série do 2º grau é o programa de Orientação Profissional. Implantado há alguns anos, vem-se adequando e firmando-se como um importante núcleo de aconselhamento e preparação para a escolha profissional. Conduzido pela orientação educacional do curso de 2º grau, o trabalho se realiza através de aulas, dinâmicas de grupo e seminários.
O texto Crise e Escolha aborda esse tema e analisa as prioridades, tendências e expectativas de nossos alunos quanto a vestibulares, vocação e futuro profissional. Apontamos também os modos de atuação psicológica desse programa, que busca amenizar a ansiedade e os conflitos gerados pela necessidade pessoal de uma definição precoce sobre o próprio futuro, pelas pressões e expectativas externas e pelos dados reais e circunstanciais do mercado de trabalho.
Paralelamente, para reforçar o ajustamento entre a escola e uma realidade sócio-cultural em mutação, temos atualizado e ampliado continuamente nosso projeto de utilização de novas tecnologias educacionais. Não há como adiar a inevitabilidade da educação corresponder à demanda de uma sociedade cada vez mais informatizada e interagir com ela. Nesse sentido, o Santa Cruz insiste em evoluir, compartilhando do avanço dos computadores e buscando inserir-se nessa rede telemática global.
O Centro de Ensino de Informática vem sendo aparelhado com um número maior de máquinas para atender a toda a comunidade escolar, além do investimento em programas específicos para reforço pedagógico e auxílio ao professor na preparação de material didático e de pesquisa.
Etretanto, não duvidamos de que a informática, na escola, deva estar a serviço de um projeto educacional. A tecnologia moderna é um instrumento eficaz para a aprendizagem, mas tem quase nada a oferecer-nos em termos de valores. Provavelmente, a curto prazo, haverá de alterar ainda muito mais a linguagem, a sociabilidade e a relação do homem com o conhecimento, porque é um signo dessa nova era. Mas mesmo em uma sociedade automatizada, na área da educação os recursos humanos permanecerão como os porta-vozes dos princípios que alicerçam nossa civilização.
Reformas
Também constitui preocupação da Direção do Colégio o estudo e a melhoria constante do campus e seus edifícios. A qualidade do espaço físico da escola compartilha com o projeto pedagógico nossa atenção e investimento. Não apenas o envelhecimento natural dos pavilhões e sua infra-estrutura exigem reformas regulares, como também a transformação urbana e social influenciam a ampliação ou a alteração da arquitetura escolar.
No início do ano passado, além das instalações do novo Centro de Ensino de Informática, finalizamos a reforma do Anfiteatro no prédio do 2º grau, equipando-o com os recursos de multimeios necessários a projeções especiais. Trata-se de um espaço de 150 lugares, propício a eventos culturais diversificados. Nessa mesma perspectiva, inauguramos em setembro último o novo saguão de entrada, projetado de forma a tornar-se um espaço para exposições, aberto à expressão criativa de nossos alunos e professores, ou mesmo de artistas convidados.
Para o início deste ano letivo, foram reformados todos os banheiros destinados aos alunos, visando-se a necessidade de atender faixas etárias diversas, a modernização das instalações e a utilização de novos materiais mais apropriados e de fácil manutenção.
Sistema de segurança
Concluindo essa etapa relativa à construção ou reformas prioritárias, decidimos colocar grades altas e mais seguras ao redor de todo o campus, em substituição ao antigo alambrado. Nesses últimos anos, o desenvolvimento urbano e a propagação da violência e do desrespeito ao indivíduo nos impõe a responsabilidade de alterar um pouco a concepção arquitetônica bastante aberta do Colégio. Também por isso, estamos instalando nas portarias um sistema de catracas com leitura óptica, para controle de entrada e saída, e contratamos mais funcionários responsáveis pela segurança interna.
Neste final de século, ironicamente, é necessário proteger, seja com grades austeras ou modernas tecnologias, nossos eternos valores de liberdade e amor à vida.
Conselho Administrativo
Em 1995 foi empossado o novo Conselho Administrativo do Colégio Santa Cruz, tendo-se iniciado suas atividades no ano em curso. As funções do Conselho estão descritas no Capítulo II do Regimento Escolar. Finalizando, gostaríamos de mencionar seus integrantes e respectivas comissões.
COMISSÃO DE EDUCAÇÃO
Arthur Fonseca Filho
Fernando de Castro Reinach
João Carlos Setúbal
COMISSÃO DE FINANÇAS
Cândido Botelho Bracher
Durval Figueira da Silva Filho
Ricardo Belotti
COMISSÃO DE PASTORAL
Pe. José A. de Almeida Prado, c.s.c, (presidente do Conselho)
José Ernesto Bologna
José Mário Brasiliense Carneiro
MEMBRO NATO
Diretor Geral do Colégio Santa Cruz
São Paulo, 1º de março de 1996.
LUIZ EDUARDO CERQUEIRA MAGALHÃES
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1995
No início de fevereiro, o presidente Fernando Henrique Cardoso marcou o início do ano letivo de 1995 ministrando aula em uma classe de 1º grau de uma escola na longínqua e desconhecida Santa Maria da Vitória, no sertão da Bahia.
Disposto a comunicar seu propósito de revitalizar a educação no país, o professor Fernando Henrique nos proporcionou bem mais que a publicidade de um projeto de governo. A cena ao mesmo tempo prosaica e incomum dessa aula é um raro exemplo da harmonia possível entre os opostos, interligados pelo princípio basilar de todas as civilizações: a educação.
O processo educacional eficaz aproxima e liberta os homens. E apenas ele parece capaz de dissolver o contraste dramático entre os poderes intelectual e político de poucos e as carências inomináveis dos milhares que não sabem ou não conseguem ser cidadãos.
Entretanto, da Universidade de Paris à Bahia, do presidente aos filhos dos pobres, do cidadão do mundo ao interior perdido, há um itinerário real e possível. Fernando Henrique Cardoso dignificou os professores ao trilhar o caminho entre o ideal pedagógico e sua prática. Depois de grandes projetos culturais e de toda teoria sócio-política, chega-se às necessidades primeiras e concretas, fotografadas nesse cotidiano descalço, recortado pela secura do solo, das vidas e do futuro do sertão.
O contraste entre o presidente e as crianças se ameniza e emociona, porque tem lugar no espaço universal da sala de aula. Nos cadernos novos sobre as mesas, as crianças copiam as palavras que o professor escreveu no quadro, e de olhos abertos silenciosamente esperam entender as palavras, o homem e a vida. é um quadro muito comum, conhecido, vivenciado; mas nele flagramos o raro encontro entre categorias tão polares e diversas nos reafirmando a importância e a urgência da educação para todos.
