Colégio Santa Cruz

Colégio Santa Cruz - Cursos - Ensino Médio - Introdução

Introdução

Conhecimento crítico

Numa sociedade cada vez mais dominada pela informação ágil e simultaneamente disper­siva, que gera uma tendência à supervalorização da forma em detrimento do conteúdo, o conhe­cimento se torna mais processual e disponível fora dos limites da escola e muito além da lingua­gem dos livros.

Se, por um lado, esse novo conhecimen­to nos desafia a manter um processo constante de di­ver­sificação tecnológica de linguagens e instru­mentos de saber, por outro, impele-nos a reafir­mar nossos princípios a respeito de como lidar com o que se conhece.

A relação do aluno com o conhecimento tal qual a compreendemos é sempre ativa e pres­supõe independência e criação. Mais que um con­junto organizado e efêmero de informações, a for­mação intelectual busca estimular a investi­gação crítica, o saber em profundidade e o conhe­cimento plural.

No Ensino Médio, essa relação com o conhe­ci­mento se reveste de um caráter mais siste­má­tico e exigente, na medida em que o educando desenvolve sua disciplina consciente e sua auto­nomia criativa.

Isso justifica, em parte, que as aulas do Ensino Médio sejam mais longas e durem 75 mi­nutos. Além de possibilitar maior aproveitamento do tempo para a utilização de recursos multimídia (vídeos, pesquisa via computador e em biblio­te­ca, trabalho em grupo, etc.), as aulas mais lon­gas determinam uma diminuição do número de compo­nentes curriculares por período, o que ame­­niza a tendência ao conhecimento fragmen­tado.

O tempo estendido das aulas também se relaciona à oportunidade de aprofundar os con­teúdos desenvolvidos pelo educador, bem como de exercitar o diálogo com o aluno e estimular diferentes formas de participação.

O conhecimento crítico se liga aos objetivos dos diversos componentes curriculares. Trata-se, é importante ressaltar, de conhecimento quali­ta­­tivo, que estimula no aluno sua consciência do real, a expressão de seu pensamento e sua atua­­ção no mundo como sujeito. Trata-se de co­nhe­ci­men­to plural: o saber abrangente que re­jeita ideias preconceituosas e pensamentos dogmá­ticos.

São a atitude crítica, o respeito à diversi­da­­de de pensamento e o amor à vida que iniciam o aprendizado gradual e responsável da liberdade.

Descoberta de si mesmo

Ao longo dos ciclos educacionais, o aluno vai se tornando mais responsável por sua apren­dizagem. No Ensino Médio, essa autonomia pro­gres­siva torna-se pilar de uma série de transfor­mações disciplinares que objetivam que o aluno desenvolva o sentido de liberdade associado à autodisciplina e à formação de padrões internos de conduta.

A educação exige firmeza, vontade e liber­dade. A vida escolar deve ensinar que o homem só pode ser livre se for responsável, o que só é en­tendido no gesto da escolha: cada ato deve re­meter a seu peso, cada ação deve carregar suas consequências, que é imprescindível assu­mir.

Nesse processo, o diálogo é um instru­men­to inestimável; mas ele jamais dispensa a expo­sição clara de limites e normas, a serem definidos e exigidos pela escola para garantir um espaço co­letivo comprometido com a alteridade e subme­tido a princípios válidos para todos.

A compreensão dessas normas de convívio ocorre sobretudo na sala de aula, onde as classes se integram nos grupos de trabalho e onde se de­­sen­volve a consciência da importância de cada indivíduo na construção orgânica e harmônica do todo.

Esse exercício da liberdade responsável con­­tribui para o autoconhecimento e põe o aluno em contato com seu potencial intelectual, criativo e social. O esforço para desenvolver esse po­ten­cial e para realizá-lo gera uma independência e uma identidade pessoal que abrem caminho para uma opção existencial consciente e plena.

Como tem se confirmado a tendência de nossos alunos a dar continuidade aos estudos em nível superior, uma das preocupações do Ensino Médio vincula-se a oferecer condições pa­ra a se­quência acadêmica e profissional, ga­ran­tindo a apro­vação, em curto prazo, da quase tota­lidade do grupo em instituições de bom ou ótimo nível.

Consideramos, contudo, que a aprendi­za­gem no Ensino Médio não deve se amoldar às exigências às vezes polêmicas dos vestibulares, ou corresponder meramente a um curso prepara­tório para o Ensino Superior. Tão importante quan­to ensinar e dar uma boa formação que apri­more o raciocínio e a postura crítica é a tarefa edu­ca­tiva de preparar o aluno para compreender e viver as transformações e dificuldades de seu tempo.

O futuro de nossos educandos não deve ser só uma profissão, porque a vida é mais que o mun­do do trabalho: para que um ser humano atinja sua plenitude, integrando-se a uma comu­nidade e assumindo em consequência um papel social construtivo e crítico, tanto a inteligência quanto a criação individual devem estar a serviço de algo maior e mais definitivo: o bem comum.

A construção da cidadania

Um dos pilares do projeto educacional do Colégio Santa Cruz contempla o desenvolvimento da consciência moral e da ética da solidariedade.

Formar moralmente uma juventude é ensi­nar-lhe o compromisso com o outro, com sua co­mu­nidade, com seu país. Esse vínculo permite a gradativa sensibilidade aos problemas sociais e o pensamento crítico com relação à realidade e às injustiças sociais.

Ao mesmo tempo, aponta para a constru­ção de uma realidade diversa, respeitando-se as diferenças e aprendendo-se a conviver, com uma atuação prática e política de verdadeiros cida­dãos.

O ápice desse projeto de educação social e formação ética realiza-se na 2ª série do Ensino Médio, com um curso chamado "Ética e Cidada­nia". Seu objetivo primordial é justamente desen­volver nos jovens a consciência dos problemas da sociedade brasileira e assinalar-lhes o poten­cial de sua força transformadora dessa realidade.

Esse curso possibilita aos alunos atuar em diversas frentes: pesquisas de campo ou está­gios participativos em instituições preocupadas em assegurar a dignidade e a inclusão dos cida­dãos; e viagens com propostas de intervenção junto às comunidades visitadas.

Moradores e meninos de rua, meninos e ado­lescentes em situação de abandono, traba­lhadores infantis, drogas entre crianças e adoles­cen­tes de rua, deficientes audiovisuais, a ques­tão do índio e do negro no Brasil e violência contra a mulher são alguns dos temas abordados.