
O curso está estruturado em dez disciplinas: Português, Matemática, História, Geografia, Ciências, Inglês, Francês, Educação Artística, Educação Física e Ensino Religioso. Com suas demandas específicas, cadernos, livros, formas de estudar, ministradas por professores diferentes, essas disciplinas em seu conjunto já são um primeiro e significativo desafio.
Em muitas delas o momento é ainda de abertura de campo, trabalhando com algo que se poderia chamar de “gramática das disciplinas” — elementos e procedimentos mais complexos para análise da língua; operações típicas da lógica interna da Matemática, seja na Álgebra, seja na Geometria; recursos do geógrafo para leitura das disposições e mudanças do espaço e da paisagem; dispositivos do historiador para dar conta de estudar o tempo com suas permanências e transformações; práticas metodológicas das Ciências, tanto teóricas como empíricas, para estabelecer princípios generalizáveis e criar modelos da realidade natural. Enfim, uma continuidade do que já vinha sendo trabalhado nos anos anteriores, mas acrescido da finalidade de revelar essas disciplinas como linguagens interpretativas do mundo físico e social. Pretende-se que o aluno possa se perceber como sujeito na construção de um conhecimento contínuo e, sobretudo, coletivo. A consecução desse objetivo não se dá de forma abstrata, mas no próprio trabalho de constituição de uma sólida base de conhecimentos factuais necessários às fases posteriores da escolaridade. Isso quer dizer que, dentro dos limites impostos pela faixa etária, nossa contribuição para a formação de cada aluno procura equilibrar atitude e conteúdo.
Assim enunciado, o conjunto de conhecimentos e procedimentos pode parecer às vezes um tanto árido para a faixa etária. Entretanto, se considerarmos a fase cognitiva em que ingressam os alunos, conforme a descrevemos anteriormente, perceberemos que são plenamente capazes de enfrentar as abstrações necessárias àquelas aprendizagens. Além disso, em relação aos conhecimentos, toma-se o devido cuidado com sua contextualização, o que implica desde a forma de apresentação de uma matéria nova dentro de uma disciplina, até a criação de projetos multidisciplinares pelos conselhos de professores de cada série, integrando e ao mesmo tempo relacionando os conhecimentos a serem desenvolvidos com questões da realidade próxima do aluno.
Já com relação aos procedimentos, tanto aqueles próprios a cada disciplina, quanto os mais gerais e coletivos, como assiduidade, dedicação, repetição, obediência a normas — a “educação do gesto”, poderíamos chamar — servem bastante bem à necessidade de um porto seguro ao qual o aluno pode recorrer sempre que o sentido da aprendizagem estiver ameaçado, assim como em seus momentos de maior aflição com a vivência do crescimento ele pode recorrer à segurança da rotina, a qual lhe oferece o tempo requerido para processar a experiência.
Finalmente, podemos ainda considerar a convivência, também objeto da atenção dos educadores, como elemento educacional de centro, por seu poder de relativizar as angústias e dificuldades, por oferecer modelos de superação dos problemas e, ao mesmo tempo, de legitimação das soluções pessoais. Na verdade, encontraremos na qualidade da convivência, lembrando que ela não é uma convivência qualquer, mas voltada aos objetivos formativos da escola — produção de conhecimento e afirmação ativa de valores humanistas — uma das mais importantes metas do curso. O aluno do Ensino Fundamental 2, por possuir novas ferramentas de pensamento, bases para um desenvolvimento moral superior, agora já pode perceber e incorporar esse parâmetro.
Todavia não chegaremos ao cerne da identidade deste curso sem tratar das competências, saberes que transcendem as disciplinas, definidores das possibilidades de cada indivíduo e que, portanto, são o aprendizado mais importante em toda escolaridade. Elegemos, como prioritárias, a competência para comunicar-se, competência para resolver situações novas, competência para refletir sobre o processo da aprendizagem e competência para interagir intelectual e socialmente. O desenvolvimento dessas competências e habilidades, reforçamos, não se dá no vazio, mas na concretude da tarefa de adquirir os conhecimentos específicos de cada disciplina e outros que só a realização de projetos interdisciplinares e coletivos, como os que serão propostos ao longo do curso, pode oferecer.
Esses recursos somados, valiosos para a sequência da vida de estudante, deverão crescer sobre uma base de valores explicitamente veiculados no projeto pedagógico e educativo e cuja expressão almejada são atitudes de respeito e curiosidade, interesse e iniciativa, coragem e dedicação, responsabilidade social e solidariedade diante do processo de produção do conhecimento.
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