No dia seguinte à ilustre visita, as aulas foram suspensas. A decepção diante da escola fechada também reafirma a importância e a urgência da reeducação dos próprios educadores.
Em meio à ineficiência generalizada do ensino, o Colégio Santa Cruz constitui uma das experiências educacionais bem sucedidas em todo o país. E se, por um lado, é utópico supor que a mera transferência de um modelo produtivo para outras instituições solucione suas deficiências, por outro é inegável que escolas como o Santa Cruz tenham muito a oferecer aos projetos educacionais públicos.
Em 42 anos de atividade, o Colégio Santa Cruz tem respondido dinamicamente às transformações sociais, históricas, morais e enfrentado com honestidade e vigor as dificuldades inerentes à tarefa de educar os jovens: suas expectativas mutantes, as questões sempre novas que eles nos impõem, as revoluções afetivo-sexuais de cada geração, seu entuasiasmo e apatia, sua liberdade e carência.
O espírito surpreendente e rico da juventude mobiliza, em um colégio como o Santa Cruz, mais que cuidadosos planejamentos curriculares, bons cursos e organização administrativa. é necessário, antes de tudo, contínua disponibilidade dos educadores para analisar e reavaliar a eficácia do processo educativo; e, em conseqüência, a persistência para recomeçar.
No ano passado, o Conselho Estadual de Educação renovou, por mais seis anos, a concessão ao Colégio Santa Cruz para que seu projeto educacional possa realizar-se em nível de "experiência pedagógica". Essa concessão nos confere a indispensável autonomia para definir a organização curricular ou readaptá-la às necessidades de nossos alunos.
Desde 1993, os Conselhos Plenos de Direção, formados pelos Diretores dos Cursos, Coordenador da Pastoral e Animador Espiritual, vêm valorizando, nesse âmbito, a análise de questões essenciais da escola. Ao longo de 1994, as reuniões deste grupo se aprofundaram no tema do aprimoramento da qualidade educacional no Santa Cruz.
Esse esforço nos tem permitido permanecer num merecido patamar de excelência; não obstante, temos por princípio que nenhuma instituição escolar pode ser uma ilha. Ela pertence irredutivelmente à sociedade; seus objetivos educacionais ganham vida apenas quando a escola interage amplamente com as circunstâncias, principalmente com as que lhe são diversas.
A concepção humanista e modernizante de educação direcionou os padres de Santa Cruz, desde 1952, à fundação de uma escola voltada, inicialmente, para uma pequena parcela da comunidade, que não só se identificava com suas propostas de ensino, mas que tinha condições econômicas de sustentar essa opção educativa.
Todavia, no início dos anos 70, o Colégio Santa Cruz abriu-se também para uma experiência democratizante de ensino, mantendo-se fiel aos seus princípios iniciais. A criação do Curso Supletivo, destinado àqueles que não tiveram acesso a um ensino regular, ousava desmentir, desde sua criação, a tese cristalizada de que cursos de suplência eram essencialmente emergentes, superficiais, carentes de projeto.
Lembrando os 20 anos de criação do Curso Supletivo, o Santa Cruz organizou o Encontro de Educação de Adultos, de 18 a 20 de novembro passado, que reuniu dezenas de educadores voltados para essa área e que refletiram em geral sobre formas de aprimoramento de qualidade do ensino supletivo e o cumprimento das expectativas e necessidades de sua clientela.
O Plano Diretor 1995, assim como o anterior, apresenta a concepção e os objetivos educacionais do Projeto Santa Cruz que, englobando todos os cursos e atividades, estabelece um sentido unificador para as diferentes instâncias pedagógicas do Colégio. Além desses capítulos teóricos, o Plano Diretor sintetiza as realizações, em 1994, de alguns projetos educativos complementares, como o trabalho de prevenção de drogas e a ampliação dos recursos e da utilização pedagógica do novo Centro de Informática.
A Comissão de Prevenção de Drogas e Aids, criada em 1993, deflagrou um processo de planejamento de estratégias para a prevenção de drogas, cuja eficácia poderia ser maximizada a partir da realização de uma pesquisa capaz de detetar o universo de experiências de nossos alunos no campo da sexualidade e das drogas. (Lembramos que o resultado dessa pesquisa e a análise de seus dados constaram do Plano Diretor de 1994.)
No ano passado, a continuidade desse trabalho esteve centralizada em uma equipe composta por educadores do Curso de 2º Grau, assessorada pelo psicoterapeuta José Ernesto Bologna. A atuação na área de prevenção do uso de drogas desenvolveu-se, em 1994, especificamente junto aos alunos da 2ª e 3ª séries do 2º Grau.
Salientamos que, embora voltada a um grupo, não se exclui nem minimiza a orientação permanente dos outros alunos, notadamente a partir da 5ª série do 1º grau, já que temos consciência de que o desafio das drogas exige um trabalho contínuo, a ser iniciado em estágios ainda anteriores à adolescência.
O texto Drogas: uma experiência multidisciplinar preventiva constitui um relato dessa experiência e as propostas da Comissão para 1995.
No final do ano passado finalizamos a reforma das instalações destinadas à ampliação do Centro de Informática , que passa a contar com 4 salas-ambiente com os computadores ligados em rede, além de softwares auxiliares no processo de aprendizagem das diferentes disciplinas , em todos os níveis, e na criação e ampliação de estratégias didáticas.
As novas instalações viabilizam a retomada dos cursos de Computação, que o Colégio vinha oferecendo há mais de dez anos, desde que inaugurou seu primeiro laboratório. Nessa área, as necessidades rapidamente se alteram, exigindo a reciclagem e atualização permanentes dos cursos destinados à operação de programas cada vez mais especializados.
O texto Educação e Informática: uma parceria necessária detalha os recursos já em atividade do novo Centro de Informática e antecipa alguns dos projetos a serem implantados em futuro próximo.
A fim de possibilitar a instauração gradativa de atividades na área de Multimeios, procedemos à reforma do anfiteatro no prédio do 2º grau e à instalação de um telão, equipamentos de vídeo e demais recursos audiovisuais. Dessa forma, o Colégio passa a dispor de um anfiteatro com 150 lugares, com destinação múltipla. Nele estão previstas a realização de reuniões, conferências, aulas que demandam projeções especiais e, principalmente, a criação de um espaço que propicie aos alunos a oportunidade de ampliar seu universo cultural.
