
O caminho progressivo da autonomia, a responsabilidade e a consciência em relação ao trabalho escolar, a formação de uma identidade pessoal positiva, a integração ao grupo e a reação pronta, serena e construtiva diante de diferentes situações são objetivos cuja consecução depende da ação conjunta de professores e alunos, isto é, de um trabalho de integração dos participantes do processo educativo. Por outro lado, pede a mesma integração a própria natureza do conhecimento que será produzido, já que ele é sempre multifacetado, provisório, histórico, social e cultural. Um plano pedagógico que assuma tais objetivos exige que se ofereçam inúmeras e diversificadas experiências, muitas vezes não circunscritas ao espaço de uma sala de aula, mas explorando novos espaços, novos recursos, outras distribuições de tempo. Essa necessária diversidade é também fator determinante da nossa organização curricular. Da diversificação das atividades, da integração dos participantes e do conteúdo específico das disciplinas decorrem os projetos que são propostos para o ano letivo, fazendo deste um plano amplo e abrangente.
A realização de projetos é essencial ao Ensino Fundamental 2, já que propiciam a diversidade de experiências, bem como a integração das disciplinas e a contextualização dos conhecimentos, que contribuem significativamente para que o aluno possa atribuir um sentido crítico às suas aprendizagens. De fato, muitas das propostas de cada uma das séries envolvem aspectos de interdisciplinaridade, algumas delas abrangendo todas as disciplinas. Essas propostas são viabilizadas pela estrutura de planejamento das séries baseada nos Conselhos de Série, formados pelos respectivos professores, orientadores educacionais, coordenadores pedagógicos e direção. Essa estrutura prevê reuniões semanais, cujos temas podem ser gerais para o curso, podem estar restritos ao âmbito das áreas de estudo ou, o que é mais frequente, às questões referentes às séries, entre elas, o planejamento, realização e avaliação dos projetos.
Ao mesmo tempo, os projetos respondem à necessidade de um eixo vertical para o curso, não apenas na sua evolução de uma série para outra, mas também por existirem alguns que não se restringem a uma única série e transitam pelo curso todo.
Visita a museus e exposições
Nessa linha, destaca-se o programa de visitas que garante aos alunos o conhecimento de parte do acervo de vários dos mais importantes museus da cidade, bem como das mais significativas exposições itinerantes. Nossas visitas aos museus de Arte Moderna, de Arte de São Paulo, de Arte Sacra, Afro Brasil, da Língua Portuguesa, Lasar Segall e à Pinacoteca do Estado seguem um padrão de preparação e execução que transformou algumas delas em referenciais para projetos educativos dos próprios museus. Juntamente com as exposições itinerantes visitadas, constituem um projeto vertical, de caráter interdisciplinar, que abrange todo o curso.
Estudo do meio
Outro projeto nesse sentido é o conjunto dos estudos do meio, objeto de um plano abrangente para as quatro séries, que possibilita o tratamento de temas verticais planejados e executados pelos educadores da série. No 6º ano, estuda-se a Baixada Santista, região industrializada, densamente povoada e de capital importância econômica do litoral de São Paulo, com destaque para as transformações ocorridas e os impactos por elas causados. No 7º ano, os alunos conhecem, no litoral sul de São Paulo, uma região escassamente povoada e pouco desenvolvida economicamente. A área (Lagamar), declarada reserva da biosfera pela UNESCO, apresenta uma das maiores porções de biodiversidade do planeta, grande variedade de ecossistemas e conta com marcas históricas do primeiro Brasil colônia. Na 7ª série, a viagem é para as cidades históricas de Minas Gerais, sensibilizando o aluno para uma produção cultural que, em seus aspectos econômico, histórico, topográfico, geológico, arquitetônico, religioso, artístico e humano, é de fundamental relevância na formação da identidade nacional, qualquer que seja a definição que dermos a ela. Finalmente, na 8ª série, os alunos conhecem a reserva da biosfera da caatinga, visitando o Parque Nacional da Serra da Capivara, em São Raimundo Nonato, no Piauí. Além do contato com um Brasil que lhes é muito distante e que, por isso, amplia consideravelmente a representação que têm da diversidade que abriga nosso país, a visita ao Parque Nacional, com um dos maiores sítios arqueológicos do continente sob administração de reconhecida qualidade, torna-se oportunidade especial para estudar o tema do desenvolvimento sustentável.
