
Parte importante das competências necessárias ao estudante e cidadão de hoje são aquelas referentes ao uso das novas tecnologias, em particular as da informação. No Ensino Fundamental 2, viabilizamos as conquistas dessas competências com aulas em parceria com o Centro de Tecnologias, elaboradas conjuntamente pelos professores das diversas áreas e a equipe do centro, visando a utilização dos computadores e seus diferentes recursos como ferramentas para desenvolver os conteúdos das disciplinas. Ao mesmo tempo, consolidam-se as habilidades trabalhadas ao longo do Ensino Fundamental 1 e introduzem-se novos programas, que auxiliarão os alunos na aquisição das aprendizagens pretendidas pelo Ensino Fundamental 2. Dessa maneira desenvolvem-se as competências próprias da Informática como área de conhecimento.
Sempre associados às disciplinas, utilizam-se diversos programas básicos: processadores de texto, não apenas nas matérias de línguas (Português, Inglês e Francês), mas também em outras como Geografia, História, Ensino Religioso; planilhas eletrônicas, no curso de Matemática, Geografia e Ciências; criação de animações e edições de imagens e som, nas aulas de Artes; criação de apresentações, em diversas disciplinas; e publicação de sites e blogs, como troca de resultados de trabalhos individuais e coletivos.
Além disso, há programas orientados para aprendizagens específicas de Geometria, Inglês, ortografia, jogos pedagógicos e outros. O uso desses programas, por si só, já representa a oportunidade de uma vivência curricular, organizada e crítica, da linguagem digital, mas o tema pode receber tratamento mais explícito quando, por exemplo, os alunos criam páginas pessoais com suas produções escolares.
O uso da Internet está presente durante todos os anos do curso Fundamental, sempre com a intenção de mostrar aos alunos seu grande potencial frente a pesquisas, troca e produção de conhecimento, mas também seus limites, conscientizando-os das transformações que ela traz e das novas e complexas questões que invadem o nosso cotidiano.
Têm merecido nossa crescente atenção os ambiente virtuais de produção de cultura e conhecimento, mais comumente chamados de comunidades virtuais. É fato que podemos apenas muito precariamente antever a gama de possibilidades que as trocas locais e globais ensejadas nesses ambientes poderão significar para o nosso mundo. No entanto, já está claro ser esse um campo de interesse da educação, muito além do aporte tecnológico para a aprendizagem de uma ou outra disciplina. Percebemos a necessidade de um aprendizado de habilidades e competências necessárias a uma participação produtiva, crítica e criativa no meio. Percebemos ainda que a inserção ética nesses ambientes é igualmente algo muito pouco desenvolvido — e aqui já não nos limitamos a dizer do âmbito dos escolares e de sua faixa etária, mas do ambiente virtual em geral, como um todo, no qual o público e o privado confundem-se, no qual a violência pretende-se tão inocente ou inócua quanto impune, no qual as crianças e os adolescentes estão desprotegidos.
É preciso, então, que a escola se apresente nesses ambientes, oferecendo seu modelo de relação, sua clareza de princípios e propósitos e sua aposta nas possibilidades positivas e construtivas das comunidades virtuais. Este é o caso de alguns projetos, disciplinares ou interdisciplinares, às vezes limitados ao grupo classe, às vezes estendidos à série, às vezes abertos a trocas com estudantes de outros países. Acreditamos que essa vivência do aluno, acompanhada da presença do adulto educador, possa propiciar a inserção adequada no novo campo, seja para as questões da produção de conhecimento, seja para a elaboração de posicionamentos éticos. É muito importante assinalar, contudo, que, devido à ausência de fronteiras no mundo virtual, e por se tratar primordialmente de um problema de formação de valores, o sucesso de tal tarefa pressupõe a ação conjunta e sintonizada da escola e da família.
Acreditamos que é dessa forma, servindo às demandas das aprendizagens curriculares, que as ferramentas da Informática transformam-se em recursos pessoais dos alunos, por superarem o uso do senso comum e por organizarem-se internamente de acordo com as possibilidades reais e adequadas de seu uso.
Tão importante quanto o domínio da ferramenta tecnológica é a formação de habilidades de triagem, pesquisa e leitura de material bibliográfico, o que demanda estreita parceria com a Biblioteca. Assim, a Coordenação da Biblioteca e os professores das séries desenvolvem conjuntamente um trabalho que leva os educandos a conhecer os diferentes materiais do acervo, reconhecer suas diferentes linguagens, saber como e quando utilizá-los, esclarecer sobre os sistemas de classificação, convenções catalográficas e localização de obras nas estantes. Tem ainda a finalidade de orientar os alunos na utilização da informática para consultas e exames pré-seletivos de obras.
A consecução de tais objetivos viabiliza o desenvolvimento de procedimentos de pesquisa em etapas graduais ao longo dos quatro anos do curso. Nas séries iniciais, há a necessidade de se apresentar a diversidade de materiais da Biblioteca, bem como introduzir os mecanismos de busca. Nas séries finais, os alunos já deverão praticar, de maneira mais autônoma, a busca e a leitura de informação nos materiais que já sabem escolher de acordo com os objetivos das propostas pedagógicas.
Acreditamos que os objetivos de formação de um aluno leitor e pesquisador devem se desenvolver atendendo às demandas das disciplinas, pois isso torna a aquisição das habilidades necessárias plenas de sentido. Pelo fato de terem sido aprendidas a partir de problemas concretos dos alunos com suas demais aprendizagens disciplinares, essas habilidades, que na verdade transcendem as disciplinas, são adquiridas de modo mais significativo, como um “aprender em serviço”, e certamente mais duradouro.
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