Ao final deste Plano Diretor, reproduzimos o breve histórico do Colégio Santa Cruz, ou a Pequena crônica de um ideal que, embora tenha sido escrita para iniciar o Plano do ano passado, merece reavivar-se no presente, já que é vivo e interminável o ideal que criou o Colégio, e fecundo o sonho e o trabalho que o alimentam.
Professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1994
Em poucos campos da atividade humana a unidade é tão difícil e necessária, quanto na educação. Isso porque, para aqueles que trabalham com a educação tal qual a concebemos, unidade não significa homogeneidade, mas harmonização de componentes heterogêneos; o respeito pela diversidade é um princípio básico quando se busca compor um todo, tão integrado quanto múltiplo, tão único quanto complexo.
Se, por um lado, desconsiderar as diferenças humanas em nome da uniformidade nos impede de formar homens livres, por outro, a tirania da individualidade, a aceitação sem crítica de todas as características pessoais nos conduz à fragmentação e ao trabalho sem finalidade.
A definição do projeto educativo do Colégio Santa Cruz se funda sobre a tentativa de superação dessas contradições. Contudo, para formar homens livres e cidadãos conscientes não bastam intenções e conceitos. É necessário um trabalho árduo, diário, um aprimoramento cuidadoso de cada ação, um questionamento contínuo sobre nossas atribuições e seus resultados concretos.
Durante o ano passado (1993), uma das tarefas a que me propus foi o fortalecimento da unidade do Colégio, a conciliação dos seus Cursos e a integração mais produtiva de todas as atividades pedagógicas em torno de um projeto maior, comum, harmônico. Para isso, valorizaram-se amplamente os Conselhos Plenos de Direção, em que os representantes dos Cursos, da Pastoral, do SAN e das Comissões, além de exporem e discutirem os programas diretamente vinculados aos setores que coordenam, participaram de um processo de mútua avaliação, de troca de experiências e de apreciação conjunta das necessidades dos alunos frente às transformações sociais; tal processo, ainda em curso, revitaliza a análise de nossa prática pedagógica, em âmbito geral.
O Plano Diretor 1994 corresponde a esse sentido unificador que se tem imprimido às instâncias pedagógicas do Colégio. Diferentemente dos anos anteriores, criamos apenas um Plano Diretor, que reune todos os Cursos e atividades do Projeto Santa Cruz, traduzindo, assim, a concepção de uma unidade educacional que, embora inclua e admita a diversidade, esforça-se por formalizar uma linguagem comum. Este Plano intenciona expressar o nexo entre todos os departamentos, a identidade entre os grupos diretivos, os educadores, os alunos. As especificidades são inerentes a cada Curso, mas se revelam articuladas, consonantes.
É nosso propósito que o Plano Diretor, ao documentar nossas concepções e nossa atuação educativa, torne-se estímulo a um diálogo abrangente, de múltiplos interlocutores. Ao fazer-se conhecer, o Colégio se abre à apreciação e à análise para sua própria equipe de educadores, fortalecendo o trabalho conjunto e o exercício da crítica.
Expor nosso projeto também é um modo de convidar idealmente os pais a participar das aulas e do processo de formação que preparamos para seus filhos. Sabemos que, sem dúvida, um colégio se faz conhecer por sua ação; mas esta usualmente se dispersa entre milhares de alunos e memórias, dissipando-se na rotina escolar, quase sempre distante dos pais.
Desse modo seria essencial que o projeto apresentado neste Plano Diretor fosse objeto do conhecimento e avaliação de seus leitores que, direta e indiretamente, motivam e sustentam sua existência.
Durante o ano de 1993, foram criadas duas Comissões compostas por educadores dos três cursos e destinadas, respectivamente, ao desenvolvimento de estratégias visando à prevenção de drogas e aids e ao estudo de novas tecnologias educacionais aplicadas à educação.
Os recursos pesquisados pela Comissão de Novas Tecnologias são multidisciplinares; é inegável que a utilização de softwares e de equipamentos de multimídia cada vez mais avançados constituem um novo apoio pedagógico, incluindo reforço de aprendizagem, motivação dos estudantes e enriquecimento das estratégias didáticas. Os resultados dessa Comissão serviram de subsídio à Direção Geral em sua intenção de reequipar o Colégio, na área de Informática. Nosso Laboratório e cursos de Computação existem há mais de dez anos e têm sido objeto de ampliação constante. Contudo, a velocidade dos avanços tecnológicos constitui um desafio à nossa intenção de atualização contínua.
Nesse início de ano estamos adquirindo mais trinta novos microcomputadores, para auxiliar os trabalhos pedagógicos. Paralelamente, as instalações do Laboratório exigem, nas atuais circunstâncias, um remanejamento de setores e a reforma parcial das instalações destinadas à Informática. Desse modo, esperamos viabilizar brevemente os novos cursos de Computação que estão sendo programados, além da utilização completa dos recursos em implantação.
A Comissão de Prevenção às Drogas e Aids realizou debates, analisou diferentes concepções de pesquisadores e teóricos e reuniu-se em particular com Dr. Claude Olievenstein, diretor do Centro Marmottan de Paris, destinado ao tratamento e à recuperação de dependentes de drogas. O que há em comum entre nossos educadores e os diversos especialistas é prioritariamente a consciência de que o uso de drogas entre a juventude é um desafio perene e de que o trabalho mais eficaz é o da prevenção, a ser iniciada em estágios ainda anteriores à adolescência.
Seguros, também, de que qualquer questão vinculada à sexualidade mereça uma abordagem especialmente cuidadosa, a Comissão considerou essencial a realização de uma pesquisa que definisse o perfil do jovem do Colégio Santa Cruz. Esta haveria de tratar especialmente do universo de experiências nessas áreas, para que fosse criado um projeto de prevenção e orientação específico, a partir de informações concretas e não de conjecturas ou dados provenientes de outros grupos similares.
A pesquisa feita com os alunos de 2º Grau, a partir dessas considerações, e a análise de seus dados pelos educadores do Colégio serão examinadas e discutidas em nível mais amplo no decorrer das reuniões pedagógicas. Por ora, estamos compartilhando também com os pais nossas preocupações quanto à generalização de alguns comportamentos de nossos jovens, confirmados nessa pesquisa, e possibilitando uma reflexão em conjunto sobre o problema. A reunião com os pais dos alunos da 1ª série do 2º Grau dará início a esse processo, contando com a participação de um especialista como mediador nas discussões sobre o abuso do álcool entre os adolescentes.