Pode acontecer que, por motivos adversos, tenhamos que mudar os lugares visitados nos estudos do meio. De qualquer modo, procuramos, nessas ocasiões, manter o tema geral de cada série em seu estudo: permanências e transformações, no 6º ano; a preservação, no 7º ano; a identidade, na 7ª série; o desenvolvimento sustentável, na 8ª série.
O valor de tais atividades não pode ser medido apenas pelo conhecimento que trazem às disciplinas, pelo desenvolvimento de habilidades do trabalho de campo e pelo prazer que proporcionam aos que as realizam. São momentos formativos de profundo sentido educativo, entre outros motivos pela integração que promovem entre os participantes, pelas questões advindas da necessidade de se priorizar o coletivo tendo, simultaneamente, que se adaptar às condições da viagem, pelo respeito exigido aos dados culturais que o contato com as populações locais apresenta e, enfim, por aquilo que toda viagem provoca, que é a mudança no jeito de olhar o mundo e as pessoas.
Voluntariado educativo
Um terceiro exemplo de projetos que atravessam verticalmente o curso é o conjunto de atividades do Voluntariado Educativo. O Serviço de Auxílio aos Necessitados (SAN) há muitos anos procura engajar os alunos do colégio em suas ações junto a comunidades carentes. O Ensino Fundamental 2, entendendo que o seu momento serve à sensibilização dos alunos, tem procurado oferecer a oportunidade de participação de modo que todos possam conhecer os lugares e incluir-se, ao menos por uma vez, no trabalho de assistência do SAN. Como resultado disso, alguns projetos de atuação, próprios para a faixa etária, foram desenvolvidos e são aplicados com regularidade envolvendo uma parcela dos alunos. É o caso, por exemplo, do atendimento às crianças do Centro da Criança e do Adolescente do Jaguaré, ou da aldeia indígena do Pico do Jaraguá. Na verdade, embora não sejam muitas, existem hoje outras possibilidades de atuação para os alunos, além daquelas nascidas e mantidas pelo SAN.
Por outro lado, mais recentemente, o voluntariado tem sido visto pelos educadores como recurso educativo imprescindível. Ele cumpre funções formativas evidentes ao colocar os alunos em contato com a realidade social de sua comunidade, envolvê-los na busca de soluções concretas para os problemas e desenvolver competências e habilidades, que transcendem em muito as aquisições mais restritas ao âmbito da sala de aula. Por essa razão, criamos uma Coordenação Pedagógica do Voluntariado Educativo cujo objetivo específico é, além de cuidar da consistência pedagógica das ações realizadas, ampliar ainda mais o leque de possibilidades de engajamento dos alunos, fazendo novos contatos com outras instituições e inaugurando novas frentes de atuação. Assim, explicitamos nossa convicção a respeito do potencial de formação intelectual e socioafetiva contido no trabalho voluntário esforçando-nos por atingir um número maior de alunos, de forma que o Voluntariado Educativo torne-se, em lugar de uma complementaridade, um elemento orgânico do nosso currículo.
Orientação sexual e prevenção ao uso de drogas
Os Projetos de Orientação Sexual e Prevenção ao Uso de Drogas também são exemplos de verticalidade. Ambos seguem um programa e uma linha de trabalho cujo plano vertical se estende a vários cursos do colégio. No Ensino Fundamental 2, a coordenação desses projetos compete aos Orientadores Educacionais. A execução cabe aos orientadores e professores, seja em atividades integradas ao desenvolvimento normal do processo pedagógico, seja em momentos especialmente destinados à reflexão, à conscientização ou à construção de conhecimento sobre o assunto. No item referente à Orientação Educacional voltaremos a abordar esses dois projetos.
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