Os resultados dessa pesquisa vêm ao encontro de outras questões inquietantes, relativas à rapidez com que o tempo transforma as expectativas das gerações que continuamente recebemos e as dificuldades de acompanhá-las, ou até mesmo compreendê-las. Interessadas na reciclagem de suas equipes, as Direções de Curso têm proporcionado aos professores, nas reuniões de planejamento, palestras e seminários sobre os vários problemas que acompanham as atividades educativas, entre eles a compreensão do complexo e instável universo adolescente, a quem nos compete conduzir.
Os educadores são testemunhas e cúmplices da transformação viva e veloz das crianças em adultos, e percebem, perplexos, que suas crianças ou seus jovens são sempre novos e únicos; não há normatização pedagógica capaz de incluir ou prever tantas alterações. Daí a atividade educativa ser permeada pela interrogação e pela busca, pelo ajustamento contínuo ao tempo, pela coragem de superar o conformismo e a acomodação.
Ao definir educação como a "tarefa de preparar o futuro", Pe. Charbonneau afirmava que "para vinho novo, odres novos", ou seja, não se molda a juventude em quadros que serviram para construir o passado. E completa sua definição: "Enquanto amadurece a uva com a qual se fará o vinho de amanhã, tentaremos descobrir em que odres ele poderá repousar sem arrebentá-los."
Iniciamos o Plano Diretor 1994 discorrendo um pouco sobre a história do Colégio, à qual se mescla a história de seu fundador; apresentamos em seguida o Projeto Santa Cruz, que alicerça a concepção específica dos Cursos e define nosso ideário. A seriedade com que elegemos nossos princípios e a confiança que lhes atribuímos talvez sejam a melhor matéria prima possível para a criação de odres resistentes e capazes de emprestar, a seu jovem conteúdo, o sabor essencial e perene da vida.
Professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
Palavra do Diretor 1993
No Plano Diretor de 1966, o Padre Charbonneau escrevia, entusiasmado, que o Colégio Santa Cruz era de certo modo um espelho deste país. Para ele, ambos eram novos e estavam se construindo à revelia de modelos externos, buscando e antevendo um futuro cheio de possibilidades.
Hoje, as circunstâncias nos impelem a olhar para trás com certa nostalgia do que poderíamos ter sido; e nos obrigam a ver, ao lado e à frente, um país precocemente envelhecido e desarmado do entusiasmo de então.
Não obstante, é confortável constatar que o Colégio tenha se imposto uma outra história, mais otimista, e um outro governo, mais firme e humanitário.
Para todas as pessoas – alunos, professores, funcionários, padres, diretores – que conviveram com essa "história mais otimista", o Colégio se revela, em geral, como fragmentos de memória dispersos pela emoção e atrapalhados pelo tempo. Nesse sentido, os Planos Diretores podem cumprir uma função ordenadora, histórica e crítica.
A cada ano, esse conjunto de textos estabelece normas, esclarece e atualiza currículos, programa e documenta as transformações acadêmicas e estruturais do Santa Cruz. E a cada ano, a Palavra do Diretor tem intencionado ser uma síntese dessas realizações e projetos.
Entretanto, a página introdutória do Diretor tem inevitavelmente ultrapassado esses propósitos, e vem registrando um ideário, vem refletindo as circunstâncias políticas, sociais, econômicas.
Em 1982, por exemplo, Pe. Corbeil é incisivo; não há sentido em desvincular a Educação de um sentido libertador: "Esta escolha significa basicamente optar pela Justiça e fazer desta o critério por excelência da ação." E as palavras do Pe. Charbonneau reforçam: "Sem deixar de lado as responsabilidades acadêmicas que nos cabem, queremos que 1982 seja um momento privilegiado do despertar da consciência sócio-política de nossos alunos."
Estas idéias derivam, por um lado, da posição da Igreja afirmada nas Conferências de Medellin e Puebla; por outro anunciam a abertura e o retorno do país à democracia.
Os editoriais da Direção Geral constituem, de fato, a memória mais precisa do Colégio.
Essas considerações permitem inscrever meu texto igualmente nessa história. Em princípio, ele indica o completar-se de um ciclo iniciado em 1980, quando a Congregação de Santa Cruz deliberou acrescentar um membro leigo à Direção Geral do Colégio. "... por motivo de idade e de saúde seria oportuno, em face da perspectiva de continuidade da obra, engajar um leigo na Direção Geral do Colégio."
O processo que então se anunciava conclui-se com a aposentadoria do Pe. Corbeil, a convergência dos sacerdotes para trabalhos de Pastoral e a laicização da Direção Geral.
Essa transição não altera substancialmente as estruturas do Colégio. As Direções de Curso são as mesmas, e a administração passa a contar com um Assistente Diretor. A Pastoral, por sua vez, foi acrescida de um responsável pela Coordenação, que anteriormente era exercida pelo Diretor Geral, e de um Animador Espiritual indicado pela Congregação.
Os planos curriculares e o sistema de avaliação permanecem inalterados, porque têm-se mostrado eficazes às solicitações externas e suficientemente arejados para responder à constante preocupação do Colégio com o dinamismo educacional.
Essa estabilidade não exclui, evidentemente, a demanda pela contínua atualização, que, aliás, nunca foi concebida como mudança determinada pela obsessão de "ser moderno". A inevitável necessidade de renovação está sendo tomada em um sentido mais substancial de reorientação, aprimoramento.
Em decorrência dessa intenção ampliam-se, para este ano, as perspectivas de conscientização, junto aos alunos, das questões relativas às Drogas.
A preocupação do Colégio com o enfrentamento do problema tem história. Obras do Pe. Charbonneau, Seminários, Conferências com Dr. Claude Olievenstein constituem nossa experiência acumulada. Trata-se agora de consolidar essa experiência, aperfeiçoando-a.
Está sendo criada uma comissão, formada por professores e orientadores educacionais do 1º e 2º Grau e Supletivo, que deverá participar de congressos e cursos, contando com assessoria de especialistas convidados. Seu objetivo central é dar subsídios à elaboração do Projeto do Colégio Santa Cruz para uma ação preventiva mais influente e eficaz. Este projeto deverá encampar também modos de atuação com referência à AIDS, tendo em vista a situação de risco progressivo que se evidencia.
Ainda para 93, incumbe-se a uma outra comissão de professores dos três cursos a tarefa de pesquisar a implementação de novos recursos tecnológicos que apóiem as atividades pedagógicas e estimulem a aprendizagem e a investigação.
Embora o Colégio esteja informatizado desde 1983, a velocidade com que se cria, inova e, conseqüentemente, supera-se a tecnologia acaba exigindo um contraponto igualmente ágil por parte dos educadores. Evidentemente, não se trata apenas de reequipar laboratórios, mas de operacionalizá-los, torná-los subsídio ao conhecimento.
Também deriva dessa perspectiva a forte preocupação da Direção com o aperfeiçoamento de seus professores e funcionários, no qual pretende investir e atuar.
Os textos que se seguem nesse Plano foram atualizados a partir das reuniões e conselhos pedagógicos do ano passado. Por esse motivo sua forma ainda repete a dos planos anteriores.
Não se pode fugir da constatação de que, na maior parte das vezes, eles terminam esquecidos em algum canto das estantes de suas centenas de leitores potenciais. Talvez porque não tenham encontrado uma forma estimulante de linguagem que equilibre informação com brevidade e que concilie interesse e disponibilidade do leitor.
A propósito, há longos 26 anos atrás, o jornal Mural do Colegial do Santa Cruz fez uma campanha para saber quantas pessoas tinham lido o último Plano. Encontraram uma: o autor.
No ano seguinte, o Plano Diretor parecia redefinido.
Sem dúvida, leitores legitimam um texto; texto lido é texto vivo, passível de crítica. Mais que isso, é estímulo ao diálogo, aliás, sempre produtivo e que, espero, constitua o núcleo comum de nossas relações.
Professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
Diretor Geral
O diálogo com pais e professores, por meio da Palavra do Diretor, é um ritual de todos os anos, que abre o documento que orienta a educação do Colégio Santa Cruz. Neste ano, o tema nuclear é a modernização de parte de nosso campus, necessária ao aprimoramento e à concretização de novos projetos pedagógicos, especialmente do Ensino Fundamental.
É esclarecedor, mesmo para aqueles que passaram anos de sua vida escolar neste espaço, contextualizar a anunciada reforma a partir da história deste campus, que completa 53 anos.
Histórico
De 1952, ano de sua fundação, até 1956, o Colégio Santa Cruz funcionou no prédio da Cúria Metropolitana, em Higienópolis. O terreno do atual endereço foi doado à Congregação de Santa Cruz pela empresa canadense Light and Power. As primeiras edificações — situadas na ala onde funciona atualmente o ensino fundamental — foram projetadas para atender a uma escola masculina, cujos estudantes eram adolescentes entre 11 e 15 anos, alunos do então curso ginasial, bem como os pioneiros do 1o científico.
A partir de 1957, ano da mudança para o Alto de Pinheiros, progressivamente a escola foi ampliando o espectro de suas séries, com a criação do curso clássico, em complemento ao científico, iniciado em Higienópolis. Paralelamente, projetou-se um novo pavilhão, destinado a acolher esses cursos; em 1961, mesmo com a construção não finalizada, o Pavilhão Padre Corbeil tornou-se o prédio destinado aos estudantes mais velhos. As categorias científico e clássico, que constituíam, então, o curso colegial, foram reestruturadas, a partir de 1970, em áreas: exatas, humanas e biológicas. A denominação ensino médio foi introduzida apenas em 1996.
Até 1973, o Santa Cruz manteve o mesmo contingente estudantil: quatro turmas em cada uma das quatro séries do ginasial e três turmas em cada uma das três séries do curso colegial — uma de humanas, uma de biológicas, e uma de exatas.
A partir de 1974, já incorporando as meninas a seu corpo discente, o Santa Cruz passou por um processo de ampliação do número de alunos, com a criação, ano a ano, das quatro primeiras séries do ensino de primeiro grau (antes denominado curso primário), iniciando-se pela quarta série e completando-se, com a primeira série, em 1977. Também a partir de 1974, o ensino médio tornou-se um curso misto. Ano a ano, o número de classes foi sendo aumentado para abrigar o novo contingente, completando-se o processo em 1976, com o total de seis classes por série. Desde então, esse número de alunos e classes se mantém estável.
Em 1974, ainda, foi aberto o curso supletivo noturno, atualmente chamado de educação de jovens e adultos (EJA), totalmente gratuito. Até 2007, esse curso funcionou no pavilhão do ensino fundamental. Atualmente, ocupa as salas de aula do pavilhão Padre Corbeil (ensino médio).
Ao longo do tempo, a primeira ala construída — pavilhão do ensino fundamental — foi sofrendo modificações para se adaptar às demandas geradas, inicialmente, pela nova população discente e, recentemente, pelas classes formadas em decorrência da criação do fundamental de nove anos. Além disso, novas tecnologias aplicadas à educação, bem como reflexões pedagógicas contemporâneas impuseram alterações físicas. Desse modo, mesmo sem um plano diretor que conduzisse os projetos e sua implantação, foram construídos:
a) dependências para as meninas (banheiros e vestiários);
b) um prédio de um pavimento, junto ao ensino fundamental (denominado Pavilhão Canadá), com quatro salas de aula, posteriormente ampliado para abrigar seis salas;
c) um prédio de dois pavimentos, na área adjacente às quadras do ensino fundamental (denominado pavilhão Irmão André), com salas de aula, laboratórios e salas de música com tratamento acústico;
d) um prédio anexo ao pavilhão Pe. Corbeil (ensino médio) com anfiteatro, laboratórios e salas de aula;
e) um ginásio de esportes, com palco, quadras e arquibancadas;
f) dependências do curso de educação infantil, inaugurado em 2000, a partir da reforma da residência dos padres;
g) um conjunto de salas constituintes do centro de ensino de informática, junto à biblioteca central;
h) salas de aula, no pavilhão do ensino fundamental, para abrigar as seis classes correspondentes à série suplementar do novo ensino fundamental de nove anos;
i) pequenas salas destinadas à leitura e ao trabalho com subgrupos de inglês, ateliês, almoxarifados etc., em consequência da ampliação do currículo e do número de séries do ensino fundamental;
j) instalações para informática em todas as salas dos cursos fundamental e médio.
A dinâmica da escola, em face do desenvolvimento da sociedade, da tecnologia e dos conhecimentos, gerou necessidade de adaptação sucessiva dos prédios às contingências pedagógicas. Não há dúvida de que, sob o ponto de vista da harmonia arquitetônica e do projeto original, reformas e ampliações constituem intervenções limitadas, por vezes provisórias. Dessa circunstância deriva a proposta de uma atualização mais ampla e profunda em nosso campus do Alto de Pinheiros, de acordo com um plano diretor específico, descrito a seguir.
Novos projetos pedagógicos: novo plano diretor arquitetônico
O dinamismo curricular e pedagógico que caracteriza a filosofia do Colégio Santa Cruz levou-nos, em 2002, a criar um anteprojeto de ensino em período integral (Unidade 2), que seria implantado em uma área de 30.000m2, contígua à USP, na Av. Corifeu de Azevedo Marques.
Entretanto, mesmo dispondo, desde aquela data, de um projeto arquitetônico completo e em consonância com a nova proposta pedagógica, decidimos, antes de concretizar a Segunda Unidade, proceder a uma significativa reformulação no campus do Alto de Pinheiros, agregando a ele, na medida do possível, algumas das ideias pedagógicas e dos recursos físicos que a nova área da Unidade 2 ofereceria.
Desse modo, desde 2007, quando o antigo pavilhão do ensino fundamental completou 50 anos, temos estudado e planejado essas modificações que, sinteticamente, consistem nos seguintes trabalhos:
1. construção de um prédio de dois pavimentos, com 30 salas de aula, para abrigar o fundamental 1 (1o a 5o ano), na área em que, atualmente, situa-se o setor de manutenção e marcenaria, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
2. construção de um miniginásio de esportes e pátio cobertos, como parte do referido prédio, destinado prioritariamente às crianças do fundamental 1 (1o a 5o ano);
3. reforma das salas de aula onde funcionam o fundamental 2 (pela manhã) e o fundamental 1 (à tarde), para serem utilizadas exclusivamente pelo fundamental 2, e construção de novo setor administrativo, abrigando recepção, secretaria, sala de professores, orientadores, coordenadores pedagógicos e diretores;
4. construção de um pequeno prédio para administração pedagógica do fundamental 1, adjacente ao miniginásio, onde serão instalados recepção, secretaria, enfermaria, sala de professores e gabinetes de trabalho dos diretores; as salas de orientação ficarão localizadas próximas às salas de aula, no prédio a ser construído para o fundamental 1;
5. reforma do Prédio Irmão André, em que funcionarão as salas para áreas especializadas e os laboratórios do ensino fundamental 2;
6. construção em andamento, na lateral do ginásio de esportes, junto à av. Arruda Botelho, de conjunto de salas para onde migrarão o setor de manutenção, o refeitório e os vestiários dos funcionários;
7. reforma na fachada do prédio da educação infantil e algumas adaptações internas (melhoria da recepção, da secretaria e das salas de orientação e dos professores), incluindo o acréscimo de uma sala de uso comum, (obra finalizada);
8. construção de garagem subterrânea, para que se possam tirar os carros da superfície do campus, favorecendo a entrada e a saída seguras dos alunos e aumentando a área disponível para os pedestres (essa obra será realizada com tecnologia adequada, de forma a assegurar os usuários contra possíveis enchentes);
9. rearranjo da biblioteca e das instalações do centro de ensino de informática, visando à criação de uma midiateca, a ser realizado em fase posterior às construções mencionadas.
Essas modificações não implicarão diminuição de área verde (a verticalização é sutil, correlata à do atual pavilhão do Ensino Médio, e favorece a economia da utilização da superfície do terreno); também não acarretarão alterações na permeabilização de solo. Por lei, somos obrigados a manter tanto a área verde, quanto a área de solo permeável.
A área central do campus será aprimorada, obedecendo a um novo conceito arquitetônico. Concebida como uma espécie de praça, será constituída pela Capela — destacada do prédio atual —, pela midiateca, administração central, ginásio de esportes, lanchonete-sorveteria e jardim interno com viveiro.
A reforma proposta permitirá que o Colégio, no futuro, consultados os pais, mantenha a oferta de seus cursos nos moldes atuais, mas que também possa oferecer um segundo currículo em tempo semi-integral, pois teremos dependências para acolher os dois agrupamentos do ensino fundamental (EF1 e EF2) em todos os períodos, como acontece no ensino médio.
Em relação às atividades esportivas curriculares e opcionais (treinamentos, capoeira, expressão corporal, xadrez), serão ampliadas as áreas disponíveis, com a utilização do campus da Unidade 2, que deverá conter instalações para alimentação, um centro aquático para aprendizagem e competição de natação, outro de atividades esportivas, além de um campo oficial de futebol, que já se encontra quase pronto.
Os alunos de todos os cursos que vierem a participar do período semi-integral serão transportados para esse local, em ônibus da escola, por acesso através da Cidade Universitária (aproximadamente seis quilômetros de distância entre os dois campi).
O processo de estudos internos, iniciado em 2007, seguido da tramitação junto aos órgãos da Prefeitura, terminou apenas em janeiro de 2010, com a aprovação do projeto e a autorização para o início das obras. Essas foram estrategicamente estudadas para ocuparem espaços próximos à av. Arruda Botelho e à Rua Orobó, por onde podem chegar e sair materiais com facilidade.
A partir do segundo semestre, isolaremos o local da primeira construção — item 1 — o que implicará uma perda de espaço esportivo, compensada pelo uso, por parte de todos os alunos, do campo oficial de futebol ao lado do teatro.
As maquetes físicas do projeto global, bem como a respectiva animação em vídeo, ficarão expostas no saguão do prédio do Ensino Médio, em frente à Secretaria Geral, para conhecimento dos pais e demais membros da comunidade do Colégio.
Para que não pairem dúvidas sobre a manutenção da área verde e de escoamento de água, bem como sobre o número de alunos, o Colégio se comprometeu formalmente junto aos órgãos da Prefeitura.
Depois da construção do Teatro, marco do cinquentenário do Colégio Santa Cruz, essa será a obra física mais importante para o aprimoramento pedagógico de nossos cursos.
Discurso de Encerramento do Ensino Fundamental 2009
Por solicitação de pais e educadores do colégio, transcrevo o discurso que pronunciei em 14 de dezembro de 2009, por ocasião da cerimônia de encerramento do Ensino Fundamental 2.
Prezados Pais, Educadores e Convidados
Queridos alunos
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Esses versos de Carlos Drummond de Andrade foram escritos sob a inspiração da virada de um ano que já vai longe: 1975.
O caminho da vida é sempre esse: chegar a algum termo e colocar-se em marcha, novamente, numa nova trilha.
Hoje, a cerimônia que marca o encerramento do Ensino Fundamental é também a festa de ingresso no Ensino Médio. Muito mais uma passagem do que uma “formatura”, essa palavra que guarda significado de coisa terminada, completa, formada.
Não é esse o caso de vocês: a vida escolar no Santa Cruz está em curso, mas é preciso neste momento aplaudir as conquistas, o trecho caminhado, o trabalho que se mostra. É preciso aplaudir, viver essa passagem e preparar-se para o amanhã mais próximo, vizinho ao hoje.
Naquele distante 1975 de Drummond, talvez muitos de seus pais estivessem comemorando o final da 8ª série ou a formatura no Ensino Médio nesta mesma escola. Quantas cerimônias se encadeiam em nossas vidas de pais e filhos, professores e alunos!
Metade de vocês são nossa primeira turma de Pré 1, e desde então, há 10 anos, a cada dezembro, os pais são convidados para, junto aos filhos, acenarem duplamente: para o ano que fica e o que se anuncia. Um grupo grande, perto da terça parte, tornou-se estudante do Santa Cruz no Pré 2 ou na 1a série. Finalmente, os que chegaram depois, já no Fundamental 2, comemoram há menos tempo a virada escolar conosco, mas a intensidade dessa comemoração é a mesma, e tem igual dimensão o afeto e o trabalho construído.
Da insegurança dos primeiros dias — fossem eles aos 5 ou aos 10 anos — seguiram-se a progressiva autonomia e o sentir-se cada vez mais em casa, nesse campus verde. E cada vez mais se ampliou um pouco de tudo: o número de aulas, a distância das viagens, a participação social, o conhecimento, a crítica consistente.
A próxima etapa, no Ensino Médio, mantém os princípios básicos do projeto Santa Cruz, que se aprimora ano a ano e se adapta a cada idade e momento da vida escolar, por vezes com saltos planejados para marcar alguma passagem importante, como a que hoje se comemora.
Os próximos três anos serão repletos de atividades, e um grupo significativo de novos alunos propiciará outras amizades. As exigências acadêmicas se ampliarão, com acréscimos de carga horária, diversidade de estudos do meio e de disciplinas optativas. A etapa que se inicia será contemporânea de um amadurecimento de vocês diante da vida e do futuro que começa a se desenhar. As perguntas serão incômodas e inevitáveis, mas buscarão as respostas dentro de cada subjetividade: “o que desejo estudar, fazer e construir para amanhã? Qual o curso superior que sustenta meus projetos?”
É necessário ter consciência de que em certas áreas de estudo e atuação não se operam milagres. Vocês são bem informados a respeito das demandas acadêmicas. A maior parte das universidades e cursos almejados por nossos alunos são muito competitivos, e a exigência de estudo e dedicação não se extinguem no ingresso após o vestibular, mas se prolongam por toda a vida universitária e profissional.
A regra geral é que esforço, empenho e trabalho levam à realização de fato, ao contrário da magia do acaso ou da sedução do poder. Sem sacrifício não se obtêm resultados consistentes. Como bem conceitua nosso consultor J. E. Bologna, sacrifício é diferente de sofrimento. Sofrimento se evita sempre; sacrifício faz-se em prol de uma causa.
Não parece possível conquistar o futuro a que cada um de vocês aspira abandonando-se os livros e cadernos às 13 horas da sexta-feira para retomá-los apenas na manhã da segunda-feira. Não parece saudável — e acho necessário que os pais passem a discutir comunitariamente esse problema — não é saudável mergulhar nas festas de quase todos os finais de semana, que terminam na alta madrugada. É como se alterassem o fuso horário semanalmente com todas as consequências conhecidas do “Jet-Leg”.
A escola não se vê em condições de assumir o controle nem do fuso horário artificial, nem do álcool consumido nessas circunstâncias. Também não pertence à escola o papel de aconselhar isoladamente uma família a proibir seu filho de participar desses eventos sem correr o risco de fazer do aluno um discriminado do grupo, sofrendo as consequências marcantes dessa situação.
Cabe à escola, sim, exigir que seus alunos cumpram a contento suas funções, obrigações e projetos. Isso será feito com firmeza e leveza. Porque no Colégio Santa Cruz também vigora o estímulo a seus estudantes, a confiança em seu potencial, o bom humor que sustenta a criação e a crítica, o afeto que alinhava tantas amizades como a que vocês têm e ainda construirão por aqui. Vocês estão sendo esperados no novo curso da mesma forma que Drummond traduziu sua espera de um novo ano:
“Flui a vida como água,
como água se renova.
Se a vida me foge, afago-a
em cada esperança nova.”
Vocês são nossa “esperança nova”. Parabéns, alunos do 1o ano do Ensino Médio de 2010. Sejam bem-vindos, mais uma vez, com muita alegria!
Muito obrigado a todos.
Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães
60 anos de Colégio Santa Cruz
Em 2012 o Colégio Santa Cruz comemora 60 anos de sua história e obra. A simbologia dos séculos e suas frações costuma instigar nossa memória, que seleciona e demarca as lembranças indispensáveis dessa trajetória coletiva cheia de vigor e em pleno curso.
Fruto da esperança e da inquietude do pós-guerra, o Ginásio Santa Cruz foi fundado em 1952 pelos jovens padres canadenses em Higienópolis, com 60 alunos do sexo masculino.
Cinco anos depois, o Colégio e seus 185 alunos mudam-se para o atual campus do Alto de Pinheiros.
Em 1974, o colégio amplia sua dimensão educadora, abrindo matrículas para as alunas (torna-se misto), completando a oferta do Curso Primário e inaugurando o curso Supletivo.
Aos 40 anos, com a aposentadoria do seu fundador padre Lionel Corbeil, a Direção Geral torna-se leiga: em 1993, o professor Luiz Eduardo assume a direção.
Em 2000, o Colégio cria o curso de Educação Infantil, ampliando a faixa etária do seu projeto educacional.
Na comemoração de seu jubileu de 50 anos, o Colégio inaugura o Teatro Santa Cruz.
Ao completar 60 anos, o Colégio Santa Cruz renova seu espaço físico, amplia seus cursos noturnos, reavalia seu projeto pedagógico e reestrutura seu apoio administrativo, sempre fiel àquela concepção pioneira que inspirou seu nascimento, permanentemente em busca do aprimoramento educacional.
Pavilhão Prof. Luiz Eduardo
Foi com grande esforço e enorme satisfação que iniciamos as aulas do Ensino Fundamental de 2012 no novo pavilhão do curso, que conta com 30 salas de aula, um ginásio coberto, um pátio com cantina, espaços de recreação e área administrativa.
Para a realização desse projeto, foram ouvidos diversos professores e diretores, que ajudaram a definir as condições fundamentais de uma sala de aula – boa iluminação, acústica, conforto térmico e estético – e os recursos necessários para equipá-la para o século XXI: tanto os tradicionais lousa e giz, quanto os tecnológicos, como computadores, projetores e rede de internet sem fio.
A atual renovação de nosso campus, cujas obras foram iniciadas em 2010, começou a ser concebida três anos antes pelo diretor geral professor Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães, que emprestou boa parte da energia e dedicação de seus últimos anos de vida para concretizá-la.
Falecido em 2010, depois de atuar no Colégio por mais de 40 anos, como professor de Matemática e Física e na área administrativa, chegando à Direção Geral em 1993, Luiz Eduardo deixou um legado permanente no Colégio, de ideais e compromissos, de espírito prudente e empreendedor, de educação enredada ao amor e à vida.
Em reconhecimento desse legado, como uma homenagem a sua obra e obstinação, decidimos deixar marcado seu nome no prédio recém-inaugurado: Pavilhão Prof. Luiz Eduardo.
A renovação do Campus continua com o início da reforma do antigo prédio do Ensino Fundamental, que será ocupado, futuramente, apenas por estudantes do 6º ao 9º anos, deixando o prédio novo para uso exclusivo dos alunos de 1o a 5o anos.
Nessa nova etapa, somaremos ao projeto arquitetônico já concluído as diversas observações trazidas diariamente por alunos e professores durante a ocupação do novo prédio.
Cursos noturnos: EJA e Cursos Técnicos
Neste ano, o Curso de Educação de Jovens e Adultos completa 38 anos de existência, desempenhando importante papel na suplência educacional da cidade de São Paulo. Criado para dar sequência, com excelente padrão de ensino, à educação de adultos que interromperam a escolaridade na infância ou na juventude, o curso já formou mais de 2.500 alunos. Totalmente gratuito, oferece, ainda, auxílio transporte e alimentação.
Na última década temos criado condições para que os alunos do curso regular interajam de forma mais direta com os do EJA, nos diversos espaços que compartilham (como Biblioteca e Centro e Informática) e em atividades voluntárias de Inclusão Digital ou em aulas de Ética e Cidadania, com projetos de leitura.
O cenário mais abrangente no qual se inscreve essa bem-sucedida ação de educar jovens e adultos parece, ainda, estar em acelerada transformação. Nas duas últimas décadas, as taxas de crescimento do PIB do Brasil, mesmo não sendo tão expressivas, foram acompanhadas de crescimento de renda, sobretudo nas classes mais pobres, o que ameniza um pouco nossa preocupante desigualdade social. Estudo recente da Universidade de São Paulo (dos pesquisadores Naércio Menezes Filho e Alison Pablo de Oliveira) procura associar a queda da desigualdade ao aumento de escolaridade das classes menos favorecidas.
Na mesma direção, estimativa recente do Ministério da Educação (realizada pela Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) revela que o número de alunos matriculados em cursos técnicos representa atualmente entre 15% e 18% do total de matrículas do Ensino Médio, quase o dobro do valor verificado há cinco anos. Essa porcentagem representa cerca de 1,5 milhão de alunos. Em países desenvolvidos esse índice chega a atingir 40% dos alunos, o que nos leva a supor que devemos verificar ainda um crescimento desse setor.
Avaliando esse novo cenário e preocupados em aprimorar a inserção de nossos alunos da Educação de Jovens e Adultos no mercado de trabalho, decidimos criar neste ano os Cursos Técnicos Profissionalizantes do Colégio Santa Cruz. Aproveitando a mesma estrutura da Educação de Jovens e Adultos, os Cursos Técnicos são também totalmente gratuitos e destinados a alunos que completaram o Ensino Médio (subsequente) ou que estão em sua última série (concomitante).
Em 2012 inauguramos duas turmas de cursos técnicos: Técnico em Administração (com duas classes) e Técnico em Logística (com uma classe). Também estamos em processo de certificação dos cursos de Técnico em Informática e Técnico em Química. Para essa certificação nossas instalações foram vistoriadas e aprovadas por especialistas do SENAC e do SENAI.
Aprimoramento pedagógico
Após um ano de reflexões com o Conselho de Administração do Colégio, decidimos reformular nossas direções de curso – Educação Infantil, Ensino Fundamental 1 e 2, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos –, dinamizando-as, com a promoção de educadores experientes e com a contratação de novos profissionais. As novas direções interagem com a Direção Geral por meio de reuniões frequentes, que aproximam os projetos e propiciam maior interação entre os cursos.
A Direção Geral é composta por um Diretor e uma Vice-Diretora, também responsável especificamente pela Direção Pedagógica.
Temos estimulado continuamente o diálogo entre cursos e educadores, para que haja tratamento coerente e planejamento comum de projetos educacionais que dizem respeito aos estudantes de todas as idades. Nesse sentido, com a supervisão da diretora pedagógica, criamos nove comissões disciplinares – Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História, Geografia, Artes, Educação Física, Inglês e Ensino Religioso –, que reúnem professores dos diversos segmentos, tornando possível o contato, a articulação e o planejamento de cada área do conhecimento, desde a primeira série da Educação Infantil à última série do Ensino Médio. Cada uma dessas comissões é coordenada por um professor da disciplina e essa equipe de coordenadores reúne-se mensalmente com a Direção Geral. Por meio de intensas discussões, orientadas pelo projeto pedagógico da escola e voltadas para uma organização coesa das ações, pretendemos esboçar, nas diversas áreas do conhecimento, nossos parâmetros curriculares.
Também em fórum de educadores de diversas séries e disciplinas, temos promovido discussões a respeito dos novos recursos tecnológicos que aparecem no mercado e sua futura adaptação à sala de aula. Diante de uma geração absolutamente conectada, refletimos sobre limitações e benefícios de utilizar em nossas aulas recursos familiares aos nossos alunos, como computadores portáteis, tablets, e-readers e smart-phones.
Reestruturação administrativa
Também a equipe administrativa foi incrementada com a contratação de novos profissionais e passa a contar com um diretor administrativo e financeiro. Essa reestruturação pretende modernizar os processos administrativos, como os de autorização de compras, e integrar as ações dos setores de Informática, coordenação do Campus e da Administração.
Prof. Fábio Luiz Marinho Aidar Jr.
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